Mostra individual de Abelardo da Hora é aberta na Capital

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Uma apresentação artística do Quinteto de Sopro Musarum marcou a abertura da Mostra “Amor e Solidariedade”, do escultor pernambucano Abelardo da Hora, na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Arte nesta quarta-feira (2). A Mostra comemora os 60 anos de atividades ininterruptas do artista. As obras que integram “Amor e Solidariedade” ficam expostas para visitação pública até o dia 8 de agosto.

A solenidade de abertura contou a presença do escultor Abelardo da Hora e familiares, do prefeito da Capital, Luciano Agra, do curador da Mostra e diretor do Masp de São Paulo, Renato Magalhães Gouvêa, e artistas plásticos paraibanos. O prefeito Luciano Agra disse que a arte é linguagem da alma humana e na obra de Abelardo se observa exatamente a alma do povo brasileiro. “Principalmente do povo nordestino”, acrescentou.

Luciano Agra garantiu que todo esforço vai ser feito para que um número elevado de pessoas possa visitar a exposição de Abelardo da Hora. “Toda rede escolar será mobilizada para que as crianças conheçam não só a sua obra, mas o espaço que as abriga”, garantiu o prefeito. O curador e diretor do MASP de São Paulo, Renato Magalhães Gouvêa, falou sobre a importância da obra de Abelardo da Hora. Ele disse que as artes plásticas do Brasil tem no escultor pernambucano, um dos seus representantes no estilo expressionista ainda vivo.

A Mostra é o resultado de uma parceria entre o Instituto Abelardo da Hora (IABH) e Estação Ciência, Cultura e Arte. O público poderá conhecer 130 obras entre esculturas, desenhos, gravuras e pinturas que retratam as várias fase da vida do artista. Uma das peças mais conhecidas é “A Fome e o Brado”, toda em bronze, medindo 1 metro de altura e pesando 80 quilos. Outra grande obra é “Hiroshima”, um libelo contra o holocausto nuclear. Na parte inferior, corpos retorcidos, disformes, calcinados pelo calor atômico no gesto de denunciar com braços erguidos, mãos cerradas ou com dedos que apontam um mundo novo, de paz e segurança, sem a irracionalidade da guerra.

O artista – Abelardo da Hora nasceu no ano de 1924. É natural de São Lourenço da Mata (PE). Formado pela Escola de Belas Artes do Recife, conviveu com nomes como Vicente do Rêgo Monteiro e Hélio Feijó. Vanguardista, foi um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife e um dos precursores da arte cinética no país. Mestre de toda uma geração de artistas pernambucanos de renome, partindo de Francisco Brennand até José Cláudio, Corbiniano Lins, Guita Scharifker, Gilvan Samico, Wellington Virgolino, entre outros.

A curadora geral da Estação Cabo Branco, a artista plástica Lúcia França, disse que Abelardo da Hora é um dos poucos escultores expressionistas de vulto em plena atividade no país. Ele foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular e o mentor da ideia básica anos antes de sua realização, calcando grande parte de sua vida no ensino gratuito de arte aos novos talentos e na integração de todas as artes em uma espécie de universidade aberta.

As obras de Abelardo da Hora, a maioria de estilo estão espalhadas por todo o mundo: China, França, Estados Unidos, Suíça, Rússia, e na antiga Tchecoslováquia. No Brasil integra os acervos do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Museu do Solar do Unhão na Bahia, MASP (Coleção Pietro Maria Bardi), MAC da USP, MAMAM do Recife e em inúmeras coleções particulares. Incontáveis são as exposições – individuais e coletivas – que integrou: todos os países da Europa, Mongólia, Argentina, Canadá e EUA (incluindo individual na Biblioteca do Congresso), entre tantos, já receberam suas obras. Diversas vezes premiado em Salões de Artes Plásticas em todo o país, desde a década de 50 é Delegado em Pernambuco da Secção Brasileira da Internacional de Artes Plásticas ligada à UNESCO, além de ser um dos fundadores da ABDE em Pernambuco.
Vasta é a referência bibliográfica sobre Abelardo da Hora. Vão desde as maiores enciclopédias do país (a Delta Larrousse e a Barsa) até a trabalhos importantes sobre a arte Brasileira, como o livro Expressionismo no Brasil – Heranças e Afinidades da Fundação Bienal (1985), A Coleção Arte no Brasil da Editora Abril, História Geral da Arte no Brasil, com coordenação de Walter Zanini, dentre muitos catálogos e livros nacionais e internacionais.

Serviço

EXPOSIÇÃO: ABELARDO DA HORA – 60 ANOS DE ARTE
Abertura: dia 2 de junho (quarta-feira)
Hora: 19h00
Local: Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura E Artes – Altiplano Cabo Branco
Visitação pública: Terça a sexta-feira das 9h às 21h, e nos sábados e domingos das 10h às 21h
Até 8 de agosto