Centro de Reabilitação encerra comemorações de aniversário de 10 anos

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A Secretaria de Administração (Sead) realizou, na manhã desta terça-feira (08), a cerimônia de comemoração pelos dez anos do Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos (CRDQ) da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). O Centro é uma proposta pioneira no país no tratamento de servidores municipais, oferecido pela própria prefeitura com o objetivo de reintegrar os funcionários à sociedade e as suas atividades laborais com saúde e livre do uso de substâncias.

Uma palestra com o comandante geral do 5º Batalhão de Polícia Militar, tenente Coronel Souza Neto prestou esclarecimentos aos servidores presentes no auditório do Centro Administrativo Municipal (CAM) sobre o consumo de drogas. Segundo ele, a influência do grupo é determinante para que as pessoas iniciem o uso de drogas ou álcool. “Isso faz acontecer o uso experimental das substâncias. Que em seguida se torna um uso ocasional, em festas, comemorações, passa para um uso habitual, que é controlado, mas que ocorre de forma sistemática e por fim chega à dependência”, afirmou.

Segundo ele, as drogas estão penetrando em todas as classes sociais e atingindo todas as idades, principalmente as crianças e adolescentes. “A droga está indo para dentro das escolas e é um dos principais problemas da nossa sociedade”, declarou.

A secretária de Administração, Laura Farias, aproveitou o momento para afirmar que todos deveriam celebrar a saída de tantos colegas de trabalho do uso de drogas e bebidas, através do CRDQ. Ela ainda falou sobre a preocupação da gestão atual do prefeito Luciano Agra com os seus servidores, em sua política de valorização.

“Não podemos ter um olhar diferenciado com estas pessoas. São todos iguais a nós que não estamos enfrentando este problema de dependência, mas que passam por um problema e precisam de ajuda. É importante reconhecer a necessidade de uma ajuda, para que torne viável a superação do vício e nós damos total apoio através do CRDQ para que nossos servidores encontrem este caminho da recuperação”, afirmou.

A diretora de Recursos Humanos da Sead, Lílian Paiva Coelho, relembrou que o problema do álcool e drogas é um caso de saúde pública e que é importante que sejam oferecidos tratamentos. “Isso afeta não só à pessoa, mas a toda a família e comunidade em volta. No trabalho, isso corresponde a 65% dos problemas enfrentados e os usuários ficam menos produtivos. O comportamento do trabalhador e sua postura, valores morais são afetados também”, disse.

 

Por isso, segundo ela, o tratamento especializado é a principal e melhor solução para o enfrentamento. “É importante conscientizar os servidores que passam pelo problema, que eles precisam de tratamento. E o CRDQ tem tratado com muito carinho os nossos colegas, para que eles possam voltar a trabalhar com dignidade”, afirmou.

Após a palestra do tenente-coronel Souza Neto, as funcionárias do CRDQ, a assistente social Fátima Maria Gonçalves e a psicóloga, Kaline Pereira Paixão, fizeram uma apresentação do Centro, mostrando suas atividades. Segundo Kaline, o CRDQ busca levar os servidores a reassumirem suas atividades, porque a PMJP compreende que os seus servidores que estão enfrentando problemas precisam de ajuda. “Estas pessoas precisam é de ajuda e não de serem descartadas e por isso trabalhamos com esse intuito”, frisou.

Para finalizar a celebração, o servidor da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), João Albino, relatou sua experiência com o álcool e como conseguiu apoio no CRDQ para deixar a bebida e voltar a trabalhar. “Fui um fracassado, um derrotado. Cheguei ao fundo do poço, mas hoje sou um milagre vivo. Poucas pessoas atendem ao chamado da recuperação. Mas hoje estou a dois anos sóbrios e voltei às minhas atividades com mais força e determinação”, declarou.

Trabalho desenvolvido – No CRDQ, os servidores envolvidos com álcool e outras drogas são atendidos com atividades de autoajuda acompanhamento psicológico em terapias individuais e em grupo, além de oficinas de artes. Às sextas-feiras as atividades são no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Rangel, onde eles têm atendimento psiquiátrico e recebem encaminhamento para realização de exames. A equipe da CRDQ é formada pela psicóloga Kaline Pereira e assistente social Fátima Gonçalves. Além de aulas de alfabetização, ministradas por Elizete Maria e de artes, por Dadá Venceslau.

O tratamento dura, em média, um ano e, neste período, o servidor fica afastado para se tratar. Os familiares também são incluídos nesse processo e passam por acompanhamento psicológico, já que todos são impactados pelo problema. Após o tratamento o usuário permanece participando de sessões semanais na instituição.