Crianças com síndrome de down recebem atendimento em serviços e escolas da rede municipal

Por Thibério Rodrigues e Alexandre Quintans - em 355

Aos quatro anos de idade, o pequeno Lucas participa quatro vezes por semana de sessões de fonoaudiologia e terapia ocupacional, o que ajuda no seu desenvolvimento cognitivo e social. Ele é uma das 12 crianças com síndrome de down atendidas pelo Centro de Referência Municipal de Inclusão para Pessoas com Deficiência (CRMIPD), da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). Além do Centro, as crianças recebem todo o cuidado em outras áreas, como da Educação, que é referência na inclusão, com um atendimento educacional especializado.

Nesta quinta-feira (21), é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. A mãe de Lucas, Judivânia Dias, conta que o menino é acompanhado pelos profissionais do Centro desde os cinco meses de vida e já tem o local como uma segunda casa. “As terapias são essenciais na vida dele, para que ele possa acompanhar a evolução de uma criança de sua idade. Como mãe, eu gosto muito daqui, porque é um lugar alegre e acolhedor, tanto para meu filho, quanto pra mim”, disse a dona de casa.

Além de fonoaudiologia e terapia ocupacional, o CRMIPD oferece atendimentos em diversas especialidades que estimulam o desenvolvimento dessas crianças: fisioterapia, psicopedagogia, arteterapia, musicoterapia, educação física adaptada e atividades na piscina. Ao receber alta de uma terapia, a criança é incluída em outra especialidade do serviço para evoluir em outras áreas.

Recentemente, Lucas foi liberado das sessões de fisioterapia e em breve deve começar a participar das atividades na piscina. No momento, a maior dificuldade do menino é o desenvolvimento de sua fala. “Esta é uma dificuldade comum entre as crianças com síndrome de down, mas cada um começa a falar em seu próprio tempo”, explicou Rebeka Queiroga, fonoaudióloga do Centro.

“Nós estamos trabalhando em cima disso, investigando, realizando exames e exercícios específicos para que ele possa desenvolver melhor. No momento, ele não tem uma linguagem oral, mas tem uma linguagem expressiva, receptiva e funcional”, completou a fonoaudióloga.

Mesmo com essa dificuldade oral, Lucas estuda há dois anos numa escola da Capital, onde tem um convívio normal com outras crianças de sua faixa etária. “A escola e a família também têm muito a contribuir junto aos atendimentos especializados que são ofertados no Centro. Os três fatores precisam estar juntos para alcançar o mesmo objetivo, que é a evolução da criança. Por isso, também realizamos visitas domiciliares, quando necessário”, observou Juliana Coelho, coordenadora de Assistência Social do Centro.

Ela destaca também a importância da terapia ocupacional, na qual é trabalhado o atendimento em AVD (Atividades da Vida Diária). “Estimulamos a criança a ter hábitos necessários para sua rotina como vestir uma camisa, calçar o sapato ou escovar os dentes, porque a criança precisa ter essa autonomia”, ressaltou Juliana.

Educação – “Eu confio na escola que minha filha estuda. Confio de verdade. Ela já foi aluna da rede particular e não gostei. Não tiveram a metade da atenção que a rede pública está tendo. Estou amando. Eu pagava caro e agora está tudo melhor e de graça. Na escola da prefeitura, todos a tratam muito bem, ela desenvolveu muito, lancha toda a merenda da escola que é colocada para ela. Quando a deixo na escola, saio emocionada ao ver como ela é bem acolhida”, relatou Serley Silva Santos, mãe de Marcela Otávia, que é aluna da Escola Municipal Cantalice Leite.

Marcela Otávia tem síndrome de down e estuda na unidade de ensino há três anos. Nesta quinta-feira (21) é o Dia Internacional da Síndrome de Down e as palavras de Serley Silva mostram o compromisso que a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), tem para levar inclusão, com um atendimento educacional especializado.

“Hoje, o município vem trabalhando com muito afinco em relação a educação inclusiva, favorecendo esse ambiente que é para receber todas as crianças especiais que buscam esse serviço. Só este ano, já recebemos mais de trezentos alunos matriculados. Nossas escolas estão com profissionais cada vez mais qualificados”, explicou a coordenadora da Educação Especial da Sedec, Natália Vieira.

A cuidadora da Marcela, Maria Helena Coutinho do Nascimento, disse que o trabalho é em conjunto com a professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) nas salas de recurso. “É um trabalho em equipe. Estou com a Marcela há mais de um ano. Eu gosto muito de ser cuidadora. Temos que respeitar o espaço deles. Tento mostrar o melhor para ela. Eu amo a educação especial”, disse com emoção Maria Helena.

No início da atual gestão, a Rede Municipal possuía 73 cuidadores. Agora, esses números são seis vezes mais e chegam a 450. As salas de recursos chegam a 83.

Equoterapia – Desde o ano passado, a PMJP tem um convênio com a Associação Paraibana de Equoterapia (ASPEQ), localizada no bairro Portal do Sol, para a prática de equoterapia para crianças com deficiência, inclusive aquelas com síndrome de down. Para participar da atividade, as crianças devem ser encaminhadas pelos profissionais do CRMIPD.

“É uma terapia com cavalos e acompanhada por profissionais especializados, acrescentando muito no desenvolvimento das crianças e proporcionando reações positivas no equilíbrio, na interação social e nas formas de linguagem”, afirmou Nadja Marques, coordenadora de Saúde do Centro.

O Centro de Referência Municipal de Inclusão para Pessoa com Deficiência presta assistência a crianças e adolescentes de zero até 18 anos de idade, moradores de João Pessoa, com as mais variadas deficiências. No serviço, são desenvolvidas atividades voltadas ao tratamento precoce ou de habilitação e reabilitação para pessoas com deficiência e distúrbios de comportamento ou de aprendizagem.

O atendimento é realizado através de demanda espontânea, ou seja, o responsável pela criança pode ir diretamente ao serviço, mas é efetivado após uma triagem de avaliação, onde, de acordo com as necessidades identificadas, os usuários receberão atendimento individualizado ou em grupo, em um ou mais tipos de terapia. O CRMIPD está localizado na Avenida Otto Feio da Silveira, 161, Pedro Gondim e funciona de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

CRCPD – A PMJP também disponibiliza atendimento para crianças e adultos com síndrome de down no Centro de Reabilitação e Cuidados da Pessoa com Deficiência. No serviço, eles são acompanhados por uma equipe multidisciplinar de acordo com a necessidade de cada usuário, sendo disponibilizados atendimentos de psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem e educação física. O atendimento também é de demanda espontânea e acontece de segunda a sexta-feira, das 07h às 17h. O CRCPD funciona dentro da Policlínica Municipal Jaguaribe.

Dia Internacional – No dia 21 de março é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a inclusão e promover a discussão de alternativas para aumentar a visibilidade social das pessoas com síndrome de down.