Homenagens ao Dia do Agente de limpeza prosseguem nesta 6ª feira

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Para dar continuidade as comemorações do ‘Dia do Agente de Limpeza’, iniciadas na quarta-feira (12), a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) realiza nesta sexta-feira (14), das 13h às 17h, no pátio da sede da Emlur, no Bairro dos Estados, atendimento de saúde e beleza para os agentes de limpeza. A data oficial é no sábado (16).

Ao longo do dia serão oferecidos serviços de verificação de pressão, glicemia, teste rápido de HIV, imunização contra o tétano e a influenza comum, orientação nutricional e coleta de citológico. Também serão realizados cortes de cabelo e a distribuição de kit de higiene bucal. No domingo (23), acontece a festa em homenagem aos profissionais. A celebração será realizada no Centro Administrativo Municipal (CAM) a partir das 8h.

O superintendente da Emlur, Deusdete Queiroga Filho, disse que as atividades programadas pela Autarquia para comemorar o Dia dos Agentes de Limpeza tem como objetivo valorizar e reconhecer o trabalho importante que esses profissionais realizam diariamente na cidade Queremos valorizar esses homens e mulheres, agentes de limpeza, que passam o dia varrendo, catando, enfim limpando a nossa cidade e nem sempre são reconhecidos na sua profissão, disse.

Luta contra o preconceito – Atualmente, no quadro da Autarquia existem aproximadamente 600 agentes que trabalham na limpeza de ruas, rios, mercados, bueiros e galerias, além dos serviços de varrição, roço, capinação, pintura de meio-fio e retirada de entulho jogados indevidamente em terrenos e vias públicas. Apesar de extremamente necessária, a profissão de agentes de limpeza é considerada uma das que mais são socialmente marginalizadas. A coordenadora da Divisão de Bem-Estar Social da Emlur (Dibes), Aparecida Pontes, revela que já presenciou muitos casos de discriminação contra agentes de limpeza. “Esses profissionais pertencem a uma categoria que sofre muito preconceito social por causa de seu trabalho”, afirmou.

Clodoaldo da Silva Neves, agente de limpeza da Administração Jaguaribe, trabalha há mais de 20 anos na Autarquia e já sofreu preconceito por causa do seu trabalho, até dos amigos mais próximos. “Antigamente, meus amigos e vizinhos me chamavam de cenoura por causa da cor da antiga farda da Emlur, que era amarela. Eles se afastaram e deixaram de falar comigo porque achavam que eu fazia um trabalho sujo. Hoje em dia, são eles que estão procurando emprego e até me perguntam se tem como arrumar algum serviço na Emlur para eles. Agora, acho que eles têm mais respeito pela farda da Emlur”, contou o agente de limpeza.

Outro caso que ele lembra foi o de uma criança que o chamou de nojento enquanto ele fazia o trabalho de limpeza no Mercado do Rangel. “As crianças é que costumam ter mais preconceito, porque falam o que querem e acham nojento o que costumamos recolher na feira. Certa vez, ouvi uma criança dizer que estava com nojo e a mãe explicou que o trabalho de agente de limpeza é um trabalho digno e necessário”.

Apesar do preconceito, Clodoaldo da Silva gosta de ser um agente de limpeza e trabalha ativamente não só na limpeza urbana como também na conscientização das pessoas com relação ao lixo. “Sempre que faço meu serviço no mercado, eu falo com os feirantes, lembrando a eles para colocarem o lixo dentro de sacos plásticos, em papeleiras. É minha responsabilidade como agente de limpeza fazer isso”, explicou.

Orgulho da profissão – A agente de limpeza Maria Pinheiro da Silva, da Administração Beira-Rio, diz não dar importância a comentários negativos acerca de sua profissão. “Não ligo para o que as pessoas pensam, pois tudo o que tenho vem do meu trabalho. Não vou negar o que sou, por isso, conto a todos que sou agente de limpeza e me sinto muito feliz por isso”, afirmou.

Apesar de ter orgulho da profissão a que se dedica há 21 anos, já sofreu com a discriminação por causa da sua função. “Sempre estou realizando a limpeza nas ruas e já aconteceu de pedir água nas casas. Quando não oferecem água da torneira do jardim, entregam a água em copos de plástico, descartáveis. Certa vez, pedi um copo d’água e a dona da casa me trouxe num copo de vidro. Quando terminei de beber e fui devolver, ela me disse que eu poderia levar o copo”, relatou a agente. Ela conta também que certa vez foi convidada para festa, mas a dona da casa fez uma exigência: que ela não falasse para ninguém que era agente de limpeza. Dona Maria Pinheiro mandou um recado para a aniversariante: “Não vou pra festa, pois se não posso dizer que sou agente de limpeza e trabalho na Emlur, também não vou poder comprar o presente com o dinheiro que ganho honestamente na minha empresa”.