Evento avalia em JP o papel do município na segurança pública

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Discutir e formular alternativas para o combate à violência com foco na segurança preventiva. Este é um dos principais objetivos do seminário nacional ‘O papel do município na segurança pública’, que acontece em João Pessoa nestas quinta (13) e sexta-feira (14) no auditório do Sebrae-PB (Avenida Maranhão, Bairro dos Estados), numa promoção da Prefeitura de João Pessoa (PMJP). A abertura será nesta quinta (13), às 9h, no auditório do Sebrae.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Segurança Preventiva e Direitos Humanos (Comsedh), Rubens Pinto Lyra, é preciso se pensar em uma segurança que iniba a violência antes que ela venha a acontecer. “A cidade de João Pessoa estava carente de eventos deste porte, onde autoridades em segurança pública e a sociedade se reunissem para pensar meios efetivos de inibir a violência”, observou.

O cientista político disse ainda que é preciso se discutir um novo conceito de segurança pública que não aja de maneira repressiva e os governos precisam assumir esta responsabilidade. O evento vai reunir na Capital paraibana, estudiosos e autoridades em segurança pública e preventiva, como o coordenador executivo do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), Vicente Trevas; a secretária de Defesa Social de Diadema (SP), Regina Miki, e a coordenadora do Serviço Social do Núcleo de Ações para a Cidadania (Nial), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Miriam Krenzinger.

Serão debatidos temas como perfil da guarda municipal para a segurança preventiva, atribuições do município na segurança pública e o papel dos conselhos municipais de segurança e direitos humanos, reunindo representantes dos diversos órgãos de segurança e de justiça que atuam no âmbito do município, especialmente gestores municipais e integrantes da Policia Civil e Militar.

Problema antigo – No Brasil, a violência não é um fenômeno recente. “A sociedade brasileira tradicional, a partir de um complexo equilíbrio de hierarquia e individualismos, desenvolveu, associado a um sistema de trocas, reciprocidade na desigualdade e patronagem, o uso da violência, mais ou menos legítimo, por parte de atores sociais bem definidos”, analisa o antropólogo Gilberto Velho.

Ele entende que neste contexto, a manipulação de poder, a corrupção e o uso da força são (dentro de certos limites) aceitos, tolerados e mesmo valorizados, tendo papel fundamental na manutenção do sistema social. “Pode-se dizer que a violência foi, de certo modo, legitimada historicamente na sociedade brasileira. O panorama atual apresenta algumas características que alteram e agravam o quadro tradicional. Perdem-se referências simbólicas significativas, perdem-se expectativas elementares de convivência social”, conclui o especialista.