Agra assina convênio para 1ª cooperativa de crédito de JP

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O prefeito Luciano Agra assinou nesta sexta-feira (10) um convênio com a Central das Cooperativas de Crédito do Nordeste (Sicoob) para criação da primeira Cooperativa de Crédito dos Empreendedores Individuais, Microempreendedores e Empresários de Pequeno Porte de João Pessoa e Região Metropolitana. A entidade será administrada pelos próprios cooperados e vai oferecer empréstimos a juros mais baixos do que os do sistema financeiro a empreendedores da Capital e de outros 11 municípios.

A assinatura do convênio aconteceu durante a cerimônia de liberação de R$ 1.057.700,00 do Empreender-JP (Programa Municipal de Apoio aos Pequenos Negócios) para 402 microempresários de João Pessoa. O evento – que movimentou o maior volume de recursos já aplicado pelo programa de uma única vez desde a sua criação, em 2005 – aconteceu na manhã desta sexta-feira no auditório do Centro Administrativo Municipal, em Água Fria.

Por meio do convênio com o Sicoob, a Prefeitura irá realizar cursos para microempresários de João Pessoa e das outras 11 cidades que serão atendidas pela cooperativa: Alhandra, Bayeux, Caaporã, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, Lucena Mamanguape, Pitimbu, Rio Tinto e Santa Rita. O contrato prevê, ainda, serviço de consultoria para implantação da entidade, que inclui a realização do projeto e o acompanhamento até a aprovação junto com Banco Central. A estimativa é de que o processo todo dure em torno de 18 meses.

De acordo com o prefeito Luciano Agra, o governo municipal está empenhado em apoiar iniciativas de cooperativismo e de associativismo, atividades que fortalecem a cadeia produtiva da economia da Capital e que podem ampliar o poder de atuação do Empreender-JP. “Chegamos a um momento extremamente importante, de aperfeiçoamento do programa. Vamos para um estágio mais avançado, que é o cooperativismo”, declarou.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Sustentável da Produção, Raimundo Nunes Pereira, o objetivo da cooperativa será garantir crédito com juros baixos a empresários cuja necessidade de empréstimo já superou os limites previsto pelo Empreender-JP. Em quase seis anos, o programa da Prefeitura de João Pessoa já levou apoio a mais de 9 mil pessoas, aplicando R$ 23,3 milhões em recursos.

“Essa ação de levar crédito aos grupos mais frágeis, aos chamados ‘desbancarizados’ é importante, mas tem um limite. Quando o empreededor de sucesso atinge um patamar de necessidade de financiamento que o Programa não consegue mais atender, ele corre o risco de cair no sistema tradicional, nos bancos público ou privados, ou de voltar aos agiotas, que praticam taxas de serviços e juros desproporcionais a capacidade de pagamento”, explica Nunes.

Modelo – O diretor presidente do Sicoob Nordeste (entidade sediada em João Pessoa que faz parte do sistema Sicoob Brasil), João Feitoza Neto, explica que a parceria que está sendo firmada pela Prefeitura de João Pessoa servirá de modelo para o restante do País.

De acordo com ele, apenas os Estados de São Paulo e Minas Gerais possuem iniciativas semelhantes de apoio do poder público ao cooperativismo. “Mas com essa base voltada ao microempresário, João Pessoa é o primeiro caso de que temos notícias. Certamente servirá de exemplo”, afirma.

Cooperativas de crédito funcionam como um banco que é administrado pelo próprio correntista. “O associado é o dono, o administrador e o usuário”, afirma Feitoza. Os juros são mais baixos do que os dos bancos tradicionais. “E quando se apura o resultado, os juros são devolvidos aos investidores, ao próprio microempresário”. Na Paraíba, afirma o diretor do Sicoob, atuam seis cooperativas de crédito, mas nenhuma delas voltada ao pequeno empresário.

Mais qualidade de vida– Aos 83 anos, a artesã Mirian Gomes de Oliveira, não pensa em parar. Ela está entre os 402 beneficiários que receberam empréstimos nesta sexta-feira pelo Empreender-JP. Esse já é o terceiro contrato de dona Mirian, que planeja comprar tecido, tinta e pincel para a confecção das bonecas de pano e dos biscuit que vende em casa, no bairro do Costa e Silva.

A atividade se transformou em fonte de renda há dez anos e ajuda a professora aposentada não apenas a reforçar o orçamento da casa, mas também a se manter ativa. “Eu não gosto de ficar parada. Às vezes fico até tarde da noite fazendo minhas coisas e tenho que dizer às minhas filhas que estou com insônia para elas me deixarem trabalhar. Mas a verdade é que gosto muito disso”, revela.

Nas palavras dela, o Empreender surgiu na sua vida como uma “dádiva”. “É uma maravilha, não tenho nem palavras para dizer. Porque o meu dinheiro é pouco e eu ainda ajudo as minhas filhas, que estão desempregadas. Então só com o Empreender eu poderia fazer meus produtos”, afirma.