Lô Borges, Tocaia e Dida Fialho no Estação Nordeste

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A Praça Antenor Navarro, um dos locais onde irá acontecer o projeto ‘Estação Nordeste’, recebe no próximo dia 11, a partir das 20h, o cantor mineiro Lô Borges, o grupo ‘Tocaia da Paraíba’ e ainda Dida Fialho (PB). O projeto, que pretende esquentar o verão de João Pessoa com diversos estilos musicais, acontece de 4 a 25 deste mês.

Além do Busto de Tamandaré, entre as praias de Tambaú e Cabo Branco, os shows serão realizados nas praças Antenor Navarro (Centro Histórico), Coqueiral (Mangabeira), da Paz (Bancários) e do Caju (Bessa).

No Estação Nordeste, Lô Borges fará um show com músicas inéditas realizadas com os parceiros já consagrados – Márcio Borges, Chico Amaral e César Maurício, composições que estão no CD ‘Bandha’, seu mais recente trabalho. Sócio-fundador do lendário Clube da Esquina, no início dos anos 70, que revelou nomes como Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e Flávio Venturini, Lô Borges completou 35 anos de carreira com público e sucesso renovados.

A banda que vai acompanhá-lo é a mesma que participou da gravação de ‘Bandha’, formada por importantes músicos e amigos de longa data do compositor, como Giuliano Fernandes (guitarras e sitar), Renato Valente (baixo), Robinson Matos (bateria) e Gerson Barral (teclados e synths).

Trajetória – Ele iniciou sua carreira de cantor e compositor na década de 1970 com 19 anos, lançando com Milton Nascimento a canção e o albúm duplo ‘Clube da Esquina’. O disco contou com a participação de músicos como Eumir Deodato, Toninho Horta, Wagner Tiso, Naná Vasconcelos, Beto Guedes, entre outros, tornando-se referência importante para os estudiosos da música contemporânea brasileira. Esse trabalho abriu caminho para Lô assumir sua carreira solo influenciada pelos ‘Beatles’ e todo movimento pop até João Gilberto.

Como compositor, teve suas canções gravadas por grandes intérpretes da MPB como Milton Nascimento (‘Para Lennon e McCartney’, entre outras); Simone (‘Tudo que você podia ser’ e ‘Nenhum mistério’); Nana Caymmi (‘Clube da Esquina 1’ e ‘2’ e ‘Nuvem cigana’), Gal Costa (‘Sonho real’), Elba Ramalho (‘Paisagem da janela’), Elis Regina (‘Para Lennon e McCartney’ e ‘Trem azul’), Ney Matogrosso (‘Tudo que você podia ser’), Boca Livre (‘Nuvem cigana’). A canção ‘Trem azul’ foi gravada por Tom Jobim em 1990 e regravada em 1994, numa versão em inglês feita pelo próprio Tom no disco ‘Antônio Carlos Brasileiro Jobim’.

Pelo mundo – Fora do Brasil, Lô Borges teve seu trabalho de compositor reconhecido na Europa e suas canções foram gravadas por intérpretes como a espanhola Ana Belen, a portuguesa Eugênia Melo e Castro, entre outros. Nos Estados Unidos, onde já se apresentou várias vezes, ele é considerado um dos principais compositores do ‘Clube da Esquina’ e suas músicas foram incluídas em trabalhos como ‘Brasil Classics I’, ‘Beleza Tropical’, primeira coletânea de música brasileira elaborada por David Byrne (‘Talking Heads’).

Recentemente, o artista mineiro esteve no Japão para uma turnê de dez apresentações, onde encontrou um público conhecedor de seu trabalho, estando seus discos em catálogos, com letras traduzidas para o japonês. Participou também de um programa sobre a Bossa Nova com cantores japoneses para a rede estatal NHK como convidado especial, interpretando a música ‘Desafinado’, acompanhado pela orquestra da emissora.

Parcerias – No CD ‘Meu filme’, lançado no segundo semestre de 1996, Lô traz parcerias inéditas com Caetano Veloso e Chico Amaral e participações de Marcos Suzano, da Oficina Instrumental UAKTI e Milton Nascimento. Em 1999, ele se uniu a Samuel Rosa (‘Skank’) para a montagem de um show inédito em que se misturou o repertório do ‘Clube da Esquina’ ao repertório da banda de rock. Em 2001 lançou o CD ‘Feira moderna’, incluindo canções que ainda não havia gravado como ‘Feira moderna’, ‘A página do relâmpago elétrico’ e ‘Fé cega faca amolada’.

Dida Fialho
– O artista paraibano participou em 1975 da primeira coletiva de música com o grupo ‘Ave Viola’, tendo neste mesmo ano gravado o disco ‘Réquiem para o circo’, com a participação de Zé Ramalho. Viajou pelo Brasil com a peça teatral o ‘Auto da Compadecida’ de Ariano Suassuna e percorreu o interior paulista com shows de música produzido por Pedro Neves.

Participou de vários festivais de música em São Paulo (SP), se exibiu no ‘Projeto Pixinguinha’, em apresentações no Nordeste; integrou o grupo folclórico do Liceu Paraibano e cantou no Coral Universitário da Paraíba, quando era regido pelo maestro Clóvis Pereira. Dida morou no Rio de Janeiro, permanecendo por lá durante 12 anos, onde fez parcerias com músicos de expressão da MPB, a exemplo de Jota Morais (maestro e arranjador).

Fez parte da montagem da peça teatral ‘Morte e vida Severina’, de João Cabral de Melo Neto, numa produção da ‘Casa da Gávea’ e direção geral de Cristina Pereira. De volta à Paraíba, ganhou o ‘7º Forró Fest’ organizado pelas emissoras afiliadas à Rede Globo na Paraíba, com a música ‘Cantador de rua’ e hoje se encontra produzindo o seu mais recente CD solo intitulado ‘Boi de fogo’.

Tocaia da Paraíba
– Músicas com linguagem nordestina, mas com uma antena parabólica apontada para o mundo. É assim que Erivan Araújo, um dos componentes da banda, define o som feito por ‘Tocaia da Paraíba’, grupo com dez anos de carreira que é formado por Francisco Limeira (contrabaixo e cavaquinho), Fabiano Lira (percuteria), Erivan Araújo (violão, viola de repente e guitarra) e Pegado (violão, viola de repente e guitarra).

O grupo tem como referências os sons nordestinos da banda ‘Jaguaribe Carne’ (PB), do ‘rei do ritmo’ Jackson do Pandeiro (PB), do percussionista alagoano Hermeto Pascoal, mais Alceu Valença (PE) e ainda personalidades musicais do rock como Frank Zappa e Pink Floyd.

Os músicos estão preparando um show com músicas do CDs ‘Tocaia’ e ‘Botando pra ‘quebrar’. “Será um show com mais leveza, mas não esquecendo dos nossos sucessos mais pesados. O público poderá conferir essa nova fase nas canções ‘Tabajara’, ‘Cara’ e ‘João Grilo’, um dos temas do documentário sobre o escritor paraibano Ariano Suassuna”, concluiu Erivan.