João Pessoa tem 52 pequenos produtores familiares orgânicos

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A agricultura orgânica é fonte de renda na Paraíba para 1,5 mil produtores familiares que trabalham em uma área aproximada de 600 hectares de terra. Em João Pessoa apenas a Prohort (Associação dos Produtores Agroecológicos de João Pessoa), criada com o incentivo do Cinturão Verde, reúne 52 pequenos produtores da zona rural e da Região Metropolitana. Juntos, os produtores comercializam cerca de 1,5 toneladas de hortifrutigranjeiros em duas feiras agroecológicas. Os dados são do superintendente do Ministério da Agricultura no Estado, Hermes Ferreira Barbosa, que abriu nesta segunda-feira (25), em João Pessoa, a 5ª Semana dos Alimentos Orgânicos.

O evento está sendo realizado simultaneamente em todos os estados do país e conta com o apoio de empresas privadas e de iniciativas públicas de incentivo à agricultura familiar, entre elas, o Cinturão Verde, linha de crédito especial do programa Empreender-JP, da Prefeitura da capital.

Além dos representantes do Ministério da Agricultura, participaram da abertura da 5ª Semana dos Alimentos Orgânicos o prefeito da capital, Ricardo Coutinho; o coordenador do programa Cinturão Verde, Roberto Vital, e o secretário Estadual do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca, Rui Bezerra Cavalcanti Júnior. Após a solenidade, os presentes puderam conferir a feira de produtos organizada pela Prohort, com amostra de frutas, verduras e legumes produzidos sem agrotóxico.

Durante o evento, o prefeito Ricardo Coutinho lembrou que a ciência relaciona o aumento no número de casos de câncer no mundo ao consumo exagerado de agrotóxicos. Na opinião dele, a atividade agroecológia não só é viável economicamente, como é um processo fundamental no desenvolvimento da agricultura e da sociedade.

De acordo com o coordenador da Comissão da Produção Orgânica na Paraíba, representando o Ministério da Agricultura, Virgínio Carneiro Silva, existem atualmente 26 feiras agroecológicas distribuídas pelos municípios do Estado, o dobro do que havia apenas três anos atrás. Esses espaços de comercialização reúnem em torno de 450 feirantes, todos agricultores que aboliram os agrotóxicos das suas produções.

As feiras funcionam uma vez por semana e cada uma delas movimenta, em média, uma tonelada de produtos por dia, o que corresponde a 104 toneladas de alimentos orgânicos sendo comercializadas por mês na Paraíba.

De acordo com o secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável da Produção de João Pessoa (Sedesp), Raimundo Nunes, na capital, apenas a Prohort (Associação dos Produtores Agroecológicos de João Pessoa), criada com o incentivo do Cinturão Verde, reúne 52 pequenos produtores da zona rural do município e da Região Metropolitana, que vendem os produtos em duas feiras agroecológicas: a da Praça da Paz (bairro dos Bancários), às sextas-feiras, e a do Valentina, aos sábados. A quantidade de produtos comercializados em João Pessoa está um pouco acima da média estadual e chega a 1,5 toneladas por dia, segundo o coordenador do programa Cinturão Verde, Roberto Vital.
Estímulo ao consumo – De acordo com Hermes Ferreira, superintendente do Ministério da Agricultura na Paraíba, o principal objetivo da Semana dos Alimentos Orgânicos é divulgar a importância desse tipo de produto para a saúde do consumidor, do produtor e do meio ambiente.

Ele afirma que o interesse pelos produtos agroecológicos cresceu muito nos últimos anos e que hoje a demanda é muito superior à oferta, o que faz deste um excelente nicho de mercado. “Queremos divulgar isso para o produtor, para despertar o interesse deles em também participar”, explica.

O coordenador da Comissão da Produção Orgânica do Estado, Virgínio Carneiro, complementa afirmando que esse tipo de produção desperta no agricultor a consciência de que ele também é responsável pela saúde do consumidor e do meio ambiente.

“Estou vendendo saúde” – Há cinco anos, José Roberto Batista deixou de ser trabalhador rural para virar produtor de orgânicos. Integrante da Prohort desde a fundação, em 2005, ele conta que a renda mensal da família aumentou de um para três salários mínimos. Mas a satisfação com a nova atividade não parou no retorno financeiro. “Hoje eu me sinto vendendo saúde para as pessoas. Estou produzindo alimentos sem veneno”, comenta. Ao mesmo tempo, ele não esconde a tristeza ao contar que os consumidores ainda são relutantes em adquirir produtos orgânicos por causa do preço. “O custo da produção é maior, as pragas atacam mais e a gente não pode usar agrotóxico. Mesmo assim somos obrigados a botar o preço igual ao dos produtos tradicionais”.

O custo maior da produção é confirmado pelo agricultor José Tomas Nascimento. “A macaxeira, por exemplo, eu produzia em maior quantidade com agrotóxico”, afirma. Mas ele não se arrepende da mudança para o método natural de combate às pragas. “Minha renda aumentou uns 20% a 30%”, revela.  
Programação da 5ª Semana dos Alimentos Orgânicos em João Pessoa

26 a 28/05 – TERÇA a QUINTA (dia todo) – Curso de BPM (Boas práticas de manipulação e aproveitamento culinário das sobras agroecológicas)
Local: Banco de Alimentos da Prefeitura, antigo depósito da Antarctica.
Público alvo: Mulheres que participam das feiras agroecológicas
 
27/05 – QUARTA – Treinamento prático em Agroecologia
Local: Engenho Velho – Associação Agrícola
Público alvo: Agricultores parceiros da Prohort
 
28/05 – QUINTA – Palestra sobre alimentos orgânicos
Ministrante: Nilton Novaes
Local: Escola Municipal de Ensino Fundamental Leonel Brizola
Público alvo: Alunos da 9ª série
 
29/05 – SEXTA – Café da manhã na Feira Agroecológica, distribuição de brindes (bolsas e camisas)
Local: Praça da Paz – Bancários
Público alvo: Consumidores, feirantes