Nação Zumbi e Escurinho agitam o ‘Estação’, no próximo sábado

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‘Fome de tudo’ é o nome do show que deve ‘sacudir’ a multidão nas areias de Tambaú, na noite do próximo sábado (19), dentro da programação do projeto ‘Estação Nordeste’. Com 15 anos de carreira, a banda Nação Zumbi faz um retorno às origens nesse seu último trabalho e mostra ao público, em João Pessoa, que a diversidade é a marca da pegada explosiva, que consagrou o grupo como marco da música pop brasileira.

Os representantes do movimento musical Manguebeat prometem deixar a platéia ‘zonza’, com ritmos que descobriram e aperfeiçoaram ao longo de uma década e meia, como o ‘world metal’, ‘coco dub’, ‘ciranda psicodélica’, ‘bolero dollywood’, ‘psichocarimbó’, ‘baião cyberdélico’. O frevo ‘travaperna’ é o mais novo gênero difundido pelo grupo.

O público pode esperar um repertório mesclado com as músicas do novo disco ‘Fome de tudo’ e canções de todos os álbuns da banda, inclusive da época de Chico Science & Nação Zumbi. Entre as músicas selecionadas para a apresentação em João Pessoa deverão constar ‘Bossa nostra’, ‘No Olimpo’, ‘Fome de tudo’, Maracatu de tiro certeiro’, ‘Carnaval’, ‘Inferno’ e ‘Risoflora’.

Análise do disco – Na crítica ao último CD do grupo, o músico Fred Zero Quatro Montenegro (Banda Mundo Livre S/A) diz que ficou meio zonzo ao terminar a audição do álbum. “Declaro desde já que não tenho condições de produzir uma interpretação fria e minuciosa, do tipo faixa a faixa, deste álbum que, pra mim, já nasce antológico – e justo num momento crítico do circuito musical brasileiro. Mais do que uma volta às origens, estou sentindo este trabalho como uma espécie de retrospecto altivo da banda mais inventiva em atividade no país, pra que não duvidem de sua verdade: faz uma década e meia que eles, mais do que ninguém, têm esse jogo na mão”.

Zero Quatro afirma, ainda, que o frevo ‘travaperna’, mostrado na música ‘Carnaval’ do novo CD, é “capaz de empenar até o mais experiente dos passistas”. Ele também exalta o poder e a sensibilidade do último trabalho do Nação Zumbi. “Sério, se você, mesmo com tudo que tem visto e ouvido em sua volta, ainda não tem uma pedra no lugar onde devia pulsar um coração, prepare-se. Vai doer…”.

‘Fome de tudo’ foi lançado no final do ano passado e é o sétimo disco da carreira do grupo, sucedendo o elogiado ‘Futura’ (2005). No CD, produzido por Mario Caldato Jr., a banda formada por Lucio Maia (guitarra), Jorge du Peixe (vocal), Pupillo (bateria), Dengue (baixo), Gilmar Bola 8 (percussão), Toca Ogan (percussão), apresenta 12 faixas inéditas. Entre os convidados do novo álbum figuram a cantora paulistana Céu na faixa ‘Inferno’, o tecladista e parceiro dos Beastie Boys Money Mark em ‘Assustado’ e o conterrâneo compositor Junio Barreto em ‘Toda surdez será castigada’.

Manguebeat – O movimento musical Manguebeat ou Manguebit surgiu na década de 90, em Recife (PE), unindo gêneros musicais como rap, soul, ciranda e maracatu à música eletrônica. A idéia era criar um cenário musical tão rico e diversificado como o manguezal, o ecossistema mais rico do planeta. O falecido ex-vocalista da Nação Zumbi, Chico Science, foi o principal divulgador das idéias e ritmos do movimento, que mistura as batidas regionais com a música eletrônica. O movimento influenciou muitas bandas de Pernambuco e do Brasil e também contaminou outras áreas, como o cinema, a moda e as artes plásticas.

Escurinho – O show de Nação Zumbi será precedido da apresentação do cantor, compositor e percussionista Escurinho. O pernambucano de Serra Talhada já faz parte da cena musical paraibana e vai apresentar ao público de João Pessoa músicas de seu novo trabalho. “Tô na rede”. O show promete novidades, mas também um passeio pelos trabalhos que tornaram o artista reconhecido dentro e fora do País. No repertório não devem faltar as músicas ‘Usura’ (do CD ‘Labacé’) e ‘A casa vai cair’ (‘Malocage’). “O terceiro disco deve sair até o mês de maio, mas já vamos apresentar algumas faixas neste show do Estação Nordeste”, disse.

Os trabalhos de Escurinho são marcados pela fusão de ritmos que vai do xote ao reggae, do experimentalismo ao rock, do forró ao baião, do caboclinho ao boi de reizado, dos ritmos afros e tribais e do maracatu ao coco de embolada. Sua formação musical vem da sua experiência com o pai que se apresentava cantando em festas e a convivência com as manifestações populares do interior do Nordeste.

A Paraíba está na história de Escurinho desde a década de 70, quando chegou à cidade sertaneja de Catolé do Rocha e fundou com alguns amigos, entre eles o cantor paraibano Chico César, o grupo ‘Ferradura’ marcando os festivais e shows do Sertão paraibano. No começo dos anos 80, na vinda para João Pessoa, participou do grupo Jaguaribe Carne junto com Paulo Ró e Pedro Osmar. Nesse período, trabalhou como percussionista em várias bandas de baile, e participou da gravação de discos de alguns artistas paraibanos. No teatro foi premiado em 1992, pela criação e execução da trilha sonora do espetáculo ‘Vau da Sarapalha’, no XIII Festival Nacional de teatro em São Paulo.

O show, idealizado e montado pelo artista em 1995, foi Labacé (que significa barulho, algazarra, ruído, grande movimentação), de caráter experimental, que deu início a uma série de apresentações em João Pessoa, cidades do interior da Paraíba e do Nordeste. Um ano depois, Labacé passa a contar com a participação do guitarrista, arranjador e compositor Alex Madureira, assumindo uma performance mais pop. O CD foi lançado em março de 1998. O trabalho ganhou o País e foi apresentado no IX Festival de Inverno de Garanhuns/99; no Abril pro Rock/99, em Recife; PE no Rock/99/00; Pátio de São Pedro/01); Festival de Musica e Artes Olodum /99, em Salvador; Chico César e outros Beradêros/98, São Paulo, e Mada/01, em Natal.

Em dezembro de 2003 o artista e sua banda lançaram o segundo CD ‘Malocage’, também com boa aceitação do público e da crítica. Com esse trabalho Escurinho recebeu convite para tocar em grandes eventos do Rio de Janeiro e São Paulo e foi selecionado para o Projeto Pixinguinha 2004/2005, Fenart 04/05 (Festival Nacional de Arte da Paraíba), Rumos do Itaú Cultural/05, IV Mercado Cultural Via Magia em Salvador/05 e Centro Cultural Banco do Nordeste – Fortaleza e Cariri/06 e para a Feira da Música em Fortaleza/06. Em 2006, o artista lançou o seu primeiro DVD e realizou shows na Espanha, Bélgica, Suíça e Itália acompanhando o cantor Chico César.

Estação Nordeste – Este é o terceiro ano do projeto ‘Estação Nordeste’, realizado pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP) com o apoio do Ministério do Turismo. São 13 dias de shows, No Busto de Tamandaré (Tambaú) e praças da cidade, com atrações locais e nacionais, a exemplo de ‘Paralamas do Sucesso’, ‘Cabruêra’, Nuno Mindélis, Zélia Duncan, Chico Correa, Luiz Melodia, ‘Nação Zumbi’ e Regina Brown. As apresentações tiveram início no último dia 4 e prosseguem até o dia 25, de quinta a domingo, a partir das 19h.