Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes lamenta o falecimento de Frans Krajcberg

Por Adriana Crisanto - em 703

A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes lamenta o falecimento do artista plástico Frans Kracjberg (96 anos), ocorrido nesta quarta-feira (15), na cidade do Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Samaritano e apresentava um quadro grave com várias infecções. Seu corpo será cremado e levado para o sítio Natura, no município de Viçosa (BA), onde morava em cima de uma árvore.

A diretora geral da Estação Cabo Branco, Marianne Góes, comentou que foi uma honra ter conhecido um artista de tamanha importância como Kracjberg e uma alegria levar para o público de João Pessoa uma exposição tão relevante que foi “Natureza Extrema”, que inaugurou o prédio novo (Estação das Artes), do complexo Estação Cabo Branco, e que levantava debates importantes sobre questões ambientais no mundo.

Kracjberg nasceu em Kozienice, Polônia, no dia 12 de abril de 1921. Foi oficial do Exército Soviético durante a 2ª Guerra Mundial, episódio em que perdeu toda a família nos campos de concentração nazista. Quando perguntavam sobre sua origem dizia que era naturalizado brasileiro, embora a imprensa insistisse em citar que era polonês. “Quando perdi minha família quis fugir de tudo, principalmente do homem”, disse ele em entrevista na Estação Cabo Branco.

Foi pintor, gravurista, escultor, fotógrafo, mas era conhecido por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos. Morou em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e fixou residência em cima de uma árvore no sítio Natura, no município de Viçosa, interior da Bahia, onde hoje funciona a casa Museu, que ainda está em fase de acabamento, segundo a sua galerista Marcia Barrozo do Amaral.

Ele trabalhava sozinho e um tanto assustado, pois segundo contou quando veio expor em João Pessoa, já havia sofrido cinco assaltos, em um deles levaram um cordão de ouro, a única lembrança que tinha da sua mãe. Gostava muito de fotografia, arte que se dedicava nos últimos anos

Mais de 15 mil pessoas (estudantes, turistas e público em geral) visitaram a exposição “Natureza Extrema” na Estação das Artes. De acordo com o setor de Gestão Educacional da Estação Cabo Branco, passaram pelo local 85 instituições e 3.690 estudantes da rede municipal e particular de ensino. Em apenas três meses, mais de nove mil pessoas, entre turistas e pessoenses, passaram pela exposição e assinaram os livros de visita.

Frans Kracjberg era considerado o maior escultor vivo do mundo. Era defensor da natureza e fazia campanha, por meio de sua arte, contra o desmatamento da floresta amazônica e das florestas do mundo.

“Cruz da montanha” era o significado do seu nome Frans Krajcberg. Ele era o terceiro de cinco irmãos que foram vitimados pelo nazismo. Existem hoje dois museus dedicados à obra de Krajcberg: o Espaço Cultural Frans Krajcberg, no Jardim Botânico de Curitiba, e o Museu Ecológico Frans Krajcberg, em Nova Viçosa (BA), ambos com a proposta de promover discussões sobre temas relacionados à arte contemporânea e à ecologia. Ao longo de sua vida, o artista foi reconhecido mundialmente com inúmeros prêmios, além de acumular títulos e honrarias concedidos pela força da sua obra e por sua postura humanística diante dos problemas socioambientais. O último foi conquistado em fevereiro, em Gifu, no Japão.

Krajcberg não deixa filhos de sangue, nem esposa, nem companheira, nem parentes importantes, mas deixou não só a arte órfã, mas uma legião de pessoas que admiravam sua obra e gostavam, sobretudo, do grande ser humano que souber ser aqui na terra.