Estação Cabo Branco expõe obras de Abelardo da Hora

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Peças de vários períodos da carreira do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora poderão ser conferidas, a partir do dia 2 de junho, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, no Altiplano. A mostra intitulada “Amor e Solidariedade”, marca também os 60 anos de arte do escultor, pintor, gravador, ceramista, desenhista e escritor bastante conhecido por suas grandes obras em bronze e pedra espalhadas em várias fachadas de prédios e edifícios de João Pessoa e Recife.

Os detalhes da exposição foram definidos pelo diretor executivo Abelardo da Hora Filho, filho do artista, que esteve na Estação Cabo Branco nesta quarta-feira (19). Abelardo da Hora Filho disse que João Pessoa faz parte da quarta etapa desta exposição, que após visitar a Estação Cabo Branco segue para Paris, Milão e Bélgica. “Além das esculturas, serão expostos desenhos, gravuras e pinturas de vários momentos dele”, comentou.

Entre as obras que ficarão expostas estão ‘A Fome e o Brado’, peça em bronze que mede 1 metro de altura e pesa 80 quilos; uma escultura libelo com os rostos de uma família de flagelados pelas estruturas sociais, e ‘Hiroshima’, um protesto contra o holocausto nuclear, além de ‘A Cabeça do Nego Sabino’, ‘As Mulheres’, ‘Menino do Pirulito’ e ‘Meninos do Recife’.

O diretor da Estação Cabo Branco, Fernando Abath, disse que há tempos a casa vinha sonhando com uma exposição como a de Aberlado da Hora. De acordo com a curadora geral da Estação Cabo Branco, a artista plástica Lúcia França, Abelardo da Hora é um dos poucos escultores expressionistas de vulto em plena atividade no país. Ele foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular e o mentor da ideia básica anos antes de sua realização, calcando grande parte de sua vida no ensino gratuito de arte aos novos talentos e na integração de todas as artes em uma espécie de universidade aberta.

Artista – Abelardo da Hora nasceu em 1924. É natural de São Lourenço da Mata (PE). Formado pela Escola de Belas Artes do Recife, conviveu com nomes como Vicente do Rêgo Monteiro e Hélio Feijó. Vanguardista, foi um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife e um dos precursores da arte cinética no país. É mestre de toda uma geração de artistas pernambucanos de renome, partindo de Francisco Brennand até José Cláudio, Corbiniano Lins, Guita Scharifker, Gilvan Samico, Wellington Virgolino, entre outros.

As obras de Abelardo da Hora estão espalhadas por todo o mundo: China, França, Estados Unidos, Suíça, Rússia, e na antiga Tchecoslováquia. No Brasil integra os acervos do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Museu do Solar do Unhão na Bahia, MASP (Coleção Pietro Maria Bardi), MAC da USP, MAMAM do Recife e em inúmeras coleções particulares.

Realizou exposições individuais e coletivas em países da Europa, Mongólia, Argentina, Canadá e EUA (incluindo individual na Biblioteca do Congresso). Diversas vezes premiado em Salões de Artes Plásticas em todo o país, desde a década de 50 é Delegado em Pernambuco da Secção Brasileira da Internacional de Artes Plásticas ligada à UNESCO, além de ser um dos fundadores da ABDE em Pernambuco.

A referência bibliográfica sobre Abelardo da Hora é vasta. Vai desde as maiores enciclopédias do país (Delta Larrousse e Barsa) até a trabalhos importantes sobre a Arte Brasileira, como o livro ‘Expressionismo no Brasil – Heranças e Afinidades da Fundação Bienal’ (1985), ‘A Coleção Arte no Brasil’ da Editora Abril, ‘História Geral da Arte no Brasil’, com coordenação de Walter Zanini, dentre muitos catálogos e livros nacionais e internacionais.