Grupo Tarancón encerra Festival Música do Mundo, na terça-feira

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No encerramento do Festival Música do Mundo, no dia 30, sobe ao palco instalado no Busto de Tamandaré, o Grupo Tarancón, considerado o maior divulgador da música latino-americana no Brasil e que ficou conhecido no Festival dos Festivais da Rede Globo, em 1985, com a canção ‘Mira ira’. Dentro da programação da noite, às 19h, haverá a apresentação da Camerata Arte Mulher, que começa o show de músicas clássicas com suas 13 musicistas, todas de formação erudita. Compõem a orquestra seis violinos, duas violas, dois violoncelos, um contrabaixo, uma harpa e uma percussão.

O Festival Música do Mundo, em sua quarta edição, teve início na sexta-feira (26), trazendo exclusivamente o melhor da música instrumental. Se apresentaram no palco da praia, grandes atrações, entre elas Banda Aguaúna, Orquestra de Violões, Léo Meira, Banda 5 de Agosto, Vinícius de Lucena, Grupo Uirapuru, Paraibass, Grupo Oitavando e o Grupo de Percussão do Nordeste.

O show ‘Tarancón 35 anos’, que será apresentado em João Pessoa, resgata a trajetória do grupo, trazendo o melhor de seus nove discos, além de músicas que farão parte do novo cd. Para animar a platéia com músicas latino-americanas, os integrantes Emílio de Angeles, Jorge Miranda, Enan Racan, Ademar Farinha e Cláudia Lemos utilizarão instrumentos como a zampona (flauta de pan de bambu); quena (flauta de bambu); charango (pequeno instrumento de corda), tarka (flauta de madeira em forma de totem; moceño (faluta-baixo de bambu); bombo leguero (bumbo de couro de ovelha); quatro venezuelano (cordas); viola caipira, violão e baixo elétrico.

No repertório que será apresentado no encerramento do Música do Mundo, o Grupo Tarancón apresentará as músicas ‘Paisaje de nieve’ (Bolívia), ‘Lo único que tengo’ (Chile), ‘Promessas do Sol’ (Brasil), ‘Urubamba’ (Peru), ‘Bosquita de cereza’ (Argentina), ‘A rosa – folclore do Piauí’ (Brasil), dentre outras canções.

História – O Grupo Tarancón iniciou sua trajetória nos anos 70, em meio à efervescência da época, que trazia o paradoxo do sonho de liberdade vindo dos anos 60 e a realidade da violência da ditadura política dos chamados ‘anos de chumbo’ e isso se refletiu claramente no trabalho do grupo. Foi o primeiro na pesquisa e divulgação folclórica e popular latino-americana, trazendo desde o início uma preocupação com a diversidade cultural, interpretando ritmos da Bolívia, Chile, Peru, Venezuela, Argentina, dentre outros.

Um dos primeiros grupos a ter seu próprio selo, gravou nove discos, lançados no Brasil e em outros países da América Latina, como Chile e Argentina. O Grupo dividiu espetáculos com Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Chico Buarque, Almir Sater, MPB4, Angel Parra e Marlui Miranda.

Camerata Arte Mulher – Com pouco mais de dois anos de formação, o grupo que é feminino na essência, encontrou na mistura de sons a harmonia singular entre o popular e erudito. No repertório, que promete emocionar o público, fará uma fusão das obras de grandes nomes da música. Partindo da sonoridade nordestina do maestro Sivuca até o tango de Astor Piazzola, as 13 integrantes da Camerata não poderiam deixar de explorar as canções de Chiquinha Gonzaga, Cátia de França e Glorinha Gadelha. Tchaikovsky e Villa Lobos também farão parte da viagem musical.

A arpista e integrante grupo, Mônica Cury, explicou que a criação do projeto só foi possível a partir do apoio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres (CPPM). Na época, Estelizabel Bezerra ainda estava à frente daquele órgão e, como agradecimento, hoje ela é a madrinha Camerata Arte Mulher. “Somos muito gratas ao apoio da Prefeitura e a Estelizabel, por terem acreditado no nosso potencial”, observou Mônica.