Artista Flávio Tavares ministra palestra na Estação Cabo Branco

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O artista plástico Flávio Tavares de Melo ministrou na manhã desta segunda-feira (23) uma palestra para novos monitores e estagiários da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes. A capacitação, que aconteceu no auditório da casa, foi sobre o painel “No Reinado do Sol”, localizado no hall de entrada do prédio administrativo, criado especialmente para compor a Estação Cabo Branco.

Inicialmente, o artista plástico falou dos aspectos de composição da obra e, na sequencia, deu início ao ciclo de debates. “Para mim é sempre uma honra vir à Estação Cabo Branco falar sobre esse painel, pois nele estão muitos sonhos e histórias que aconteceram no decorrer de sua composição”, contou Flávio Tavares.

Na ocasião, ele falou de projetos futuros, de literatura nacional, internacional, história da Paraíba, geografia, política e das imagens inseridas no painel. “Fiz esse painel pensando nas crianças. Para que elas pudessem se deslumbrar, pois agradar a uma criança, na minha opinião, é a coisa mais difícil que tem e é um público bastante exigente”, comentou.

O painel em óleo sobre tela mede 9m de comprimento por 3m de altura e levou cerca de dois meses para ser concluído. Do lado esquerdo do painel, está retratada a praia do Cabo Branco, passando pelo Varadouro e lembrando, à direita, o estuário do Rio Paraíba, popularmente conhecido por praia do Jacaré. No centro do quadro, Flávio Tavares pintou uma grande nau, atracada dentro da cidade, comandada pelo escritor paraibano, hoje radicado em Pernambuco, Ariano Suassuna. Na parte central inferior do painel há uma mesa com vários elementos que simbolizam a antropofagia como opção do povo digerir a própria cultura e história.

Na parte superior central do quadro, reinando sobre todas as demais imagens, o artista compôs uma figura feminina, vestida de sol, que representa a criação. O mesmo céu que a sustenta nos primórdios da fundação da cidade, formado por figuras bíblicas do bem e o mal, termina por se fundir bem abaixo, com o contemporâneo Parque Solon de Lucena.

Só para citar outros exemplos simbólicos da obra, o escritor José Lins do Rêgo foi pintado como referência ao desenvolvimento da cana-de-açúcar. Enquanto isso, Augusto dos Anjos é um elemento que resgata a alma poética do passado. Manuel Caixa D’água, caminhando pela boemia, também compõe o cenário. Também se faz presente a popular e folclórica ‘Vassoura’ (Isabel Bandeira), montada em seu conhecido cavalo branco, que tantas vezes povoou de irreverência o dia-a-dia dos pessoenses no século passado.

Ciganos, sarracenos, negros, mouros, portugueses, espanhóis, índios, franceses e holandeses se propagam por todo painel. Alguns grupos estão em tamanhos diferentes e em situações fantasiosas. Esta é uma forma, segundo o artista, de distinguir os períodos da história e os ambientes.

O painel faz ainda uma alusão geográfica ao quadro sobre a Bacia da Restinga, pintado pelo neerlandês Frans Post. Ele foi membro da esquadra do conde holandês Maurício de Nassau, que participou de uma comitiva pelo Nordeste do Brasil em meados do século XVII, registrando geografias e motivos brasileiros em desenhos e pinturas.