Cátia reencontra público em noite com Escurinho e Soraia

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“Esse é o momento com o povo nas praças. A cultura dessa cidade está em boas mãos”. Foi nesse clima de reencontro e celebração que a cantora e compositora paraibana, radicada atualmente no Rio de Janeiro, Cátia de França apresentou o show na noite desta sexta-feira dentro do projeto ‘Estação Nordeste’, na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico.

O show de Cátia de França começou em tom realmente de celebração com ‘Brinco de ouro’ e o mantra ‘Avatar’, esta última música que dá título ao primeiro CD lançado na década de 90 pelo selo Acácia. A apresentação seguiu com clássicos como ‘Rogaciano’, ‘Coito das Araras’, ‘Antoninha me leva’, ‘Vinte Palavras girando ao redor do sol’ e músicas recentes como ‘Rio Capibaribe’. Acompanhada por músicos, Cátia de França empunhando seu violão foi da toada, ao reggae, da balada aos universos literários de João Cabral de Melo Neto ao pantanal de Manoel de Barros.

A surpresa ficou por conta da inclusão no roteiro do show da música ‘meu boi surubim’, gravada originalmente em dueto antológico com a cantora Clementina de Jesus. No bis não podia faltar ‘Estilhaços’ e para encerrar como tem sido costume, Cátia de França apresentou a declaração de amor à cidade de João Pessoa composta em 1975, ‘Ponta do Seixas’ com novo arranjo, mesclando os solos de sax da versão original com a levada do violão que se aproximou no resultado final de um som ‘lounge’.

Cátia de França destacou a importância de voltar à cidade em um projeto como o ‘Estação Nordeste’, que dissemina por toda a cidade a produção local, valorizando os artistas da Paraíba. “O Estação Nordeste é uma beleza. Antes o que chamava público era trazer artistas de outros locais para os eventos, mas agora o povo está lotando as praças para ver os artistas da nossa terra. Esse é um sintoma importante que mostra o rumo que a cultura da Paraíba está tomando na direção de valorizar a arte e a nossa arte”, frisou.

Abertura – A noite de shows do ‘Estação Nordeste’ começou com a apresentação da cantora Soraia Bandeira conhecida como das mais representativas intérpretes da música paraibana nos últimos tempos. Ao lado de Mônica Melo, Fabíola Lyra e Regina Brown, Soraia Bandeira integrou nos anos 90 o time de intérpretes que aqueciam as noites de João Pessoa.

O repertório do show preparado para o público foi o mais genuinamente paraibano possível passando por composições como ‘Rés de mim’, de Paulo Ró; ‘Ancestrais’, de Milton Dornelas, e anteriormente gravada por Paulinho Ditarso; Tambor, de Chico César, e fez homenagem ao compositor Luís Ramalho. “Agradeço a todos os compositores que me permitiram que eu cantasse suas músicas. Acima de amigos, todos são excelentes compositores, que admiro”, disse.

A ‘malocage’ de Escurinho – O cantor e compositor Escurinho subiu ao palco para animar o público que já havia assistido Soraia Bandeira e Cátia de França. Com a mesclagem sonora que tem feito desde o CD ‘Labacé’ e mais apurada no disco ‘Malocage’, Escurinho provou mais uma vez que tem um público fiel aonde quer que vá. Em vários partes da Praça Antenor Navarro se formaram rodas de ciranda para marcar o passo de suas músicas.

Com os solos de guitarra e a forte percussão, o público entoava os refrões das músicas e dançava em frente ao palco. Escurinho tocou ‘Roda de maloqueiro’, ‘Usura’, vencedora do Festival de Música Popular – MPB/Sesc nos anos 90 – e o já tradicional ‘hino de despedida’ de seus shows: ‘Boa Noite’.