João Pessoa oferece bem-estar com oportunidades de negócios

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Para viver bem não é preciso morar na praia. Segundo o Monitoramento Contínuo da Qualidade de Vida Urbana em João Pessoa (2004-2008), desenvolvido pelo Laboratório do Ambiente Urbano e Edificado, da Universidade Federal da Paraíba (Laurbe/UFPB), é preciso estar em uma ‘região de oportunidades’. É nisso que a Capital está se transformando para muitos dos seus moradores. O bairro de Tambiá – mesmo longe do mar – é o primeiro do ranking e até mesmo as localidades consideradas com baixo Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU ou IQU) – como São José, Alto Mateus e Mussuré – estão melhores para se viver, segundo o estudo.

O pesquisador Edson Ribeiro Leite explicou que o IQVU é um indicador que considera principalmente as oportunidades, os serviços e o ambiente oferecido pelo contexto urbano. “No nosso método, a gente considera quatro grandes grupos: Habitação, Facilidades Urbanas (infraestrutura, equipamentos e serviços urbanos), Acessibilidades urbanas (proximidades de ofertas de bens e serviços no meio urbano, articulação entre a diversidade de usos do solo, qualidade de transportes) e Ambiência urbana (ambiente físico e social). Contrariamente ao que a mídia ou o mercado propaga, todos os estudos sobre qualidade de vida urbana (nas diferentes metodologias) tem um resultado comum: os bairros centrais e pericentrais têm excelentes níveis de qualidade de vida urbana”, afirmou.

Melhorou – A primeira pesquisa do professor sobre qualidade de vida urbana foi em 2004. No ano passado, através de um convênio entre a UFPB e a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), foi feita a atualização da pesquisa. “Ficou claro uma melhoria de qualidade neste período e esta melhoria foi, proporcionalmente, maior nos bairros mais pobres e periféricos. É um bom resultado. Embora tenha que se considerar que a tendência histórica de crescimento muito espalhado da cidade, gera áreas de grande carência periférica e que, à medida que se pode prover alguma infraestrutura, equipamentos, serviços e acessibilidades, além de outros fatores, se verifica uma elevação do IQVU”, destacou.

A construção de uma praça parece ser uma coisa simples, mas – segundo o pesquisador – aumenta bem a qualidade de vida de uma comunidade. “Uma praça representa a melhoria de indicadores em vários pontos: ambiental, da disponibilidade de áreas de lazer, da sociabilização comunitária, da qualidade da paisagem do bairro, da polarização e desenvolvimento de centralidades de bairro e a da oferta de bens e serviços, bem como a facilitação da acessibilidade. Neste sentido, é uma das realizações de maior relação benefício/custo para uma comunidade”, avaliou.

Controle maior – Ele disse que o crescimento desordenado da cidade nas últimas décadas criou “carências”, que dependem do gestor para serem corrigidas. “Um gestor comprometido com a qualidade de vida de sua população realmente consegue uma sensível melhora. Acho que a atual gestão municipal tem conseguido muitos êxitos neste sentido e estes resultados aparecem claramente em vários indicadores urbanos. Um controle maior sobre os investimentos privados no urbano, priorizando os investimentos privados mais harmônicos e estruturadores e restringindo os investimentos especulativos, seria uma boa ação, que viria viabilizar um crescimento ainda mais rápido da qualidade de vida urbana e sua distribuição espacial”, opinou. O IQVU varia de 0 a 1,0, sendo que um índice de 0 a 0,499 é considerado baixo; de 0,500 a 0,799 é médio e de 0,800 a 1,0 é alto.

Comparando as duas pesquisas (2004 e 2008), observa-se que o número de bairros urbanos considerados de alto IQVU passou de sete (Tambiá, Centro, Estados, Tambaú, Pedro Gondim, Brisamar/Jardim Luna e Cabo Branco) para nove bairros (entraram Anatólia e Manaíra), de 11,7% para 15,0%. Mas, a maior evolução observada foi na ascensão de bairros de baixo para médio IQU. Ao todo foi um total de 14 bairros, um aumento de 44%, que alterou positivamente a geografia da qualidade urbana de João Pessoa. No geral, o índice de qualidade de vida na Capital saltou de 0,526 para 0,605, sendo considerado médio. Isso mostra que, no conjunto, ainda resta um longo caminho a percorrer para que todos os bairros ofereçam um alto nível de qualidade de vida a seus habitantes.