Ação Griô Nacional realiza atividades em João Pessoa

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Ação Griô Nacional realiza
atividades em João Pessoa

A Ação Griô Nacional realiza várias atividades durante toda a semana em João Pessoa, com uma programação que conta com rodas de diálogos, sessão especial na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), atividades nas escolas, cortejo e apresentações culturais. A iniciativa, que tem o objetivo de divulgar o movimento de criação da Lei Griô Nacional, conta com representantes da ação Griô de Lençóis, na Bahia, numa realização da Escola Viva Olho do Tempo (Evot), em parceria com a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e Secretaria Municipal de Educação (Sedec).

O encontro teve início na manhã desta segunda-feira (23), na sede da Evot, localizada no Vale do Gramame. Na terça-feira (24), a partir das 15h, acontece a Sessão Especial que pauta a Lei Griô Nacional, proposta pela vereadora Sandra Marrocos. Após a sessão, mestres, brincantes e educadores populares realizam um cortejo até o Ponto de Cem Réis, onde acontecem diferentes apresentações da cultura popular.

A Griô Nacional é uma ação integrada aos Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva da Secretaria da Cidadania Cultural (SCC) do Ministério da Cultura e foi inspirada e concebida pelo Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô de Lençóis, Bahia.

Lei Griô Nacional – A missão é criar e instituir uma política nacional de transmissão dos saberes e fazeres de tradição oral em diálogo com a educação formal, para fortalecimento da identidade e ancestralidade do povo brasileiro, por meio do reconhecimento do lugar político, econômico e sócio cultural dos griôs, das griôs, mestres e mestras de tradição oral do Brasil.

A Lei apoiará a circulação dos griôs nas comunidades/escolas e a vinculação dos seus currículos aos saberes da tradição oral, fortalecendo a identidade e ancestralidade dos estudantes, educadores e do povo brasileiro. Entre as escolas e universidades parceiras da Rede Ação Griô estão a Escola Municipal Raimundo Nonato, em João Pessoa; o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro; a Escola Desembargador Amorim Lima, em São Paulo; e a Escola de Comunicações e Artes, da USP.

O Chefe da Divisão de Cultura Popular da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Pablo Honorato, ressaltou que são de extrema importância as ações que visam a inserção da Ação Griô nas comunidades e que dão visibilidade ao processo. “Este é um momento importante para esta discussão, uma vez que o Congresso Nacional pretende regulamentar a inserção dos saberes populares na grade curricular da rede de ensino. Aqui na Paraíba, esta temática precisa ser debatida e aprofundada, inclusive pelos mestres e brincantes e esta Sessão Especial que acontece na terça-feira se coloca como uma possibilidade de alguns encaminhamentos neste sentido”.

Griôs – Os mestres e griôs são os pais e mães de santo, capoeiras, cantadores, contadores de histórias, cordelistas, brincantes, bonequeiros, erveiros, curandeiros e todas as pessoas que têm histórias de vida repleta de saberes e fazeres que não estão escritos nos livros, são transmitidos oralmente e vivencialmente e fazem parte da formação da história e identidade das comunidades e do povo do país.

Ação Griô na Escola – Quando implantada, a Lei criará mecanismos para que as comunidades apresentem aos conselhos municipais de cultura seus griôs e mestres de tradição oral. Eles se apresentam vinculados a projetos educativos, associações e a secretarias de educação e passarão seus conhecimentos aos estudantes, com aulas alegres, brincantes, dançantes, cantantes, cheias de histórias que encantam as escolas.

O saber oral das ervas das benzedeiras e as ciências da flora da região, o saber das parteiras e as ciências da reprodução, o saber das ladainhas da capoeira e a história do Brasil são exemplos de práticas e assuntos que mudam o reconhecimento dos estudantes sobre sua própria identidade e ancestralidade.

Saiba mais – Os griots africanos são velhos sábios das comunidades e donos de uma memória impressionante, considerados ‘enciclopédias ambulantes’, encarregados de perpetuar as tradições e histórias de seu povo, compreendendo contadores de histórias, músicos e muitas vezes dançarinos, que em épocas de sérios conflitos têm a vida poupada para que continuem narrando proezas dos povos africanos.