‘Pinturas’, sobre o trabalho de Alberto Lacet, será lançado nesta sexta

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O pintor Alberto Lacet lança, às 19h desta sexta-feira (14), o livro ‘Pinturas’, no Casarão 34, na Praça Dom Adauto, Centro da Capital. O trabalho reúne 100 imagens de quadros em óleo sobre tela, que marcaram a trajetória do artista, nas últimas quatro décadas, e representam cerca de 40% de tudo o que pintou na sua vida. De uma família de desenhistas, o pintor se especializou em retratar figuras humanas e conseguiu em vários trabalhos unir os estilos figurativo e abstrato e, como ele mesmo diz, foi muito feliz ao fazer isso.

Alberto Lacet diz que o catálogo é resultado de um trabalho duro de seleção e de busca por obras que marcaram fases e momentos da sua carreira. “Quis guardar a memória do que fiz nas últimas quatro décadas e o projeto durou dois anos. Digo que não sou um artista de exposições individuais, porque não costumo guardar trabalhos. Pinto e, por isso, foi tão trabalhoso reunir as obras, muitas estão em outros Estados e no exterior. Também não pinto grandes quantidades. Sou minucioso, detalhista, produzo lentamente e dedico tempo a um quadro. Nesse livro, consegui reunir 40% de tudo o que fiz”, disse.

O artista diz que sua obra não lhe pertence e nem a quem a adquiriu. “Embora tendo uma propriedade material, a arte é transcendental, não pertence ao pintor e nem ao proprietário da obra, mas à cultura, ao povo. Por isso, quis reunir algumas obras nesse catálogo para dividir com todo mundo o meu trabalho”, disse. No livro, o pintor faz uma análise do momento atual da sua arte, situando-a no cenário atual marcado pela revolução tecnológica. O catálogo ainda traz textos do escritor pernambucano, Fernando Monteiro, e da doutora em História da Arte, Madalena Zácara.

Alberto Lacet vem de uma família de desenhistas e cresceu exercitando essa arte. Aos oito anos ganhou da mãe sua primeira aquarela, mas só fez o primeiro trabalho profissional na década de 80 e se especializou na técnica óleo sobre tela. “Em alguns trabalhos, tratei as figuras humanas com um misto de arte abstrata. Geralmente se constrói sobre um ou outro estilo, figurativo ou abstrato. Uni a figura e a abstração e acho que fui muito feliz”, disse, acrescentando que não consegue destacar um ou outro trabalho registrado no catálogo, porque cada um denota um momento, uma guinada na sua carreira, uma mudança de fase.

Homenagem – Lacet diz que o livro é uma homenagem a uma figura folclórica do Sertão que foi um grande pintor, falecido há 20 anos: o Zezinho Pintor, do município de Patos. “Ele era um grande pintor, mas não foi reconhecido. Pintava de tudo, desde santos das igrejas até peças para o comércio. Sua oficina era uma verdadeira loucura. Ele me influenciou. Ele alimentou o mito do pintor em mim. Quando eu tinha nove anos fiz um retrato de Jonh Kenedy e minha mãe levou pra ele ver. Ele elogiou demais e, escondido dela, me deu um dinheiro. Para mim, foi um prêmio. Esse artista foi muito importante para a cultura, mas foi esquecido e nunca foi reconhecido. Patos é uma cidade grande e que cresce todo dia, mas não há nada lá que lembre Zezinho Pintor”, lamentou.

Alberto Lacet nasceu em Teixeira em 1954 e fundou, em 1979, o Ateliê Coletivo do Museu de Artes Assis Chateuabriand, na cidade de Campina Grande, onde morou por cerca de quatro anos. Mudou-se para João Pessoa em 1982, onde vive e trabalha até hoje. Já fez duas exposições individuais em Portugal e Espanha e participou de várias coletivas em outros países.