Evento discute cidadania e democracia em João Pessoa

Por - em 34

A lona preta que serviu de teto durante cinco anos e meio cedeu lugar à casa de alvenaria no Conjunto Habitacional Gervásio Maia. O ônibus integrado – com uma só passagem – significa economia e mais alimento na mesa. As crianças no Centro de Referência em Educação Infantil (Crei) e na escola é a senha para um futuro mais digno.

Estas mudanças no cotidiano da doméstica Valdice Romão representam perspectivas nunca por ela imaginadas. São concretizações de cidadania em habitação, transporte e educação. Setores agendados na pauta da Conferência da Cidade de João Pessoa, que acontece entre os dias 27 e 29 de novembro deste ano, com o objetivo de delinear políticas públicas que combatam as desigualdades sociais e transformem a cidade em um espaço mais humano.

A história de Valdice conta mais que um índice que mensura os indicadores sociais. É inclusão social e condução à cidadania. Para ela, aos 31 anos de idade, a vida agora tem o sentido de recomeço. Quando organiza a casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro que obteve pelo programa de habitação do Governo Municipal há dois anos, Dice – como é conhecida – tem o sentimento de estar ordenando projetos com dias cada vez melhores para toda sua família. Os cinco anos e meio vividos em condições insalubres na tenda de lona preta, no acampamento Jorge Luís (no Valentina), são parte de um tempo que prefere apagar da memória.

Reforma urbana e de sentimentos – Dentro da perspectiva da pauta a que se propõe a Conferência da Cidade de João Pessoa, as mudanças ocorridas na vida de Dice são resultado do acesso às políticas públicas implementadas pelo Governo Municipal nos últimos quatro anos. Para a secretária municipal de Planejamento (Seplan), Estelizabel Bezerra, a transformação recente por que passa a capital paraibana é a síntese de uma administração plural, que concilia o desenvolvimento urbano com os sentimentos e anseios da população.

Na cidade que tem pressa de crescer e que carrega o peso de Região Metropolitana, aproximadamente 700 mil habitantes deslocam-se, trabalham e buscam serviços de assistência básica. Ações que exigem organização, planejamento sustentável e, sobretudo, interação da estrutura urbana com sua gente que pulsa, produz e alimenta a vontade de um território mais democrático. “Temos que pensar a cidade na interação de suas necessidades urbanas e demandas dos seus habitantes. Ao consolidarmos essa função social, minimizando segregações, estamos estruturando a construção coletiva dos direitos. É isso que norteia a Conferência das Cidades e é assim que estamos agindo”, pondera Estelizabel.

Menos desigualdades, mais identidade – A missão da Conferência das Cidades, planificada pelo Governo Federal, aplica-se perfeitamente à experiência vivida por Dice. A nova morada é mais que um endereço que a insere no território da cidade, ramificando-se em uma rede de acessos como água tratada, saneamento, energia elétrica, pavimentação, escola, posto de saúde e mobilidade urbana. Como ela mesma prefere dizer, “é uma mudança total de identidade”.

A rotina da família foi transformada. A filha mais velha, Lidiane, de 12 anos, frequenta a escola a poucas quadras de onde mora. As crianças Edvaldo e Edna, com 5 e 4 anos respectivamente, estão no Crei em regime integral. Os dois nasceram no acampamento Jorge Luís e estão experimentando o exercício da cidadania protegidos pelo teto e paredes da casa nova que dá suporte à infância que tem agora a dignidade como cenário.

Políticas setoriais como habitação, educação e mobilidade urbana estão aproximando o município de João Pessoa das metas preconizadas pelo Ministério das Cidades. O déficit de 23 mil moradias já foi reduzido em 11,5% com a construção e recuperação de 5 mil casas. Em mobilidade urbana, entre os 9 milhões de passageiros/mês transportados pela frota de ônibus, 591 mil fazem uso do sistema de integração pagando um só bilhete para chegar ao destino pretendido. Na prática, são ações estruturantes como estas que estão fazendo a história de Dice ter similaridade com a de muitas Marias, Anas, Joãos e Josés que habitam cada recanto da cidade.