Casa Brasil muda a vida de moradores do Costa e Silva

Por - em 36

Em apenas 13 meses de funcionamento, as atividades desenvolvidas pelo Projeto Casa Brasil vêm mudando totalmente a realidade dos moradores do bairro Costa e Silva, na Capital. A iniciativa, fruto de uma parceria entre a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) – através da Secretaria Executiva de Ciência e Tecnologia (Secitec) – e o Governo Federal, já beneficiou diretamente mais de 400 pessoas de todas as faixas etárias, com inclusão digital e resgate da cidadania. É uma forma de aliar conhecimento tecnológico e integração entre os habitantes da comunidade.

O secretário da Ciência e Tecnologia, Simão Almeida, ressalta que o Projeto Casa Brasil representa uma peça fundamental nas políticas públicas adotadas pela PMJP para o setor. “Faz parte do Programa de Inclusão Digital para a Cidadania. Além de ter um telecentro, é amplo. Tem oficina de meta-reciclagem, sala de leitura, com acervo muito bom na biblioteca. Diante dessa visão, funciona como meio de inclusão digital e também como ponto de capacitação”, afirma.

As atividades do projeto começaram a ser desenvolvidas desde outubro de 2007. Mas a estrutura física, também chamada de Casa Brasil, foi inaugurada oficialmente pelo prefeito Ricardo Coutinho (PSB) em janeiro deste ano. A iniciativa funciona nas instalações do Centro de Referência da Cidadania (CRC) Sandoval Silva de Assis, no Costa e Silva. Para isso, ó prédio precisou passar por uma reforma.

Mudança de vida – Edson da Silva, de 31 anos de idade, está engajado nas atividades da Casa Brasil desde os primeiros dias de funcionamento. Para ele, a iniciativa da PMJP tem trazido melhorias para a comunidade. “Eu tinha vontade de aprender, mas não tinha condições financeiras. Estou fazendo curso de manutenção e desenho, que é de design em computador”, ressalta. “Muitas crianças antes ficavam na rua à toa, sem fazer nada e estão agora aqui dentro. Os professores também orientam e dão conselhos. A Casa Brasil está sendo a salvação”, afirma.

Girlando Rodrigo da Silva Oliveira, de 13 anos de idade, diz que tudo mudou no bairro e sonha agora em adquirir um micro. “Eu me sentia desatualizado nas novas tecnologias quando ouvia as pessoas dizendo que tinha computador em casa. Ainda vou comprar um”, garante. “Tem dias que isso aqui fica lotado. A comunidade também está se conhecendo mais, fazendo mais amizades. Os alunos estão lendo mais livros”, relata.

Estrutura e atividades – De acordo com o coordenador da Casa Brasil, Adelino de Almeida Pimenta, o local oferece cursos de informática, além de montagem e manutenção de micro, que já beneficiaram, aproximadamente, 350 pessoas.

O pessoal da terceira idade que freqüenta o CRC também solicitou da coordenação da Casa Brasil um curso de informática para idosos. Com isso, duas turmas foram formadas para atender à demanda. Atualmente, os professores que ensinam em escolas públicas da comunidade estão sugerindo também aulas de informática. “Nossa perspectiva é começar em janeiro”, comenta Adelino de Almeida.

Os freqüentadores da Casa Brasil têm direito ainda a uma biblioteca. O local é utilizado, freqüentemente, por cerca de 40 moradores. Além disso, há dez crianças que recebem acompanhamento pedagógico diariamente no espaço.

Outro destaque da Casa Brasil é o telecentro, com 20 computadores ligados à Internet. Eles são utilizados tanto para as aulas como também ficam disponíveis para a comunidade fazer pesquisas e consultas virtuais. Além das iniciativas tecnológicas, o projeto oferece ainda atividades em anfiteatro e auditório, voltadas ao resgate da cidadania.

Multimídia – Entre as atividades bastante procuradas pela comunidade na Casa Brasil está o Laboratório de Multimídia. Nesse caso, a pedagogia adota é no formato de Grupo de Aprendizagem Colaborativa (Gac), como explica o técnico responsável pelo setor, Leandro Abraão. “Desconstruímos a figura do professor. Passamos a aprender uns com os outros. Assim, é criado um vínculo entre o laboratório e freqüentadores”, destaca. “A comunidade tem muito potencial. Vi pessoas se transformando aqui. Crianças que estudavam pela manhã e passam agora toda tarde conosco, por livre e espontânea vontade”, acrescenta.

O laboratório oferece quatro blocos de aprendizado. Um deles é a introdução à multimídia, onde o participante aprende a gravar CD, DVD, manusear scanners e impressoras, transformar extensões de arquivos e outras atividades básicas do dia-a-dia. O segundo tópico ensinado é sobre desenho manual e quadrinização para iniciantes, com utilização do computador apenas para pesquisa ou consulta de modelos.

O terceiro bloco visto do laboratório é o desenho digital, onde são apresentadas noções de transposição do manual para o digital, diagramação, criação de cartões, logomarcas e outras ações semelhantes. O quarto módulo é o da confecção de revista em quadrinhos, elaborada eletronicamente, com tiragem virtual e impressa. Todos os trabalhos desenvolvidos têm como ferramenta os chamados ‘softwares livres’, que são de uso gratuito e o usuário pode cooperar com sugestão para aprimoramento.