Casa de Acolhida oferece apoio à moradores de rua da Capital

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Um grupo de homens e mulheres em situação de vulnerabilidade social é atendido diariamente pela Casa de Acolhida Adultos, da Prefeitura de João Pessoa (PMJP). Desde que foi criada em 2007, a Casa da Acolhida atendeu cerca de mil pessoas. Localizada na avenida Capitão João Pessoa, número 25, no bairro de Jaguaribe, a Casa tem como principal objetivo a reinserção social.

O local é de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e faz parte de uma política de inclusão social que é uma das maiores preocupações da atual administração. A coordenadora e assistente social, Soraia Oliveira Macedo, conta que quando foi inaugurada a casa atendia diariamente 19 pessoas moradoras de rua. Hoje esse número foi ampliado para 30.

“No projeto inicial, a ideia era apenas disponibilizar um local onde essas pessoas pudessem tomar banho, se alimentar e dormir. Depois de um período, percebemos que essas pessoas não poderiam ser descartadas ao amanhecer, então, pensamos em ampliar essa assistência. Hoje nós recebemos esses usuários, que permanecem aqui até que sejam reintegrados à sociedade, ao mercado de trabalho ou à suas famílias”, esclareceu.

Equipe multiprofissional – As pessoas que chegam à Casa de Acolhida são recebidas por um grupo de 15 profissionais entre educadores sociais, psicólogos, assistente social e cozinheiras. Elas recebem um kit de higiene pessoal, roupas e refeições. Muitos, após passar pelo procedimento de escuta social, são encaminhados aos auxílios sociais para a retirada de documentos, aposentadoria e assistência médica e psicológica.
“Essas pessoas chegam até nós sem nenhuma referência, com problemas de alcoolismo e drogas, doentes, sem documentos, sem saber sequer o nome do pai ou da mãe. Nós acolhemos essas pessoas e as encaminhamos para o atendimento social, médico, psicológico e jurídico. No caso das pessoas sem documentos, são encaminhadas à curadoria do cidadão”, explicou Soraia.
Os usuários também são encaminhados aos benefícios sociais como aposentadoria, ao Sistema Nacional de Emprego (SINE), ao programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e aos programas de habitação popular. Um exemplo do sucesso de todo esse trabalho é seu Clóvis da Silva, que chegou na casa doente e sem esperança e hoje é um dos educadores sociais do local.

Oportunidade – “Eu cheguei aqui fragilizado, muito fraco, e até então não sabia que estava doente. Aqui eu fui encaminhado ao tratamento médico, fiz várias cirurgias e quando melhorei voltei pra cá e passei a fazer pequenos barcos com material reciclável. As pessoas aqui gostaram e disseram que eu poderia ensinar a outros usuários a minha arte. Hoje eu sou oficineiro educador contratado pela Prefeitura e trabalho nessa casa que me acolheu. Sou muito grato a todos, minha vida hoje é muito melhor”, agradeceu.

A Casa de Acolhida também desenvolve o projetos para a geração de emprego e renda. “A intenção aqui é contribuir para que essas pessoas passem a ter uma profissão, para que ao sair daqui possam prover o seu próprio sustento. Nós estamos realizando com eles várias oficinas de artesanato e culinária. Aqui são produzidas peças de decoração, utilidade doméstica e, na oficina de culinária, os alunos aprendem a fazer geleias, doces e salgados para comercializar”, informou Soraia. “Nós estamos abertos diariamente, muitos nos procuram, outros são encaminhados pelos órgãos de assistência da Prefeitura. Se houver vagas essas pessoas são acomodadas”, explicou Soraia.

O local possui acomodações para 30 pessoas, cozinha, refeitório, cinco banheiros, sala de televisão, área externa de convivência, garagem e duas salas onde são realizadas as oficinas.

Segurança Alimentar – Inserida no Programa de Retaguarda e Acolhida da Sedes, a unidade também integra a Política de Segurança Alimentar e Nutricional implementada pela Prefeitura de João Pessoa, através de iniciativas como o Banco de Alimentos, Restaurante Popular, Cozinhas Comunitárias, Cinturão Verde, Unidades de Produção de Alimentos, além dos grupos e cooperativas de produtos alimentares.

A Casa também distribui diariamente cerca de 80 quentinhas para moradores de ruas, que por falta de vagas não são recebidos na unidade. São flanelinhas, lavadores de carros, moradores de prédios invadidos, pessoas que não têm nenhum tipo de renda. As quentinhas são distribuídas de segunda à sexta-feira, na Casa, a partir das 19h. Já no fim de semana, a distribuição é feita pelo programa Ruartes, no parque Solon de Lucena, no mesmo horário.

Assistência estendida – Além da Casa de Acolhida para Adultos, a Prefeitura de João Pessoa mantém mais cinco centros de atendimento, que realizam um trabalho semelhante. São eles: as Casas de Acolhida Masculina e Feminina, que também recebem crianças e adolescentes que vivem nas ruas, encaminhadas através do conselho tutelar; o Abrigo Morada do Betinho, que também recebe crianças e adolescentes com famílias, mas por ordem da justiça são afastadas por sofrerem violência e maus tratos; e o Abrigo Manaíra e o Centro de Formação Margarida Alves Pereira, que realizam palestras e oficinas de pintura, artesanato e dança para crianças e adolescentes, fora do horário de aula.