João Pessoa vai ampliar ensino de Robótica para 25 mil alunos

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A implantação do projeto de Robótica Pedagógica nas escolas da Capital vem aguçando a percepção e auxiliando na aprendizagem dos alunos da rede municipal de ensino, ao longo de quase três anos. A iniciativa é da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), através da Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC). A previsão é de que até outubro esse instrumento educacional seja aplicado em 50 colégios, beneficiando mais de 25 mil estudantes. Atualmente, nove unidades fazem parte do projeto e cerca de 4,5 mil alunos são atendidos.

O aumento no índice de aprendizagem dos alunos, segundo a diretora de Informática Educativa da Sedec, Daniele Dias, é comprovado através de relatórios periódicos feitos pelos diretores e professores. “A partir da Robótica Pedagógica, os alunos estão se envolvendo mais nas atividades e dessa forma são estimulados para a aprendizagem. São relatos de melhora na participação, relação com o professor e compreensão. Temos casos que antes os professores levavam três semanas para apresentar um assunto e hoje isso é feito em duas”, explicou.

A Escola Aruanda, no bairro dos Bancários, foi uma das primeiras unidades de ensino a fazer parte do projeto. A diretora do colégio, professora Abigail de Meneses Sá Braga, disse que a Robótica Pedagógica tem sido um importante instrumento por atrair e motivar o aprendizado dos conteúdos vistos em sala de aula. “Ela é um atrativo que fomenta a criatividade da criança e desperta o interesse. É uma nova linguagem de estudar e de trabalhar conteúdos”, revelou Abigail, ressaltando que “com essa ferramenta o aluno passa a compreender melhor as matérias, porque se sente motivado”.

A diretora ainda revelou que mesmo os alunos que participaram do projeto de Robótica Pedagógica no ensino fundamental I e que agora já estão no ensino fundamental II e não têm mais a atividade, o interesse nas aulas da grade curricular permanece e o nível de aprendizado é mantido. “No momento que o estudante descobre que um determinado conhecimento é importante para a vida dele, ele nunca mais vai perder de vista o interesse. Mesmo não trabalhando com a robótica, percebemos que os alunos continuam instigados, motivados a continuar estudando”, disse.

Marlon Vinícios, aluno do 5º ano do ensino fundamental I, é um dos estudantes que têm aula de robótica desde o ano passado. Para ele, estudar Ciências e aplicar o conteúdo visto em sala de aula na montagem de um robô ajudou a entender e a gostar mais da disciplina. “Ano passado montei um robô em um projeto sobre o Sistema Solar. A partir do robô passei a gostar mais da matéria e minhas notas melhoraram. Antes eu tirava 6,0 e hoje 8,0”, contou o garoto.

Já para Alan Cristian, que também faz o 5º ano, montar um robô deixou as aulas mais interessantes. “O meu robô foi sobre a natureza, como projeto de Português. Como sempre gostei da matéria mantive minhas notas, mas as aulas ficaram mais interessantes”, revelou Alan.

Treinamento – Para as aulas de robótica, os professores das escolas municipais passam por capacitação, junto com monitores de Informática que darão o apoio necessário durante as aulas. Segundo a coordenadora do projeto Robótica Pedagógica da PETE, empresa responsável pelos equipamentos utilizados e pela implantação do projeto,Waldívia Rodrigues, o treinamento dos professores da escola contemplada é feito em uma semana.

“Primeiro eles conhecem o que é robótica, depois vêem o detalhamento do kit (material de trabalho) para então aplicarem o que aprenderam em um projeto, que será o mesmo utilizado com os alunos em sala de aula, sempre dentro do conteúdo da disciplina do professor”, explicou. Para auxiliar e desenvolver projetos junto com a escola e o professor, a PETE disponibiliza um consultor.

Aulas – Para as aulas de robótica cada escola recebe kits que são compostos por uma central de programação, seis pares de sensores (som, luz, movimento e toque) e módulos de vários tamanhos que montados formarão os robôs, além de ferramentas e apostilas, que são repassadas para os alunos. Para a ampliação do projeto de Robótica Pedagógica foram investidos R$ 2.635,700 na aquisição de 607 kits e 25 mil apostilas.

Segundo a professora Givanelda Nicolau Diniz, do ensino fundamental I, que usa a Robótica Pedagógica há quase três anos, para uma aula o docente primeiro define o assunto que será explorado e apresenta para os alunos. Feito isso, os meninos e meninas vão pesquisar nos livros e na internet sobre o assunto, para então começar a elaboração dos robôs. “Tudo é feito com os livros que usamos em sala de aula. O único diferencial é a apostila, que orienta como montar o robô”, disse.

Givanelda Diniz afirmou que a robótica melhora na aprendizagem e desempenho dos estudantes é facilmente percebido. “Mesmo quando escolhemos trabalhar com uma determinada disciplina não deixamos as outras de lado. Se meu projeto é de Ciências, os alunos pesquisam muitos textos, neste ponto trabalhamos Português, por exemplo. Tudo isso faz com que as notas melhorem”, analisou.