Chico César, Silvério Pessoa e Khrystal abrem São João em JP

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A abertura da quarta edição do São João da Capital – O melhor da gente será neste sábado (21), às 21h, com shows do paraibano Chico César, o pernambucano Silvério Pessoa e a potiguar Khrystal, no Palco da Praça Antenor Navarro. No Largo de São Pedro, os grupos populares aumentam o brilho da festa, enquanto o colorido das quadrilhas juninas do grupo A, tomam conta do tablado instalado no Adro do Conventinho. A festa é uma promoção da Prefeitura Municipal (PMPJ), por intermédio da sua Fundação Cultural (Funjope). O evento prossegue até o domingo (29).

A festa começa sempre às 20h e mais uma vez vai priorizar as expressões artísticas populares nordestinas, com muito forró, xaxado, repentistas, Tenda de Cordel, folguedos e mestres dos saberes populares, além do já tradicional ‘Concurso de Quadrilhas Juninas Arraial do Varadouro’, em sua 12ª edição.

‘Francisco, Forró y Frevo’ – Neste álbum, o cantor e compositor Chico César mergulha no espírito duas principais festas populares nordestinas (carnaval e festejos juninos). O resultado é um disco alegre com o foco na força do forró e frevo. O trabalho, como o próprio artista faz referência, parece surgir no meio de elementos “brotados do chão, como mata-pasto y berduégua depois da primeira chuva. Dos bueiros do metrô, das rasas y desmedidas covas, dos quartinhos de empregada, das entradas de serviço. De zeladores de prédio acostumados à multidisciplinaridade de pilotar interfone y dar uma mãozinha com a feira da madame”. É mais ou menos nesta linhagem genética que o “Francisco, Forró y Frevo” eclode, propondo um diálogo de ritmos, que conta naturalmente com ‘bits’ universais, a exemplo do xote com o reggae, o frevo e o arrasta-pé com o ska.

O disco, composto basicamente de composições inéditas do artista, traz apenas uma regravação, a ‘Marcha da Cueca’, do já falecido e também paraibano Livardo Alves, e tem como convidados músicos da Paraíba, da Bahia e de Pernambuco, a exemplo de Armandinho e seu pau elétrico – homenageado no disco, e Spock e sua orquestra – representando a renovação do gênero pernambucano, e ainda Claudionor Germano, Dominguinhos, que empresta sua voz e sanfona na música ‘Deus me Proteja’, e Seu Jorge, que participa da canção ‘Dentro’.

Perfil – O paraibano de Catolé do Rocha, desde a sua infância, tem contato com a música, seja através da flauta doce, levada pelas freiras ou nas bandas ‘covers’. Na adolescência, com o grupo ‘Ferradura’, Chico César fez um circuito de festivais pelo Estado, em cidades como Souza, Cajazeiras, Patos e Pombal. Aos 16 anos, o músico mudou-se para João Pessoa, onde conheceu os irmãos Paulo Ró e Pedro Osmar, idealizadores do grupo Jaguaribe Carne, voltado para experimentação de linguagens.

A partir daí e com o contato com a música aleatória, a poesia concreta, o cinema novo, a poesia pornô e a música do mundo, Chico César fez várias turnês internacionais e shows pelo Brasil. Durante a sua trajetória artística, gravou os discos ‘Aos Vivos’, em 1995, ‘Cuzcuz-Clã’, em 1996, ‘Beleza Mano’, em 1997, ‘Mama Mundi’, em 2000, ‘Respeitem meus cabelos, brancos’, em 2002 e ‘de Uns tempos Pra Cá’, em 2007, além do mais recente, ‘Francisco, Forró y Frevo’, e ainda o DVD ‘Cantos e encontros de uns tempos pra cá’, em 2007.

Silvério Pessoa – O músico é natural da cidade Carpina, na zona da mata pernambucana, e traz na sua música uma forte influência da programação das rádios do interior, onde a sua mãe atuava como professora de acordeon, e sua Vó, uma freqüentadora assídua dos programas de auditório de Recife nas décadas de 40 e 50. Já a música de Silvério é uma síntese originária da mistura de canções da região interiorana, com uma sonoridade típica de movimentos musicais urbanos, como o Rock, o Hip-Hop e o Punk. Em 1994, o artista formou a banda ‘Cascabulho’, com a qual fez turnês pelo Canadá, Estados Unidos e Berlim, na Alemanha.

Após a sua passagem pela banda Cascabulho, Silvério desenvolveu um trabalho com base na música do alagoano Jacinto Silva, radicado em Caruaru, exímio cantador de coco, lançando no Brasil em 2001 o CD ‘Bate o Mancá – O Povo dos Canaviais’. No seu segundo projeto, o CD ‘Batidas Urbanas – Projeto Microbiótico do Frevo’, Silvério faz uma revisão da obra carnavalesca de Jackson do Pandeiro nas décadas de 50 e 60. Após algumas turnês pela Europa, em 2005, o artista lançou o seu terceiro CD, intitulado ‘Cabeça Elétrica, Coração Acústico’, com participações especiais de músicos como Dominguinhos, Lenine, Alceu Valença, Siba, Lula Queiroga, Zé Vicente da Paraíba e Ivanildo Vila Nova.

Khrystal – Com sete anos de carreira, a cantora Khrystal começou a se apresentar na noite, cantando hits de sua geração, sem nunca perder a via da trajetória da música popular brasileira. Nos últimos anos, mergulhou num trabalho de pesquisa no ritmo ‘Coco’ e lançou em maio passado seu primeiro trabalho, com canções de Lenine, Dominguinhos, Guinga e Jacinto Silva e ainda Elino Julião, Galvão Filho e Romildo Soares, estes últimos, artistas potiguares.