Escultura sobre obra de Ariano Suassuna é instalada na Lagoa

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O Parque Solon de Lucena, um dos mais conhecidos cartões postais de João Pessoa, ganha na sexta-feira (9), às 18 horas, um monumento em homenagem à cultura nordestina. É uma escultura em formato de ‘totem’, pensada e reproduzida pelo artista visual Miguel dos Santos, que define sua obra como “uma homenagem ao imaginário do povo paraibano e brasileiro”.

“Foram sugeridos vários locais para receber a obra. Mas, a Prefeitura optou pela lagoa do parque Solon de Lucena. Aqui há uma comunicação externa, pois o povo passa a todo o momento. Há um contato direto. É uma generosidade da administração municipal em escancarar a cidade para que pudesse receber este símbolo, uma obra dessa dimensão cultural”, observou o artista.

Há um ano ele se dedica à produção do monumento intitulado ‘A Pedra do Reino’, referência à obra do escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna. A escultura de cerca de oito metros e cinquenta centímetros foi confeccionada a partir de três elementos: concreto, aço e cerâmica. No topo, dois rostos, um voltado para a região do Sertão, que retrata Ariano Suassuna, e o outro em direção ao mar, cuja figura é a de João Suassuna, pai de Ariano e também ex-presidente da Paraíba, cargo hoje intitulado de governador.

“Essa é uma junção dos elementos de um tabuleiro. Tudo tem início em 1948, no tabuleiro de bonecos de Mestre Vitalino, em Caruaru. A partir daí, se pensou em refazer esse tabuleiro e oferecer à cidade. Esta é uma materialização da obra ‘A Pedra do Reino’, quando uma caravana adentra a cidade de Taperoá. Todos os elementos são extraídos dessa passagem”, explicou Miguel.

Ao longo do monumento aparecem outras fisionomias que simbolizam as quatro raças: negro, índio, português e o mestiço. Na sua construção, também foi utilizado o aço para a confecção de um arco com estrelas que caracteriza a coroa do Sertão. Inclusive o aço, segundo o próprio artista, é considerado a prata da região. Na parte superior, bem na base do ‘totem’, vão ficar oito peças, sendo quatro cavalos representando as estações do ano e quatro onças aladas, onde nas asas haverá pinturas de animais em processo de extinção, a exemplo de tamanduá, lobo-guará, cascavéis e carcarás.

A obra fica em cima de uma estrutura de concreto, que tem nos seus quatros lados um revestimento em cerâmica que recebeu pintura em xilogravura. Este processo é denominado de cerâmica queimada em esmalte. “As cores preto e branco são do Nordeste e símbolos do trabalho de Ariano Suassuna. É o respeito à estética do popular. Espero que o povo se veja aqui”, disse Miguel dos Santos.

Ao monumento também vai ser incorporado um projeto paisagístico, onde cactos, plantas do sertão, darão a beleza contornando a parte inferior da obra. Nos azulejos, ainda serão colocadas 500 pontas de aço de cerca de 15 centímetros, como se fossem espinhos de rosas, que serão postos entre as junções das cerâmicas. “A proposta é aguçar a imaginação das pessoas. É como se fosse uma rosa protegida por seus espinhos”, explicou.

Segundo Miguel, o local também vai ganhar uma iluminação ornamental com cerca de oito refletores, além de uma câmera de TV, que vai monitorar o local durante às 24 horas do dia. Terá ainda três placas inaugurais para o monumento. Uma será dos patrocinadores, uma da Prefeitura de João Pessoa e a outra de Miguel dos Santos e família. Esta última, com uma frase do filosofo grego Plantão: “A força do bem refugiou-se na natureza do belo”.

O monumento fica localizado no anel interno do Parque Solon de Lucena, visível por quem anda ou trafega no sentido cidade baixa, passando pela rua Padre Meira em direção à praia. A instalação está a cargo de equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra).

O homenageado – Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa e após o seu pai, João Suassuna, deixar o governo do estado, ele foi com a família para a região do Alto Sertão paraibano, morar em uma fazenda. Assassinado o pai, a família deixa a região, mudando-se para a cidade de Taperoá. Em 1938 foram para Recife. Lá, durante a faculdade, Ariano teve contato com poetas, escritores e artistas. Em 1952 começa a trabalhar em advocacia, mas logo abandona a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor. Publicou em 1970 o livro ‘O Romance d’a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta’. O livro serviu de base para uma microssérie brasileira exibida no ano de 2007 pela Rede Globo.