‘Nação do Maracatu’ fará abertura do desfile das Muriçocas do Miramar

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A abertura do desfile do Bloco Muriçocas, no próximo dia 30, ficará por conta da ‘Nação do Maracatu Porto Rico de Pernambuco’, com uma apresentação conhecida como ‘Baque da Onda’, por ser cadenciada, dolente, lembrando as ondas do mar. O ‘ritual’ começa a partir das 20h, na Praça das Muriçocas, em Miramar.

O espetáculo reúne os baques da nação, louvação aos orixás e um baque surpresa para não deixar ninguém parado. O Porto Rico vai levar 60 batuqueiros para a avenida, apresentando novas loas e ricos arranjos, quebradas e batidas de baquetas fazendo variações com os baques de luanda e martelo (tradicionais baques do Maracatu Nação).

Tradições – Fundada em 1916, a Nação do Maracatu Porto Rico é uma das principais Nações de Pernambuco. Atual heptacampeã do Carnaval, o Maracatu Porto Rico faz da preservação das tradições das Nações Negras uma de suas maiores características, comprovada pela coroação da sua Rainha e pela organização dos seus instrumentos.

Dona Elda, Rainha da Nação Porto Rico, além de ser a única Rainha viva coroada no mundo, é também a única onde a sua coroação ocorreu numa solenidade completa, dentro da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em 1980. No ano seguinte, o Vaticano proibiu esse tipo de cerimônia, devido à ligação das Nações de Maracatu com o Candomblé.

O instrumental das Nações de Maracatu é exclusivamente percussivo, composto por alfaias, caixas, taróis, agogôs, gonguês, mineiros e abês. Os tambores das Nações de Maracatu, conhecidos antigamente por bombos, hoje são chamados de alfaias. A origem do termo alfaia vem do francês ‘alfaiate’, ou seja, aquele que corta e produz sua roupa à mão. Como os negros produziam os seus próprios bombos, os franceses, portugueses e espanhóis passaram a chamá-los de ‘alfaias’, produto dos alfaiates. A Nação Porto Rico introduziu atabaques no corpo percussivo, dando um colorido especial à música e dança.

Origem – O maracatu tem suas origens na Instituição dos Reis Negros, ou Reis do Congo, já existente na França e Espanha desde o século XV e em Portugal a partir do XVI. Os senhores de terra (chamados pelos escravos de ‘grandes senhores’ ou ‘grandes homens’) utilizavam o termo maracatu para se referir à reunião dos negros em Nações, provavelmente como forma de desrespeito às suas tradições.

Arrastão – O Bloco Muriçocas do Miramar sai na avenida pela 22ª vez, promovendo anualmente a alegria de cerca de 400 mil pessoas. Este ano, o bloco conta com o patrocínio da Eletrobrás e Chesf, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal (Lei Rouanet) e o apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP).