Artistas promovem VI Tributo a Otacílio Batista, neste sábado

Por - em 79

Ivanildo Vila Nova (PE), Antônio Costa (PB) e Daudeth Bandeira (PB), além do o jovem Acrisio de França, da cidade de Paulista (PE), vão se apresentar no ‘VI Tributo a Otacílio Batista’. O evento acontece neste sábado (8), no Sindicato dos Bancários (avenida Beira Rio, nº 3100, Tambauzinho), a partir das 21h. Participam ainda da homenagem a intérprete Silvia Patriota e os declamadores José Patriota, Raimundo Patriota e Jatobá. A iniciativa tem o apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e outras entidades. A entrada é franca.

O organizador do evento é o jornalista Fernando Patriota, filho de Otacílio. Para ele, a homenagem também é uma forma de incentivar a manifestação cultural dos artistas populares. “O ‘VI Tributo a Otacílio Batista’ foca o encontro das gerações dentro da cantoria de viola. É uma maneira de estimular os novos menestréis”, destacou. “Minha dedicação é uma sincera e justa homenagem a meu pai. Aquele que foi um dos grandes nomes da poesia popular. Por seu talento indiscutível e por tudo que fez pelo repente e pelos repentistas, merece figurar entre os principais nomes de todos os tempos da cantoria”, completou.
Durante 79 anos e onze meses de vida, o poeta popular que ganhou o apelido de ‘A Voz do Uirapuru’, era mestre em improvisar. Otacílio Batista impressionava pela rapidez na construção das estrofes, ao criar versos em todas as modalidades do repente.
Até a década de 70, existiam 500 repentistas na idade de até 35 anos. Hoje, em todo o Nordeste, são apenas 12. Em contrapartida, naquela década, os repentistas viviam exclusivamente do “braço da viola”. Daí a necessidade de apoiar esse tipo de expressão cultural nordestina.

Otacílio – Otacílio foi o cantador que mais propagou sua arte pelo Brasil. O trabalho do artista também ultrapassou as fronteiras, chegando a outros países em discos, livros, fitas, documentários, congressos e palestras. A trajetória desse homem se confunde um pouco com a própria história da cantoria de viola no País.
É difícil falar sobre repente sem citar Otacílio Batista. Foram quase 60 anos dedicados exclusivamente à arte das estrofes bem rimadas e metrificadas, publicação de livros, gravação de discos, resultando em vários prêmios nos congressos nos quais que participou. Pelo estrangeiro, ele levou a cantoria para Portugal, Cuba, Argentina e Bolívia. Quando não pôde mais improvisar, parou de respirar.

Otacílio foi o irmão mais novo de Lourival Batista e Dimas Batista. Ele vem de uma família com mais de 100 repentistas natos. É filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Batista Patriota, ambos paraibanos das cidades de Monteiro e de Teixeira. Sua mãe era sobrinha do primeiro cantador do Nordeste, Ugolino do Sabugi. Este era irmão dos poetas Nicandro Nunes da Costa e Agostinho Nunes da Costa Filho. Por sua vez, ambos eram primos, em primeiro grau, dos famosos poetas Francisco das Chagas Batista, Antonio Batista Guedes e Pedro Batista.

Otacílio Batista nasceu no dia 26 de setembro de 1923, na então Vila de Umburanas, município de Itapetim – atual São José do Egito (PE), na região do Pajeú das Flores. Em 5 de agosto de 2003, na própria casa, no Bairro do Brisamar, em João Pessoa, faleceu. Aos 79 anos, foi vítima de uma parada cardio-respiratória.