“Sim, Eu Posso” alfabetiza homens e mulheres em escolas da Capital

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“Essa é a primeira vez que estou tendo a oportunidade de estudar, estou gostando por conseguir reconhecer as letras”. O depoimento do agricultor Manuel Patrício de Araújo, 61 anos, retrata bem a nova realidade de vários homens e mulheres que participam do programa ‘Sim, Eu Posso’, da Secretaria Municipal de Educação (Sedec), que tem como objetivo erradicar o analfabetismo na Capital. O programa foi lançado pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP) em fevereiro deste ano. Pouco mais de um mês do início das aulas, Manoel e outros 66 alunos inscritos no programa estão saindo da situação de analfabetismo total para se tornarem pessoas que começam a ler e escrever.

Exemplos de alunos que conseguiram superar essa barreira e se mostram cada dia mais felizes com o aprendizado não faltam. Uma dessas pessoas é a dona de casa Elisângela da Silva Mousinho, 30 anos, que assim como Manoel Patrício, estuda na Escola Municipal Antenor Navarro, no Conjunto Gervásio Maia. “Eu tinha estudado até a 1ª série do ensino primário, mas como tive que deixar de estudar para trabalhar havia esquecido tudo que aprendi. Agora já consigo ler e escrever algumas palavras”, comemora.

O resultado de todo o esforço de Elisângela para aprender a ler e escrever reflete em seu trabalho como auxiliar de sala de aula em uma escola particular. “Quando tinha que entregar o material aos alunos, precisava que outras pessoas lessem para mim, para saber os nomes colocados nas mochilas. Agora eu mesma leio os nomes e entrego o material certo para cada uma das crianças”, revela Elisângela da Silva, que já disse que vai continuar estudando, quando terminarem as aulas do programa.

Outro exemplo é o de Rosineide Ferreira Lima, 38 anos, moradora do Colinas do Sul, que também reconhece a importância de saber ler e escrever. Ela, que é mãe de seis filhos, não perdeu a oportunidade de estudar quando soube do ‘Sim, Eu Posso’. “Eu pensei. Se todo mundo pode aprender a ler e a escrever, eu também posso. Graças a Deus estou aprendendo, estou conseguindo ler. Os meus filhos me ajudam com a lição, mostram quando estou fazendo uma lição errada e incentivam para que eu aprenda cada vez mais”, disse, emocionada.

Resultados positivos – A evolução no aprendizado dos alunos do programa ‘Sim, Eu Posso’ é sentida também pelos monitores das aulas. Segundo Maria Elza Diniz, monitora na Escola Antenor Navarro, no começo das aulas ela sentia que os alunos tinham muita dificuldade. Contudo, quando eles se acostumaram com a metodologia empregada no programa, com tele-aulas e aplicação de exercícios, a cada dia evoluem mais. “Alguns já sabem ler frases inteiras. Estou muito feliz com os resultados que são bastante positivos”, disse.

Para Maria do Carmo Santos Almeida, monitora do programa na Escola Municipal Tharcilla Barbosa da Franca, no Grotão, o ‘Sim, Eu Posso’ escreve uma nova história em alfabetização na Capital. “Com o método de ensino utilizado, os alunos se mostram mais entusiasmados nas aulas e, o melhor de tudo, querem continuar estudando”, ressalta.

De acordo com ela, cada palavra ensinada no programa traz um leque de outras palavras e informações para os alunos. “Tenho um aluno de 77 anos, seu Antônio, com problemas de audição, que é negociante na feira. Chegou aqui sem saber ler e escrever. E nas últimas aulas ele vem surpreendendo todos quando lê algumas palavras, além de aprender a escrever o próprio nome. É um grito de independência para ele”, comenta Maria do Carmo.

Ampliação – Diante do sucesso das primeiras turmas do ‘Sim, Eu Posso’, cujas aulas se encerram no início do mês de maio, o programa será ampliado para outras escolas da cidade. “Devemos abrir novas turmas do programa em maio ou junho. O trabalho deverá envolver a participação de outras secretarias municipais, como Secretaria do Desenvolvimento Social (Sedes) e Orçamento Democrático (OD), para ampliar a abrangência do programa”, informou a coordenadora do ‘Sim, Eu Posso’ no município, Luciana Barbosa de Sousa.

Na atual fase do programa, as aulas diárias, das 19h às 21h, acontecem nas escolas municipais Tharcilla Barbosa da Franca, no Grotão, e na Antenor Navarro, no Gervásio Maia. Ao todo, são 45 dias de aulas para cada uma das seis turmas formadas nesse primeiro momento, composta, no máximo, de 15 alunos.

O sucesso do programa não se resume ao aprendizado dos alunos. Outro índice que deve ser comemorada é o de evasão do programa, que está praticamente zerado. “O resultado dessa primeira experiência do ‘Sim Eu Posso’ é excelente”, ressalta a professora cubana, Maria del Carmen Torres, que acompanha a implementação do programa em João Pessoa. Segundo ela, essa metodologia foi levada para outros estados brasileiros, e aqui na Capital paraibana se percebe uma maior motivação de alunos e monitores envolvidos. “O mais importante é que os alunos estão aprendendo a ler e a escrever, e o melhor de tudo, eles demonstram a vontade de continuar estudando. Além de haver uma boa frequência nas aulas. Nossa proposta está sendo cumprida”, assegurou.

O programa – O ‘Sim, Eu Posso’, ou ‘Yo, Si Pudeo’, foi elaborado pelo Instituto Pedagógico Latino-Americano y Caribeño (IPLAC), de Cuba, com a finalidade de erradicar o analfabetismo da América Latina. O programa foi utilizado por vários países, como Bolívia, Argentina, Timor Leste, Canadá, Espanha, Equador, dentre outros. Com edição em 13 idiomas, ele ganhou prêmio Rey Sejong, instituído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), nos anos 2002, 2003 e 2006, por promover a erradicação do analfabetismo no mundo.