Estação exibe arte de Luiz Barroso, a partir de sexta

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Após residir 14 anos na França, está de volta ao Brasil o artista plástico campinense Luiz Barroso. E nesse regresso ao País, ele foi convidado e vai montar a instalação ‘Pedras no Caminho’ como parte da exposição ‘Ciência e História através do Nautimodelismo: Navegar é preciso. Conhecer também é preciso’, que será aberta nesta sexta-feira (12), às 16h30, no 2º andar da torre da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes. A mostra fica à disposição do público até o dia 1º de março de 2009.

As inscrições rupestres na Pedra do Ingá, em 1983, podem ser consideradas o marco inicial de ‘Pedras no Caminho’ para Luiz Barroso, do ponto de vista da criação artística, quando se servindo de técnicas e diferentes suportes – pintura-acrílica sobre tela, desenhos a giz de cera e nanquim, modelagem em papel machê e com a ceramista Ângela Cirne, compartilhou um trabalho de impressão desses símbolos, em baixo relevo, sobre placas de cerâmica.

O arquiteto pernambucano Tonny Filho disse que ao ser convidado pelo artista plástico Luiz Barroso para juntos conceberem esta instalação sabia desde o início que o trabalho era de relevante importância para os dois. “Para mim, por ser minha primeira montagem cenográfica e para ele o registro do seu retorno às origens. O trabalho de Barroso com as pedras que flutuam a um primeiro olhar impressiona e nos indaga de como ser possível tal proeza”, observou.

O caminho
– As pedras são fruto da evolução de uma trajetória que se iniciou nos anos 80, quando ele resolveu trabalhar as inscrições da Pedra do Ingá e desde então o lugar tem sido o fio condutor do seu trabalho que hoje não mais utiliza as inscrições, mas o significado simbólico do seu eu sentimental a partir de pasta de papel misturada a tantos outros elementos naturais, que ganha forma, cor e textura de pedras reais que ele define como sendo o resultado da alquimia de sua arte.

A verdade é que a pedra, como elemento simbólico na trajetória artística de Barroso, exerce certa magia e o faz debruçar sobre suas origens, suas raízes; permeando o individual e o coletivo, não importa onde ele esteja: na Paraíba, em outros Estados do Brasil, na França ou no Quênia – na África, sempre partilhando seu saber criativo transformador, na construção de um mundo em situação de exclusão – crianças, adolescentes e adultos – daqui e de lá. “É também um ponto entre minha realidade – a tangível e a imaginária; é um elo que preenche os espaços vazios da vida de cada dia. É uma coluna vertebral que me mantém em forma…” acrescenta Barroso.

O processo – A matéria-prima utilizada na criação artística por Barroso é a pasta de papel. Sai da árvore e se transforma em papel, utilizado e jogado fora. Ele recicla, misturando a outros elementos da natureza; carvão, pó de café, folhas secas… Em seguida, imprime essas pedras que para o artista, representa um ato de amor, levando em conta o tempo da escolha de cada uma delas: seu peso, sua forma e a textura (característica identificante). Cada uma com sua particularidade.

“Cubro inteiramente a pedra mãe num gesto protetor. Ao dispor as pedras nesta instalação, as naturais alternadas às de papel reciclado no solo com seu peso aparente, indicando caminhos para o homem e as que são suspensas, leves e guardando a impressão digital da pedra no seu interior, representam à leveza do ser. Suspensas no espaço, elas nos lembram meteoros, desafiando a lei da natureza dos corpos, em relação com as pedras dispostas no solo, estabelecendo um diálogo entre o céu e a terra, entre a vida e a morte. A interação, esta força estranha entre o peso e a leveza”, explicou Luiz Barroso.