Músicos mineiros tocam no Ponto de Cem Réis com Renata Arruda

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O trem do ‘Música Minas’ vai estacionar na antiga parada de bondinhos do Centro Histórico para pegar carona no vagão do Estação Nordeste. Nesta quinta-feira (28), a partir das 19h, no Ponto de Cem Réis, o programa da cena alternativa e contemporânea mineira, que circula pelo Brasil, vai trazer à capital paraibana os artistas Tom Nascimento e Mauricio Tizumba, além do quinteto Zé da Guiomar. A anfitriã da noite será a cantora paraibana Renata Arruda. A abertura ficará por conta do Círculo dos Tambores. A realização do evento é da Fundação Cultural de João Pessoa em parceria com o Governo de Minas Gerais e o Fórum da Música daquele estado, e apoio da UFPB.

O ‘Música Minas’ pode ser comparado a uma espécie de trem musical que circula pelo mundo afora. A proposta é de parceria com diversas cidades brasileiras, levando uma série de espetáculos com artistas e grupos da produção musical de Minas Gerais. A iniciativa foi criada para suprir uma demanda que está além do foco das grandes gravadoras, lançando mão da criatividade e da tecnologia disponível. A maior parte da música feita naquele estado é gravada, produzida, distribuída e veiculada de forma alternativa para além das fronteiras nacionais.

Tom nascimento e as batidas percussivas do violão – Compositor, instrumentista e cantor de voz potente e privilegiada, Tom Nascimento é reconhecido como um dos principais nomes da nova safra musical de Minas Gerais. O artista faz um passeio suingado, movido pelo original funk da soul music, com paradas no reggae, salsa, afoxé e variações do samba, a exemplo do samba-funk e samba-rock. Esses ingredientes desembocam em um punch que mistura percussividade e timbres eletrônicos.

Tom Nascimento vai trazer a João Pessoa o show que está sendo intitulado TecnoGroove. Estarão no repertório músicas próprias como ‘Nuca Preta’, ‘Funk-se Rock-se’ e ‘Pros que vem de fora’, além de releituras de outros compositores, a exemplo de ‘Mama África’ (Chico César). O público terá a oportunidade de ver o artista explorar as potencialidades tecnológicas, com o uso de loop station, samplers e efeitos incorporados às técnicas de afro-beatbox e as batidas percussivas do violão, uma das marcas dele enquanto instrumentista.

Quem acompanha Tom no palco são os músicos Paulo Costa (baixo e samplers), Dionatas Rodrigues (teclados), Johnny Herno (percussão e efeitos), Rodrigo Gonçalves (bateria) e Ronei Silva (tecnoman). O mineiro de Belo Horizonte possui 13 anos de carreira e já fez turnês pela Europa. Ele também foi destaque na mídia nacional e dividiu palcos e gravações com Milton Nascimento, Gilberto Gil, Luiz Melodia, Sandra de Sá e Gerson King Combo.

Arte afro-brasileira de Maurício Tizumba e Trio – O congado mineiro é uma manifestação religiosa com mais de três séculos de existência. Essa riqueza da cultura popular nacional é explícita no trabalho de Maurício Tizumba, que possui 35 anos de carreira. O nome do artista é símbolo do percurso das artes e da cultura afro-brasileira.

A trajetória de Tizumba marca ainda a ampliação da cultura mineira, que democratizou a arte, levada às ruas e praças. Na capital paraibana, se apresenta com o trio que o acompanha há cerca de dez anos, formado pelas cantoras e percussionistas Raquel Coutinho, Beth Leivas e Danuza Menezes. No repertório, estão músicas do novo trabalho, gravado em CD e DVD, intitulado ‘Mauricio Tizumba no Mercado’. São canções extraídas do congado e da folia de reis, além de obras inéditas de Sérgio Pererê, Pereira da Viola e Vander Lee.

A convite do Instituto Brasil Itália (Ibrit), Mauricio Tizumba e Trio já se apresentaram em Milão, dentro do evento ‘Orumila Zumbi’. O show também foi apresentado na Alemanha (Copa da Cultura) durante a 18ª edição da Popkomm, uma das maiores feiras de música da Europa.

Samba refinado do Zé da Guiomar – O grupo se transformou em um dos campeões de público da noite de Belo Horizonte, com uma média de 120 apresentações por ano. É um dos mais bem sucedidos na arte de dar continuidade à trajetória natural do samba brasileiro. O gênero é tratado pelos integrantes com intimidade e simplicidade. O quinteto é formado por Márcio Souza (vocal e violão), Valdênio (cavaquinho e voz), Renato Carvalho (sax e percussão), Totove (surdo e percussão) e Analu (pandeiro/percussão).

No ano passado, o quinteto foi a única atração de Minas convidada para se apresentar na Feira Internacional de Música de Buenos Aires (Bafim). O evento reuniu artistas de mais de 80 países, sendo um espaço reconhecido para negócios e discussões sobre tecnologia e novas tendências do mercado da música mundial. Para a apresentação em João Pessoa, o Zé da Guiomar convidou o percussionista Marcelo Silva para reforçar o time.

No show, o grupo vai mesclar clássicos do samba com músicas autorais dos dois discos. Com dez anos de carreira, o Zé da Guiomar mostra ainda uma visão distinta e original das obras de grandes compositores, como Cartola, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Tom Jobim e Chico Buarque, além de músicas próprias.

Programa ‘Música Minas’ em terras pessoenses – João Pessoa foi incluída no roteiro do programa mineiro de estímulo à música, criado por meio de uma parceria do Governo do Estado com o Fórum da Música de Minas. Os artistas e demais agentes envolvidos na cadeia produtiva contam com um Edital de Passagens Aéreas e um Edital de Circulação Nacional. Essa caravana tem presença garantida nas principais feiras do setor no Brasil e no mundo. Na capital paraibana, o trem cultural vai ser recebido pela cantora Renata Arruda, com participação do Círculo dos Tambores.

A musicalidade mineira guarda dentro de si a capacidade de conviver com o novo e o antigo, cosmopolita e interiorano. Do barroco ao modernismo, da tradição à vanguarda, os artistas mergulham em um caldeirão étnico fundindo crenças e culturas de diversos povos. Minas Gerais é, portanto, uma das grandes reservas culturais brasileiras em constante processo de renovação.