Cafuçus levam irreverência e alegria ao Centro da Capital

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Estampas coloridas, brilho, maquiagem espalhafatosa e acessórios extravagantes – a criatividade do folião corre solta no desfile do Bloco Cafuçu, há 21 anos levando alegria e irreverência ao Centro de João Pessoa durante a prévia carnavalesca Folia de Rua. Na versão 2011, ocorrida entre a noite dessa sexta-feira e a madrugada deste sábado (05), o divertido costume se manteve e os cafuçus deram show de elegância nos dois pontos de concentração (Praça do Bispo e Ponto de Cem Réis) e no arrastão com as orquestras de frevo rumo à Praça Antenor Navarro. O Folia de Rua tem o apoio da Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio da sua Fundação Cultural (Funjope).

A concentração começou a receber foliões por volta das 18h da sexta. Às 22h, as praças, os arredores e a Avenida Visconde de Pelotas haviam se transformado em um mar de gente. Crianças, idosos, jovens e adultos de todas as idades prestigiaram o evento. Segundo Buda Lira, um dos coordenadores do bloco, as duas concentrações ainda não foram suficientes para comportar tanto cafuçu. “No próximo ano, precisaremos de mais dois pontos de concentração. Será melhor para o público, que poderá se movimentar com mais conforto”, disse.

De acordo com Buda, pelo menos 70 mil pessoas se espremeram entre as duas concentrações, animadas por DJs que não só tocaram marchinhas e frevos como ressuscitaram hits bregas ao estilo “Mercedão vermelho”, de Maurício Reis, e “Ela me deixou e foi morar com o guarda”, de Elino Julião.

Um dos participantes da festa foi o artista plástico Jocemar Chaves, figura tradicional do Carnaval pessoense. “Eu brinco desde que tinha quatro anos de idade. O Carnaval é uma maravilha!”, disse o folião, com 80 anos e muita disposição para a festa. O segredo para tanta energia? “Não fumo, não bebo, não me preocupo com a vida alheia e não compro fiado”, receitou Jocemar, um dos destaques da Escola Império do Samba, que este ano homenageia o bairro do Roger, onde ele sempre morou.

Com prazo para finalizar a brincadeira às 2h, mesmo que tivesse público para mais uma rodada, o Cafuçu desceu em um arrastão pelas ruas do Centro Histórico, sendo puxado por 13 orquestras de frevo. O destino foi a Praça Antenor Navarro, onde aconteceu a dispersão do bloco.

21 anos de humor e alegria – O Cafuçu surgiu de uma brincadeira entre amigos – Adalice Costa (falecida), que era funcionária do Departamento de Arquitetura da UFPB, sua irmã, Ana Costa, William Pinheiro, Henrique Magalhães, Paulo Vieira, Torquato Joel, Buda Lira e Bertrand Lira. Juntamente com outros dez blocos carnavalescos, o Cafuçu é responsável pela criação do Projeto Folia de Rua (1992) e pela fundação da Associação Folia de Rua (em 1996), em João Pessoa.