Noite de Antônio Barros e Cecéu e Jaqueline Alves, na terça-feira

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O público presente ao ‘São João de João Pessoa – O melhor da gente’ vai cantar e dançar as tradicionais composições de Antônio Barros e Cecéu, na Praça Antenor Navarro, nesta terça-feira (24). O palco do evento terá ainda a presença da cantora e compositora pessoense Jaqueline Alves, que promete homenagens a Sivuca e Marinês. Os festejos tiveram início no dia 21 e seguem até 29 deste mês, no Centro Histórico da Capital. A promoção é da Prefeitura Municipal (PMJP), através de sua Fundação Cultural (Funjope).

Raras são as pessoas que nunca ouviram as composições de Antônio Barros, incluindo aquelas feitas em parceria com a esposa, Cecéu. A dupla é referência na hora de animar um arrasta-pé e de incentivar naturalmente a participação do público, que sempre canta junto com o casal. São mais de 700 músicas escritas e musicadas, constituindo um rico acervo de clássicos nordestinos já consagrados nacional e internacionalmente na voz de diversos intérpretes.

Como diz Cecéu, o repertório passa pela tradição nordestina. ‘Bate coração’, ‘É proibido cochilar’, ‘Homem com H’ e por aí vai o forrofiado. “Vamos apresentar os clássicos na festa, que já são bastante conhecidos. E isso é o que realmente nos satisfaz, quando vemos o público cantando todas as músicas que são de raiz nordestina”, afirmou.

A outra atração que também promete animar os festejos juninos na Capital nesta terça-feira é Jaqueline Alves. Além de apresentar canções de seu primeiro álbum solo, ‘Loa nordestina’, a cantora e compositora também lembrará paraibanos ilustres. “No show, vou cantar algumas composições do meu primeiro CD e mesclar com homenagens a Marinês e a Sivuca. Para isso, chamarei também alguns amigos que estão na ativa, em uma participação especial”, garantiu.

Subirão ao palco com Jaqueline para a homenagem os seguintes artistas: o músico Chico Ribeiro, do trio ‘Os Cabras de Mateus’; Chico de Pombal, que está lançando o primeiro CD; Lilian Jabour, e a cantora Anne Raelly. No repertório, a artista reservou espaço para ‘Feira de mangaio’, ressaltando o saudoso Sivuca, e ‘No meu Cariri’, lembrando a talentosa Marinês.

História de música
– Antônio Barros tem muitas histórias para contar, que se confundem com o próprio caminho traçado pela música popular brasileira. Nos anos 1960, ele morou no Rio de Janeiro. Na época, tocou triângulo no regional de Luiz Gonzaga e também chegou a morar na casa do ‘Rei do Baião’, na Ilha do Governador.

Em 1970, numa das viagens no navio de cruzeiro ‘Ana Neri’ pelo litoral brasileiro, onde Antônio Barros trabalhava como contrabaixista, nasceu o sucesso ‘Procurando tu’. A música foi gravada pelo ‘Trio Nordestino’ e, depois de Antônio Barros aceitar a parceria de J. Luna – disc-jóquei baiano que ajudou a divulgar a canção no Nordeste – a composição fez sucesso e chegou a ser gravada por Ivon Curi e até Jackson do Pandeiro, entre outros músicos.

Foi também o ‘Trio Nordestino’ que gravou e divulgou outras músicas de Antônio Barros, como ‘Corte o bolo’, ‘Cuidado com as coisas’, ‘É madrugada’ e ‘Faz tempo não lhe vejo’. No ano de 1974, ‘Vou ver Luiza’, que é uma parceria com Lindolfo Barbosa, foi gravada por Bastinho Calixto, pela gravadora EMI.

O grupo ‘Os Três do Nordeste’ também gravou composições de Antônio Barros. O trio lançou sucessos como ‘É proibido cochilar’, ‘Forró do poeirão’, ‘Forró de tamanco’ e ‘Homem com H’. Essa última foi composta para a novela ‘O bem amado’. No início da década de 80, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha gravaram ‘Estrela de ouro’, enquanto ‘Quebra pote’ foi entregue ao ‘Trio Mossoró’, e saiu pela gravadora Copacabana.

Na mesma década, Ney Matogrosso gravava ‘Homem com H’, que se tornou um dos grandes sucessos da época. Também é nesse período que Zé Piata interpretou, pela gravadora Copacabana, o forró ‘Procurando tu’.

Em 1981, o xote ‘Bate coração’, parceria entre Antônio Barros e a mulher Cecéu, foi gravado ao vivo por Elba Ramalho, durante o Festival de Montreux, na Suíça. No ano seguinte, a música estourou como sucesso nacional. No decorrer da década, outras composições se tornaram conhecidas na voz de diversos intérpretes, a exemplo de ‘É madrugada’ e ‘Forró do quem quer’ (por Dominguinhos); ‘Forró da maiadeira’ (por Luiz Gonzaga).

Juntando-se o talento de Antônio Barros e de Cecéu pode-se dizer que ambos são pais de mais de 700 músicas. E o que importa é continuar enfatizando as raízes, mesmo quando elas experimentam nova roupagem, como foi o caso mais recentemente, em 2004, com ‘É proibido cochilar’. A composição foi incluída no segundo CD do grupo ‘Cabruêra’.

Jaqueline Alves
– A cantora e compositora Jaqueline Alves é natural de João Pessoa. Aos dez anos, começou a aprender a tocar o violão e aos 16 já cantava e tocava em bares e casas noturnas da cidade. Ela participou de bandas como ‘Kasanova’, do Recife (PE); ‘Notáveis’ e ‘Êxtase’.

Durante cinco anos, ela integrou o grupo ‘As Bastianas’. Atualmente, com 34 anos, faz carreira solo e seu primeiro CD foi produzido por Dominguinhos, sob o título de ‘Loa nordestina’. O trabalho traz composições próprias e também parcerias.

A música chefe do CD leva o nome do álbum. No momento, Jaqueline se concentra no mestrado em Etnomusicologia, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mesmo assim, a artista promete novidades para o público. “Eu estava me concentrando na composição de músicas para um novo trabalho. Diminui o ritmo, mas mesmo assim estou tentando conciliar com meu mestrado”, garantiu.