Estação Cabo Branco expõe 280 cordéis de José Costa Leite

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O cordelista paraibano José Costa Leite está expondo na lojinha da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano, durante todo mês de janeiro. São aproximadamente 280 folhetos de cordéis que contam as pelejas fictícias de personagens do mundo da cantoria popular.

O artista José da Costa Leite é natural de Sapé e mora atualmente em Condado, zona da mata de Pernambuco. Dono de uma técnica apurada e de estilo muito pessoal, é de autoria dele o painel de xilogravura pintado no lado oeste do auditório da Estação Cabo Branco. A obra chama atenção de quem transita por fora do complexo. O outro painel, ‘Cavalo Marinho’, foi pintado pelos artistas plásticos Wilson Figueiredo e Percy Fragoso.

Técnica – Utilizando a sua ‘quicé’ ou caxirenguengue (uma faca velha, imprestável e/ou sem cabo) na madeira do cajá, que tem uma textura mole, sendo fácil de ser trabalhada e abundante na região nordestina – José da Costa Leite cria inúmeras xilogravuras, que ilustram as capas de seus folhetos.

Aos 80 anos de idade, o artista revela que começou a escrever poesia popular aos 20 anos de idade. De acordo com seu próprio depoimento, sua arte, além de ter sido exposta em diversos estados brasileiros, é também conhecida até na França.
Dentre as suas principais obras, destacam-se: ‘A filha que matou o pai por causa de uma pitomba’, ‘A moça que pisou Santo Antônio no pilão pra casar com o boiadeiro’, ‘A vida de João Malazarte’, ‘O Conselho da Mocidade’, entre outras. Seus dois primeiros folhetos foram Eduardo e Alzira – Uma História de Amor e Discussão de José Costa com Manuel Vicente. São os únicos que saíram sem ilustração. Eu pensava que a gráfica era quem botava as xilogravuras. Depois é que entendi como se fazia e comecei a comprar as ilustrações, explica.

Venda – É a primeira vez que o artista tem seus cordéis em exposição, pois normalmente a venda de folhetos é feita à moda antiga: José Costa Leite disse que arma sua barraca com os folhetos pendurados no cordão e, com um pequeno alto-falante, que chama de difusora, conclama o povo da feira a comprar suas obras. Faço um cordel por dia, tenho uns 300 títulos inéditos, só que não tem quem compre. O cordel tem cultura e tem arte, mas hoje não dá muito dinheiro porque o cordelista não tem apoio dos homens do governo, lamenta.

Entre os títulos que encontram-se a venda na Estação Cabo Branco: ‘O casamento de seu Lunga’, ‘A igreja do Diabo’, ‘A mulher que castrou o marido em Maceió’, ‘Mulher doida, moça quente, corno bicha e sapatão’, ‘ A mulher da coisa grande’, Eu gosto da Paraíba e adoro João Pessoa’, entre outros, imperdíveis.