Estação Cabo Branco expõe ‘Imagens Nômades’ até dia 29

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A arte contemporânea está em evidência durante todo o mês de março no segundo andar da Estação Cabo Branco com a exposição “Imagens Nômades”, reunindo instalações de nove artistas que expressam seus conceitos numa produção colaborativa entre o recuo do tradicional e as posições de vanguarda. A exposição fica aberta ao público até o próximo dia 29. O horário de visitação é de terça a sexta, das 09 às 17h, e nos fins de semana, das 10 às 18h, com entrada gratuita.

Sob a curadoria de acadêmico Roncalli Dantas, a exposição que faz parte da programação do 6º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), destaca as memórias e andanças do homem que fazendo uso das novas tecnologias ou das lembranças, torna-se nômade mesmo sem sair do lugar. “O sujeito atual está fragmentado, fluído, num composto mesclado de várias identidades contraditórias e mal-resolvidas. Essa angústia marcada por uma sensação de sobrevivência e tentar viver nas fronteiras caracteriza o momento atual de trânsito entre a identidade e a diferença, o passado e o presente, o interior e o exterior, alternando-se rumo à pluralidade dos sentidos que existe nos excessos”, justifica o curador.

A instalação “Passagem para Flaneur” de Marta Penner e Marco Aurélio Damasceno, por exemplo, expressa uma quebra de fronteiras quando leva o visitante a atravessar uma pequena ponte que é formada por azulejos de vários lugares da cidade, como os azulejos que pertenceram ao parque Sólon de Lucena.

O oposto dessa sensação é encontrada na obra de Adriano Barreto, cujos desenhos feitos em papel vegetal mostram o corpo humano amarrado, preso por pregos e alfinetes, com lentes que destacam na fisiologia, nós na garganta e estômago, dando conotação à prisões, seja ao espaço ou aos pensamentos.

Cartas de amor no tecido – Outra artista que está participando da coletiva é a paraibana Cristina Carvalho que em sua obra intitulada “1h e 43min” utilizando linha vermelha e seda branca, bordou cartas de amor de outras pessoas. A instalação utiliza alguns artifícios que demonstram o declínio das relações amorosas. No começo utiliza vermelho mais forte, as palavras são bordadas muito próximas e com o passar do tempo e ao longo do tecido as palavras vão passando para tons de vermelho mais claros até atingir o rosa, ao mesmo tempo que vão ficando mais espaçadas e o conteúdo das cartas passa de paixão à decepção amorosa. Além dos artistas já citados, estão participando da exposição Sheilla Fadja, Manoel Fernandes, Marcelo Brandão e Roncalli Dantas e Chico Dantas.