Feminização da Aids na Paraíba é tema de seminário na Capital

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O Centro Nordestino de Medicina Popular, com sede em Olinda, Pernambuco, realizou durante toda esta quinta-feira (19) em João Pessoa o I Seminário sobre a Feminização da Aids, que contou com aparticipação de 20 lideranças populares em saúde de muncípios do interior da Paraíba. As Secretarias de Saúde do Município (SMS) e de Políticas Públicas para as Mulheres, apoiaram a realização do evento.

O encontro foi direcionado aos trabalhadores da saúde, movimentos sociais, entre outras entidades e aconteceu na sede do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, em Jaguaribe. A solenidade de abertura contou com as presenças das secretárias de Saúde do Município, Roseana Meira, de Políticas Públicas para Mulheres, Nézia Gomes, além da chefe de Vigilância à Saúde, Júlia Vaz.

A SMS constatou que dos 45 portadores do vírus HIV confirmados em 2009, 30 eram mulheres e 15 homens. “A partir desse dado, vimos a necessidade de ampliar as políticas públicas para trabalhar essa questão, ampliando o debate com a sociedade e com as mulheres, pois a cada dois casos de DST/Aids para homens, um é para mulher e 50% dos casos são de donas de casa, que contraem a doença com seus companheiros. A partir dessa constatação, é preciso que se faça a discussão sobre a prevenção, fazendo relação com a violência que elas enfrentam dentro de suas casas”, explicou a secretária de Saúde.

Roseana Meira destacou ainda as políticas que têm sido desenvolvidas pelo Município, como a implantação de Testagem para o citomegalovírus; descentralização de testes rápidos para o HIV; apoio de 100% das visitas educativas para profissionais do sexo, lésbicas, gays, grupos de terreiros e travestis; apoio ao Encontro Estadual das Cidadãs Positivas, além da implantação do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Jaguaribe, que até julho deste ano já realizou 33 mil atendimentos e 60.489 mil exames. “O CTA conta com laboratório, cinco salas para acolhimento, farmácia, consultório, além de uma biblioteca e academia de ginástica, que é utilizada para minimizar os efeitos da lipodistrofia, causado com o uso contínuo dos coquetéis”, lembrou.

De acordo com a secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Nézia Gomes, trazer essa temática é importante principalmente porque os dados mostram um número crescente de mulheres com a doença. “Nos últimos 12 anos, triplicou os casos de Aids em mulheres acima de 50 anos. Essas mulheres são casadas e na ilusão da fidelidade do matrimônio e por imposição de seus companheiros não usam preservativos, contraindo assim a doença. A secretaria de Mulheres tem trabalhado em parceria com a secretaria de Saúde e quando chega um caso até nós, imediatamente encaminhamos ao CTA. A secretaria também tem buscado a inserção dessas mulheres em outras políticas como a de habitação”, frisou.