Começa montagem das obras do escultor Abelardo da Hora

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Teve início neste final de semana o processo de montagem das obras do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora. Ele abre exposição em João Pessoa nesta quarta-feira (2), às 19h, na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano Cabo Branco. São 130 obras entre esculturas, desenhos, gravuras, painéis cerâmicos e bustos. A previsão é que a montagem seja concluída nesta terça-feira (1º).

As obras estarão expostas em dois lugares. Na área externa ficarão as obras maiores e mais pesadas do artista e na parte interna as esculturas menores, como desenhos e gravuras.

A curadora da Estação Cabo Branco, a artista plástica, Lúcia França, disse que as obras maiores ficarão distribuídas nos jardins da Casa sem que haja nenhuma agressão ao meio ambiente e ao gramado. No local em que estão instaladas as obras foram preparadas bases, estilo “cobogramas”, que são ecologicamente corretas para receber essas peças.

A montagem envolve uma equipe de aproximadamente 70 pessoas do Instituto Abelardo da Hora (IABH) e servidores da Logística da Estação Cabo Branco, com apoio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). Nesta montagem (externa) foram utilizados 2 caminhões Munck´s. Na parte interna, instalada no segundo pavimento da Torre Mirante, ficarão expostas 113 obras entre esculturas em concreto e bronze; painéis cerâmicos e esculturas em pequenos formatos, bustos e relevos escultórios.

Sobre a Mostra – Trata-se da mostra individual “Amor e Solidariedade” que terá abertura oficial nesta quarta-feira (2), na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes. A mostra é uma parceria entre o Instituto Abelardo da Hora (IABH) e Estação Ciência, Cultura e Artes que trouxe para João Pessoa 130 obras do artista. O diretor executivo do IABH, Abelardo da Hora Filho, disse que além das esculturas serão expostas desenhos, gravuras, pinturas e salvas de vários momentos dele.

O público poderá conhecer peças como “A Fome e o Brado”, toda em bronze, medindo 1 metro de altura e pesando 80 quilos, da primeira exposição individual do artista. Esta escultura é um libelo com os rostos de uma família de flagelados pelas estruturas sociais em que desperta no expectador a mensagem de denúncia do artista. Outra grande obra do artista é “Hiroshima”, a peça é um libelo contra o holocausto nuclear. Na Parte inferior, corpos retorcidos, disformes, calcinados pelo calor atômico no gesto de denunciar com braços erguidos, mãos cerradas ou com dedos que apontam um mundo novo, de paz e segurança, sem a irracionalidade da guerra. Além de obras como “A Cabeça do Nego Sabino”, “As Mulheres, Menino do Pirulito, Meninos do Recife” e outras.

O diretor da Estação Cabo Branco, Fernando Abath, disse que o Amor e a Solidariedade são os mais fortes sentimentos humanos. Para ele “são esses sentimentos que invadem os nossos corações ao podermos perceber a convivência com o artista Abelardo da Hora e o conjunto de sua obra numa exposição ímpar para a Estação Cabo branco”. “O sonho que sonhamos com o Instituto Abelardo da Hora, virou uma grande realidade que brindará os paraibanos e aqueles que nos visitarem, com a possibilidade de conhecerem o acervo desse importante artista de sensibilidade incrível”, acrescentou.

O artista – Abelardo da Hora nasceu no ano de 1924. É natural de São Lourenço da Mata (PE). Formado pela Escola de Belas Artes do Recife, conviveu com nomes como Vicente do Rêgo Monteiro e Hélio Feijó. Vanguardista, foi um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife e um dos precursores da arte cinética no país. Mestre de toda uma geração de artistas pernambucanos de renome, partindo de Francisco Brennand até José Cláudio, Corbiniano Lins, Guita Scharifker, Gilvan Samico, Wellington Virgolino, entre outros.

A curadora geral da Estação Cabo Branco, a artista plástica Lúcia França, disse que Abelardo da Hora é um dos poucos escultores expressionistas de vulto em plena atividade no país. Ele foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular e o mentor da ideia básica anos antes de sua realização, calcando grande parte de sua vida no ensino gratuito de arte aos novos talentos e na integração de todas as artes em uma espécie de universidade aberta.

As obras de Abelardo da Hora estão espalhadas por todo o mundo: China, França, Estados Unidos, Suíça, Rússia, e na antiga Tchecoslováquia. No Brasil integra os acervos do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Museu do Solar do Unhão na Bahia, MASP (Coleção Pietro Maria Bardi), MAC da USP, MAMAM do Recife e em inúmeras coleções particulares. Incontáveis são as exposições – individuais e coletivas – que integrou: todos os países da Europa, Mongólia, Argentina, Canadá e EUA (incluindo individual na Biblioteca do Congresso), entre tantos, já receberam suas obras. Diversas vezes premiado em Salões de Artes Plásticas em todo o país, desde a década de 50 é Delegado em Pernambuco da Secção Brasileira da Internacional de Artes Plásticas ligada à UNESCO, além de ser um dos fundadores da ABDE em Pernambuco.

A referência bibliográfica sobre Abelardo da Hora é vasta. Vão desde as maiores enciclopédias do país (a Delta Larrousse e a Barsa) até a trabalhos importantes sobre a arte Brasileira, como o livro Expressionismo no Brasil – Heranças e Afinidades da Fundação Bienal (1985); A Coleção Arte no Brasil da Editora Abril; História Geral da Arte no Brasil, com coordenação de Walter Zanini, dentre muitos catálogos e livros nacionais e internacionais.

Abertura – A solenidade de abertura está programada para acontecer às 19h e contará com a presença de autoridades e vários artistas. O Quinteto de “Sopros Musarum” fará uma apresentação no auditório da Estação. Na área externa, no anfiteatro, se apresentam o grupo de cultura popular Nação Maracaíba. Logo após a apresentação das atrações, que recepcionará artistas e convidados, o público se dirigirá ao segundo pavimento da Torre Mirante para a solenidade oficial de abertura com a presença de autoridades.

Serviço:

EXPOSIÇÃO: ABELARDO DA HORA – 60 ANOS DE ARTE
Abertura: dia 2 de junho (quarta-feira)
Hora: 19h
Local: Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura E Artes – Altiplano Cabo Branco
Visitação pública: Até 8 de agosto.
Horários: Terça a sexta-feira das 9h às 21h, e nos sábados e domingos das 10h às 21h