Atalhos


Creches municipais oferecem segurança e estrutura a crianças de João Pessoa
18 out 12

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Casa ampla, com jardins aprazíveis, espaços de leitura e recreação, circuito psicomotor, sala de aula, sala de descanso, refeitório, banheiros e cozinha. Essa é a descrição do Centro de Referência em Educação Infantil Maria Rute, localizado no bairro do Geisel, em João Pessoa. Mantido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), o local atende 76 crianças de 2 a 5 anos de idade, em horário integral, das 7h às 17h.

Ter um lugar seguro onde deixar os filhos na hora de trabalhar é o sonho de consumo de todos os pais. Os cuidados com educação básica, higiene, alimentação e a qualidade da estrutura física são os principais itens. O Crei Maria Rute, por exemplo, é uma referência em educação e cuidados. Quem atesta é Denise Noronha, mãe de uma menina de 2 anos que já frequenta o local há nove meses. Antes disso, quando precisava trabalhar, deixava a filha sob os cuidados de um berçário particular – e confessa que tinha preconceito quando ouvia falar dos Creis, por não precisar pagar pelo serviço. “A visão preconceituosa da creche pública ainda é comum. Eu mesma acreditava que, por ser pública, havia descaso”, disse.

Denise resolveu, então, fazer um teste. “Minha filha não se adaptava ao outro local, porque eles não primavam pela qualidade do serviço, e sim pela quantidade de crianças. Ela vivia estressada”, destacou. Ao visitar o local, a mãe se encantou com o trabalho da equipe e não pensou duas vezes: matriculou a menina. Hoje, sente-se 100% segura para ir trabalhar, pois sabe que sua pequena está sendo bem cuidada. “Vi que o espaço era bom e que as professoras têm cumplicidade com as crianças. Isso é muito importante, pois vejo que minha filha evoluiu bastante”, contou.

Segundo a diretora do Crei Maria Rute, Malu Farias, o segredo é fazer o trabalho com amor. “Todos os locais têm as suas limitações, mas quando nos empenhamos em proporcionar o nosso melhor tudo funciona”, revelou. Ela acrescentou que as crianças seguem uma rotina regrada, todos os dias. “Elas chegam, tomam café, realizam atividades pedagógicas, lúdicas, recreativas, musicais e artísticas. Depois almoçam, descansam, tomam banho, brincam e se divertem”, disse.

Mais assistência – Assim como o Crei Maria Rute, outros 42 Centros de Referência em Educação Infantil são mantidos pela gestão municipal, como apoio às famílias que não têm onde deixar os filhos e também como forma de introduzir as crianças na vida escolar desde cedo. Ao todo, são atendidas 4.641 crianças de 0 a 5 anos.

A coordenadora geral dos centros, Conceição Pereira, contou que a rotina é seguida em cada local da mesma maneira, sempre acompanhada por uma equipe multiprofissional, composta de pedagogos, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais. “Nossas atividades seguem o padrão dos referenciais curriculares nacionais de ensino e as propostas da rede municipal. Há sempre um cuidado especial, porque lidamos com crianças. Elas são nossa prioridade”, afirmou.

Segundo Conceição, para conseguir uma vaga não há pré-requisito, porém, o número de vagas ainda é insuficiente para a procura. “Ainda não conseguimos suprir todas as necessidades da população, mas estamos trabalhando para isso. É mais importante oferecer um serviço de qualidade, por isso precisamos delimitar o número de vagas por unidade”, pontuou.

Ela ressaltou que o trabalho com crianças desde a idade pré-escolar deixou de ser apenas de cuidados e passou a ser, também, um problema educacional. “Para ser professor de Crei, tem que ter, no mínimo, o magistério. Realizamos a formação continuada e o acompanhamento periódico das equipes por meio de atividades de planejamento e projetos da prefeitura”, destacou.

Conceição também disse que a iniciação escolar é a base de sustentação para uma criança. Segundo ela, é nesses locais que se aprendem os primeiros passos, se trabalha a oralidade, autonomia, socialização, valores, noções de higiene, coordenação motora, noções de raciocínio lógico, entre outras. “A criança que começa os estudos aos 6 anos sem nunca ter frequenmtado uma escola é diferente daquela que começa já passando pelo Crei”, acrescentou.