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‘Divã’ é exibido para portadores de necessidades especiais da visão

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A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes exibe nesta quarta-feira (27), às 14h, a sua terceira sessão de cinema audiodescritivo destinada para portadores de necessidades especiais da visão. O filme escolhido é o drama nacional “Divã” (2009), com Lília Cabral no papel principal, José Mayer e Reynaldo Giannecchini. As mostras inclusivas acontecem sempre nas últimas quartas-feiras do mês na Sala de Audiovisual da Estação, localizada no 2° andar da Torre Mirante. A entrada é gratuita e os acompanhantes dos portadores também têm acesso livre às sessões.

“Divã” conta a história de Mercedes (Lília Cabral). Vivendo uma vida dentro dos padrões, Mercedes é uma mulher que não tem do que reclamar: bonita, bem-sucedida, casada, mãe e muito feliz. Só que esse mar de aparente tranquilidade não resistirá a um exame mais a fundo, e uma mulher cheia de insatisfações e angústias é o que se revelará quando ela embarcar em sessões de psicanálise.

Audiodescrição – É uma ferramenta importante para a compreensão das obras audiovisuais por quem não enxerga ou tem baixa visão. Como o próprio nome diz, é o ato de descrever o que se vê na tela – só que usada nos momentos de pausa nos diálogos dos personagens (uma espécie de narrador).

Serve para situar o espectador, em palavras sucintas, sobre os cenários, as situações dos enredos e as reações dos personagens imprescindíveis para o entendimento da história. Isso poupa o deficiente visual de apelar para exercícios imaginativos que frequentemente levam a entendimentos errôneos sobre o fim de uma obra, como aponta o estudante e cantor gospel William Veras, aluno do Instituto dos Cegos de João Pessoa, que participou da última sessão, em 27 de maio: “Seria muito bom se a TV brasileira oferecesse a opção da audiodescrição para nós, que não enxergamos. Decididamente, uma possibilidade inclusiva”.

A lei – Uma lei publicada em 2011, em atendimento a uma portaria de 2006 do Ministério das Comunicações, já regulamenta a veiculação de uma cota de pelo menos 2 horas semanais de programação com audiodescrição em canais que transmitem em sinal digital. Falta só cumprir. “Se nós temos uma ferramenta que pode facilitar a vida de deficientes visuais, se ajuda na inclusão dessas pessoas na sociedade, por que não utilizá-la? É uma questão humanitária, de amor ao próximo mesmo. É mais uma luta pela igualdade que nossa sociedade vem travando há anos”, observou o estagiário e estudante do curso de jornalismo da UFPB, Vitor Pessoa, um dos coordenadores do projeto Estacine Audiodescrição, ao lado da assessora de Eventos da Estação, Ana Carla Jaqueira.

Ana Carla teve uma experiência mais pessoal que a motivou a criar o projeto, a partir de um estudo de caso que desenvolveu para conclusão do curso de Turismo. “Por volta dos 50 anos, a minha avó, que era enfermeira, sofreu um deslocamento de retina e ficou cega. Até então morávamos juntas, no interior. Após isso, nos mudamos para João Pessoa e ela começou a ser atendida pelo Instituto. Não parou de trabalhar em momento algum – inclusive morava com outra amiga cega. Este senso de independência me inspirou muito”, contou.

Deste momento em diante, para ambas um novo mundo de adaptações às dificuldades se abriu, e a consciência quanto aos direitos, para Ana Carla, é a maior arma contra os abusos: “Durante a pesquisa, percebi que muitos cegos não têm sequer conhecimento de seus direitos mais básicos, o que torna a luta muito mais árdua. Somos fiscalizadores do nosso próprio bem-estar”, finalizou.

SERVIÇO:

Projeto Estacine Audiodescrição

Filme: Divã

Dia: Quarta-feira (27)

Hora: 14h

Local: Sala de Audiovisual da Estação Cabo Branco

Entrada gratuita

CONTATO PARA IMPRENSA

Ana Carla Jaqueira – Assessora de Eventos

Fone: 8810.8547