Edson Gomes e GunJah agitam Estação Nordeste, neste sábado

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As diversas vertentes do reggae, acrescentando elementos nordestinos e boas fisgadas de protesto, vão compor o som do Festival Estação Nordeste deste sábado (17). Nesta data, se apresentam o baiano Edson Gomes e a banda paraibana GunJah, em palco montado nas areias da praia de Tambaú. A realização é do Governo Municipal, por meio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

Edson Gomes é considerado uma das principais representações do ritmo jamaicano no Brasil. O estilo passa pelo roots reggae engajado. As inspirações são Bob Marley e Jimmy Cliff. Para ele, não importa “atender ao sistema”, como costuma dizer em várias entrevistas. O músico e compositor se propõe, com mais sagacidade, a discutir os problemas sociais em letras e melodias. É assim, por exemplo, quando ele canta que “o corpo do índio tomba, o corpo do negro dança, a espada se levanta”, na música ‘500 anos’.

O repertório de Edson Gomes também passa por tons mais suaves. Algumas foram sucesso em várias rádios de todo País, a exemplo de ‘Fala só de amor’, ‘ ‘Perdido de Amor’ (gravada por Timbalada), ‘Me Abrace’.

Além de Edson Gomes, a banda GunJah também vai cingir o ritmo jamaicano. Os integrantes do grupo prometem levar ao público as principais vertentes do reggae – roots, dub e ragga. Porém, isso será feito sem esquecer os elementos regionais nordestinos e a chamada world music.

O repertório do show no Estação Nordeste 2009 vai incluir todas as músicas do primeiro CD da banda, intitulado GunJah Reggae Band. Entre elas está, por exemplo, ‘Fusquinha bege’, ‘Trilhando caminho’, ‘Sonho na Babilônia’. O álbum foi gravado no final do ano passado, pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC) e em breve chega ao mercado para distribuição. Além de composições do grupo, o trabalho possui três remix, sendo cada um deles de DJs diferentes, como Chico Correia, Guirraiz e Usina Dub.

Como comentou Zé Reinaldo Coloral (guitarra e vocal), as letras do GunJah possui temas variados. “Falamos de cotidiano, fé na vida, sobre a natureza. O show que faremos está bem direcionado na formatação do nosso CD, com repertório enxuto e bem consistente”, afirmou. “Também vamos tocar covers do reggae mundial, mas o nome dessas músicas será uma surpresa”, acrescentou.

Além de Reinaldo Coloral, o GunJah sobe ao palco neste sábado com os músicos Valery Dantas (voz, bandolim e escaleta), Geovaninni (contra-baixo e vocal), Jairo Conrado (Bateria e vocal), Leandro Leôncio (guitarra e vocal) e Max (percussão).

Edson Gomes – Ele nasceu em Cachoeira, a 120 km de Salvador. Primeiramente pensava em ser um craque de futebol. Porém, a tendência musical foi mais forte. Aos 16 anos de idade, abraçou a carreira artística, quando ficou em primeiro lugar em um festival estudantil, com a música ‘Todos devem carregar sua cruz’.

Ainda jovem, Edson Gomes abandonou os estudos e se lançou no mercado de trabalho. Em 1982, parte para São Paulo e consegue emprego no setor de construção civil. Paralelamente, tenta abrir os caminhos da carreira musical. Primeiro, grava um compacto simples, como melhor intérprete do Festival Canta Bahia. Outro trabalho também é registrado pelo Troféu Caymmi, quando ganhou com a música ‘Rasta’.

Em 1988, Edson Gomes grava o disco Reggae e Resistência. Na mesma época, sai o primeiro hit nacional, com ‘Samarina’. Doze anos depois, ele lança o segundo álbum (Recôncavo). Em 1992, chega no mercado o terceiro LP, intitulado Campo de Batalha.

O quarto disco, Resgate Fatal, chegou em 95, que emplacou a canção Isaac. Em ordem cronológica, vem ainda Apocalipse (1999); Acorde, Levante e Lute (independente, em 2001); e o primeiro CD e DVD ao vivo, gravado em um show no parque aquático Wet’n’Wild de Salvador, Bahia, em dezembro de 2005.

GunJah – O grupo nasceu da idéia dos primos Valery e Geovaninni em formar uma banda de reggae, que é o gênero musical mais ouvido por ambos. A escolha de todos os integrantes aconteceu em meados de 2002.

Os músicos do GunJah possuem variadas formações. Alguns são do curso de Educação Artística da UFPB, outros passaram pela Orquestra Sinfônica Jovem do Estado. Há ainda aqueles que aprenderam o ofício tocando na noite. Juntos, eles desenvolvem parcerias tanto em arranjos como em letras, durante o trabalho de criação e lapidação das canções.

A proposta do GunJah é divulgar o reggae como uma espécie de atitude espiritual, de protesto pacífico contra a violência, guerra, racismo e injustiça social. Nas letras das composições, estão os sentimentos de paz, harmonia e amor. Isso, para os integrantes, independe de raça, religião ou sexo.

O reggae – Nos anos 50, começa a nascer nos subúrbios da Jamaica um ritmo que mistura música folclórica local, compassos africanos, ska e calipso. Esse caldeirão chega ao ápice na década de 70, espalhando-se pelo resto do mundo. O novo estilo tem uma ginga ao mesmo tempo dançante, mas suave. A guitarra, o contrabaixo e a bateria são os instrumentos mais utilizados.

As letras das composições do reggae sempre abordam questões sociais, especialmente problemas inerentes a países pobres. Destacam-se também os assuntos religiosos. Nas origens, o ritmo recebeu uma forte influência do movimento rastafari. No Brasil, teve mais força nas regiões Norte e Nordeste. No estado do Maranhão, por exemplo, especialmente na capital São Luís, é comum a organização de festas voltadas ao gênero.