Biliu e Pinto fazem forró de tradição, na noite do sábado

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Dois forrozeiros dos bons comandam a festa na noite deste sábado (28), dentro do ‘São João de João Pessoa – O melhor da gente’: Biliu de Campina e Pinto do Acordeom. As duas atrações apresentarão no palco montado na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da Capital, a partir das 21h, o que chamam do forró de tradição, diferente da proposta de bandas que misturam ao forró, o galope, o brega e outras variantes rítmicas.

O inquieto Biliu de Campina faz o show focado no forró, unindo no mesmo repertório músicas de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Zito Borborema e da própria safra autoral. “O meu forró é o da tradição e, por isso, não precisa de adjetivos. Tem muita gente descaracterizando o forró em nome de uma modernidade que não existe. Eu sou mais o Bell do ‘Chiclete com Banana’ cantando forró e Marisa Monte cantando o ‘Xote das meninas’ do que essas bandas do Ceará, porque os dois são zelosos com o que fazem, têm jogo de cintura e não descaracterizam nossa música”, frisou.

Esse zelo pela herança deixada será celebrado nesse show com a leitura de ‘Sebastiana’ e ‘Cabo Tenório’ do repertório de Jackson do Pandeiro; e de ‘Tropeiro da Borborema’, ‘Paraíba’ e ‘Terra,vida e esperança’ do universo de Luiz Gonzaga. De sua própria autoria, Biliu de Campina apresentará ‘Coco repiado’, já conhecida do público paraibano, além das canções ‘Se toque no forró’ e ‘O pobre e o rico’.

Aboio, coco e forró
– O ponto de partida para as três décadas dedicadas ao forró começou com o que ele chama de ‘canto gregoriano do interior’: o aboio. Foi ouvindo o pai tanger o gado que Biliu despertou para a música, depois vertendo para o coco de embolada até o forró. O artista lançou no mercado três discos no formato vinil (‘Tributo a Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcante’, ‘Forró o ano inteiro’ e ‘Matéria paga’) e mais cinco CDs (‘Forró bodologia’, ‘Forró pé e cabeça de serra’, ‘Ao vivo de Miguelito’, ‘Diga sim ao Biliu’ e ‘Se toque no forró’).

Biliu de Campina nasceu na Serra do Monte e foi registrado em Campina Grande. No decorrer da carreira vem reafirmando seu papel de divulgador do forró ligado à tradição de Gonzagão e Jackson do Pandeiro. “Em João Pessoa sempre se valorizou a cultura. É a única cidade da Paraíba que tem uma programação genuinamente paraibana porque outros grandes centros estão descaracterizando o forró. Não é que nós somos contrários a artistas de fora, mas precisamos valorizar o que é nosso. O São João em João Pessoa está tão bom quanto em Recife”, disse.

Guerreiro do forró – Apenas uns poucos acordes são suficientes para a platéia cair no arrasta-pé. Pinto do Acordeom é desses artistas que sabem bem como esquentar o público na época dos festejos juninos. Segunda atração da noite deste sábado (28), o cantor e compositor paraibano fará um show de música de raiz com muito forró e xaxado.

Em turnê com o show baseado no disco ‘Vem viver essa paixão’, lançado em 2007, Pinto do Acordeom está comemorando 30 anos de carreira. No repertório de sua apresentação o público poderá conferir sucessos do artista como ‘Engenho velho’, ‘Matuto teimoso’ e ‘Neném mulher’, tendo esta última música conseguido projeção nacional ao ser incluída na trilha da novela global ‘Tieta’. “Espero que essa seja uma noite louvável pelo povo. Tenho orgulho do meu repertório que é sério e na Capital o pessoal gosta de coisa boa. Será uma festa”, afirmou.

Natural da cidade de Conceição do Piancó, onde também nasceu Elba Ramalho, o forrozeiro só começou a tocar o seu instrumento preferido após se dedicar ao pandeiro, zabumba e tuba, ainda em sua cidade natal. Em 32 anos de carreira já lançou vários discos no formato vinil e CD.

Em outubro próximo, o paraibano subirá ao palco do Teatro Santa Roza, na Capital, para gravar – após três anos de releituras – um trabalho composto por CD/DVD apenas com canções inéditas. “Ainda não escolhi o nome, mas será todo de composições inéditas porque estava há três anos sem gravar coisas novas. Me dediquei nesse tempo a fazer releitura de clássicos meus que ficaram registrados nos discos em vinil”, disse.