Daniela Mercury encanta público em show no Estação Nordeste

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A noite de sábado (23) não poderia ter iniciado de melhor forma. No palco do Festival Estação Nordeste, por volta das 21h, entrava em cena o músico e cordelista Beto Brito, com toda a magia a miscigenação cultural do seu trabalho. Com sua rabeca e voz marcante, o piauiense radicado na Paraíba fez milhares de pessoas dançarem nas proximidades do busto de Tamandaré, divisa entre as praias de Cabo Branco e Tambaú. Logo após sua apresentação, veio a alegria e a “baianidade” de Daniela Mercury, num show apoteótico, consolidando o caldeirão étnico musical do projeto realizado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, sob a coordenação da Funjope.

Durante toda a noite podia-se ver o Oceano Atlântico à esquerda e, à direita, um mar de gente cantando e dançando ao som dos ritmos entoados pelos artistas. Após a apresentação de Brito, que teceu elogios ao Festival por abrir espaços para os artistas da terra, Daniela Mercury subiu ao palco com toda a sua energia. Ela cantou e encantou a todos com músicas do seu mais recente álbum Canibália, uma mestiçagem de ritmos, como ela afirmou em coletiva à imprensa.

Dentro do repertório, canções como “Oyá por Nós”, composição de Daniela Mercury e Margareth Menezes, que é uma música que traduz o sincretismo baiano e “O que é que a baiana tem”, uma mistura de twist com samba. Não faltou também o axé, o rap, o hip-hop, o funk, a salsa e o merengue e o rock , além do samba-reggae, marcas da cantora.

Além do repertório que incluía canções de grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), como o bom e velho Chico Buarque, Daniela, na sua plenitude artística, com figurino impecável e dançarinos fabulosos que mostravam a influência afro-brasileira em todo o show, relembrou, para o delírio dos fãs, velhos sucessos como “Canto da Cidade”, “O Mais Belo dos Belos”, “Swing da Cor” e Elétrica . Sobre o Festival, a baiana lembrou a importância do evento enquanto catalisador do universo cultural e turístico.

“Em muitas partes do mundo e do Brasil temos festivais como o de João Pessoa, que trás à cidade alegria, empregos, diversidade cultural, somando-se à economia ligada ao turismo. Então digo, claro, que os organizadores estão de parabéns. Fico feliz em ver meu Nordeste crescendo. Sou nordestina, vocês são nordestinos, e temos a alegria e o talento dentro das nossas raízes”, completou.

Um dos momentos marcantes do show foi um dueto entre Daniela e o cantor paraibano Chico César, que está à frente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Com um violão elétrico, os dois dividiram o palco cantando o sucesso “A Primeira Vista”, do músico natural de Catolé do Rocha, Sertão da Paraíba, sendo acompanhados por um coro de milhares de vozes.

Daniela Mercury, emocionada, relatava um diálogo que teve certa vez com Chico César perguntando o que significava uma das estrofes da música “A Primeira Vista”, mas especificamente a parte que diz: “Amarazáia zoê, záia, záia A hin hingá do hanhan….”, relatando que o músico paraibano informava que não significava “nada”, apenas música. A baiana disse no seu comentário: “Que coisa linda. Não significa ‘nada’, mas é tudo”, sendo aplaudida pela multidão.

Outro ponto empolgante do show foi a interatividade entre a cantora, seu corpo de balé e o público presente. Numa pequena “aula”, a baiana notável ensaiou passos do Kuduro, dança de origem africana, cuja marca está centrada na sensualidade e ritmo dançante. Também houve espaço para o Maculelê, dança de afro-indígena, trazida pelos escravos que no Brasil tiveram seu destino, sendo mesclada por influências dos índios que aqui viviam.