Alunos descobrem o mundo mágico da literatura de cordel

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Os alunos da Escola Municipal Zulmira de Novais tiveram uma tarde diferente nesta terça-feira (21). Através do projeto “Da Escola para a Praça”, implantado pela Secretaria de Educação e Cultural (Sedec), os estudantes estão descobrindo a literatura de Cordel. Na Praça Vidal de Negreiros, localizada no bairro de Cruz das Armas, alunos e a comunidade assistiram apresentações de teatro de fantoches, coral, recital de cordel e da banda marcial “União”, que expressaram através da música e poesia a história do cordel.

“É bastante enriquecedor para a formação do aluno que ele conheça a importância da literatura de cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do povo paraibano, nordestino e brasileiro. Com esse trabalho também é possível descobrir talentos e despertar o interesse do aluno pelas diversas formas de artes, além é claro de trabalhar a leitura, memorização e a própria desenvoltura em público”, observou a diretora da escola, professora Tereza Lúcia Figueiredo.

O projeto vem sendo desenvolvido na Escola Zulmira de Novais desde fevereiro de 2007 e atende 917 estudantes matriculados nos três turnos. A literatura de cordel é trabalhada na sala de aula uma vez por semana, nas disciplinas de português, com a produção e leitura e também por meio de xilogravuras. Nesse contato, os alunos lêem e produzem os cordéis e depois adaptam os versos em peças de teatros, músicas, entre outras formas de expressões culturais.

“O professor utiliza a poesia de cordel como recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação, como cidadania, consciência ambiental, saúde, entre outros, além de estimular a leitura, produção e edição de folhetos”, comentou a professora Laura Albuquerque, coordenadora do projeto.

Para a coordenadora, outro objetivo do projeto é levar a literatura de cordel para as escolas, com meio de descaracterizá-la como uma cultura de matuto, como ainda existe essa concepção nos centros urbanos. “Esse projeto faz com quê os alunos descubram, de maneira prazerosa e encantadora, o valor que o cordel tem para a história da humanidade. Estamos observando também que cordelistas da própria comunidade, que com o tempo deixaram de produzir, voltaram a compor seus cordéis. Isso é muito gratificante”, reforçou a professora Laura Albuquerque.

Valorização – Um exemplo de que esse trabalho vem dando resultado positivos é o ressurgimento da cordelista Cícera de Sousa Oliveira, mãe de um dos alunos da escola e que voltou a escrever cordéis. “É uma alegria imensa ver meu trabalho recitado pelos jovens e saber que a nossa cultura está tendo o valor que ela merece”, disse emocionada a cordelista.

Com essa valorização cultural, alguns cordelistas analfabetos que memorizavam suas produções estão voltando para a escola para aprender a ler e escrever, e assim eternizar nos folhetins seus cordéis.

A escola também vem descobrindo e ao mesmo tempo despertando, de forma bastante espontânea, estudantes talentosos na produção de folhetins. Alunos já estão escrevendo os versos que posteriormente serão reunidos e expostos para a comunidade.

O estudante Willimas Mateus, de 12 anos, matriculado na 6ª série, teve seu primeiro contato com a literatura de cordel na escola. “Na sala de aula a professora transformou o assunto da dengue em forma de cordel e escreveu no quadro. Toda sala então começou a ler e ela achou uma boa idéia a gente fazer um hap. Daí surgiu o grupo. Estou adorando e é muito divertido aprender assim, tanto é que já escrevi alguns cordéis”, disse o estudante. A próxima apresentação do projeto “Da Escola para a Praça” está programada para acontecer em novembro.

Popular – A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral e depois impressa em folhetos rústicos expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola. A poesia popular, enquanto literatura oral já existe há mais de 3.500 anos.

No Brasil o cordel chegou trazido de Portugal, onde era vendido como folhas soltas, mas foi com um poeta nascido em Pombal que ele ganhou celebridade. Foi Leandro Gomes de Barros quem primeiro passou a editar e comercializar, no final do século XIX, o folheto na forma como existe atualmente, por isso ele é considerado o patriarca dessa expressão popular e a Paraíba é tida como o berço da literatura de cordel.

A literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba e do Ceará. Costuma ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores.