“O Divino Calvário” leva circo e música ao Espaço Cultural

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Um festival de luzes, movimento, música, cores e figurino marcou a estreia de “O Divino Calvário” na última sexta-feira (22). Considerado por alguns expectadores como “magistral”, o espetáculo atraiu cerca de 4 mil pessoas nas duas sessões da primeira noite. A Paixão de Cristo 2011 continua a ser encenada neste sábado (23) e domingo (24), às 19h e às 21h, na Praça do Povo da Fundação Espaço Cultural (Funesc).

O evento é uma parceria entre a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio de sua Fundação Cultural (Funjope) e o Governo do Estado. O prefeito Luciano Agra ressaltou que o formato da Paixão de Cristo, que seleciona espetáculo e o elenco via edital, está consolidado. “Este ano fizemos a adaptação inspirada no drama de um teatrólogo português. E o que mais me chamou a atenção foi a combinação dos universos nordestino, da cultura ibérica e da temática da época de Cristo. Tudo ficou muito explícito no figurino e na iluminação”, observou.

“É um espetáculo todo produzido e encenado por artistas paraibanos, encantando o público. Isso demonstra que a política cultural do município tem acertado na inovação”, acrescentou. A parceria com o Governo do Estado este ano, segundo Luciano Agra, também proporcionou ao espetáculo mais qualidade. “Com o apoio estadual, a Paixão de Cristo passou a ser encenada no Espaço Cultural, o que ofereceu mais confortou ao público. Também graças ao local foi possível a criação de uma arena e um excelente trabalho de iluminação”, comentou. Logo no início do espetáculo, o maestro Eli-Eri, que é responsável pela trilha, entra caracterizado sobre um cubo cênico, fazendo alusão a um meio de transporte. Ele atravessa toda extensão da arena até ser recebido do lado oposto por uma orquestra.

O colorido e as máscaras também marcam o espetáculo desde as primeiras cenas, em uma referência ao teatro e circo mambembe. Em vários momentos, a peça arrancou aplausos da plateia emocionada. O fotógrafo David Trindade Filho, por exemplo, foi uma das pessoas que conferiu a estreia. “Foi magistral, harmonioso, denso e dinâmico. Conta com atores muito competentes”, ressaltou depois de ver a primeira sessão. Para o chefe da Divisão de Artes Cênicas da Funjope, Nanego Lira, a sessão de abertura da Paixão de Cristo 2011 superou as expectativas.

“A estreia foi surpreendente. Uma das melhores que já tivemos ao longo dos últimos seis anos, com o novo formato. Isso fica claro pela reação do público. As arquibancadas estavam lotadas e as pessoas emocionadas. É uma demonstração de que o evento, realizado com a participação de profissionais locais, está absolutamente consolidado”, comentou.

Mais detalhes que emocionaram – Uma das partes do espetáculo que chamou a atenção do púbico foi o batismo de Jesus e as personagens do teatro circense em cima de pernas de pau, fazendo números de pirofagia. A crucificação também é um dos pontos altos da peça, marcada por movimentos circulares do elenco na arena. Nela, Jesus e a cruz usam como base de apoio dois atores, exigindo para isso concentração e equilíbrio.

A cascata de faíscas de fogo no momento da ascensão do Cristo foi outro momento bastante aplaudido. A música foi também um elemento de destaque em “O Divino Calvário”, funcionando como fio condutor em todos os atos do espetáculo. O ápice foi na execução da oração do Pai Nosso pelo coro de vozes, acompanhado pela orquestra. O trecho da Última Ceia, por exemplo, chamou a atenção da plateia, no instante em que o som de um violino e de um saxofone se encontram. Enquanto isso, a luz conseguiu implementar mais realce ao movimentos e à coreografia do elenco, além de acentuar o colorido do figurino. Essa composição foi possível graças à encenação ter sido realizada em ambiente fechado, no Espaço Cultural.