Caminhada marca a luta de servidoras contra a violência

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Mais que uma comemoração ao ‘Dia Internacional das Mulheres’ (8 de março), a ‘V Caminhada das Mulheres da Emlur’ marcou o engajamento que essas trabalhadoras têm com a questão do enfrentamento à violência contra o gênero. Andando debaixo de sol forte em algumas ruas do Centro de João Pessoa, elas ergueram seus cartazes, máscaras e distribuíram panfletos para conscientizar toda a população sobre o tema central do evento ‘Enfrentamento à violência: Entre nessa luta’.

A concentração aconteceu na manhã desta sexta-feira (6) no Teatro Santa Roza e seguiu em direção ao Parque Solon de Lucena (Lagoa). O evento contou com a presença do prefeito da Capital, Ricardo Coutinho (PSB), secretários municipais, pessoas e organizações de defesa da mulher. Ainda no Teatro, cerca de 400 mulheres funcionárias da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) e sociedade em geral participaram de um café da manhã, organizado pelo órgão.

Durante a caminhada, as servidoras da Emlur usaram máscaras para representar o luto pelas mulheres que perderam suas vidas e aquelas que ainda se escondem por trás da máscara do medo, da humilhação e da injustiça.

Prioridade – Ao chegarem ao anel interno da Lagoa, o grupo de percussão da Emlur, ‘Baticumlata’, que tem mulheres entre seus componentes, fez as pessoas dançarem ao som de instrumentos confeccionados com materiais. Na ocasião, o prefeito disse que uma das prioridades da gestão este ano é a ampliar a geração de emprego e renda para o segmento, através do Empreender Mulher.

“Uma das formas de combater a violência contra as mulheres é a conquista da própria autonomia financeira. O incentivo à geração de emprego e renda proporciona o empoderamento necessário para que busquem cada vez mais a igualdade entre gêneros”, disse Ricardo Coutinho.

Políticas públicas – Ele acrescentou que junto além disso existem mais três eixos importantes para o combate à violência, desenvolvidos pelo Governo Municipal através de políticas públicas permanentes para a equidade e igualdade entre homens e mulheres.

“A saúde da mulher é prioridade nesta gestão, pois entendemos os diferentes. O ciclo e o organismo das mulheres são diferenciados dos homens; por isso, investimos em reforma e ampliação de maternidades. A titularidade na habitação é garantida. As casas entregues pela Prefeitura, prioritariamente, são registradas nos nomes das mulheres. Além disso, criamos o Centro de Referência a Mulher, que auxilia aquelas vítimas de violência com assessoria jurídica e tratamento psicológico”, enfatizou o prefeito.

Para o superintendente da Emlur, Coriolano Coutinho, a caminhada se transformou em um ato de reflexão e a possibilidade de conquistar mais espaços inerentes à mulher. Além disso, ele acrescentou que as mulheres da autarquia estão engajadas e conscientes nessa luta.

Já Douraci Vieira, coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres (CPPM) enfatizou a ampliação do Empreender Mulher e a luta pela implementação de outros mecanismos nas esferas estadual e federal para o enfrentamento à violência doméstica, que estão inseridos na Lei Maria da Penha e ainda foram postos em prática.

Mulheres da Emlur – A agente Fátima Meira, que representou as demais servidoras, deixou uma mensagem importante sobre o combate à violência. “Temos que lutar pelos nossos direitos no nosso trabalho e na nossa casa. Não podemos aceitar nenhum tipo de violência dos nossos namorados, maridos ou amigos”, disse.

Já a coordenadora do Alô Limpeza da Emlur, Dilane Vilar, relatou que este ano as 16 mulheres desse setor inovaram na organização, pois fizeram cartazes mostrando características do tema central e trazendo para o ambiente de trabalho delas. “Compramos plaquinhas de madeira com frases que traduzem o nosso dia a dia e nos cartazes buscamos resumir como é a nossa rotina de trabalho”, observou.

Os homens também estavam apoiando o ato político e de homenagem às mulheres. O servidor da Emlur, José Bezerra, disse que a caminhada era muito importante para conscientizar a todos, “mas o combate tem que vir primeiramente das próprias mulheres, que merecem todo o respeito”.