Orgânicos do Cinturão Verde garantem alimentação saudável

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O programa Cinturão Verde da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) já melhorou a vida de aproximadamente 300 agricultores familiares que moram na zona rural da Capital e de municípios vizinhos, garantindo empréstimo para financiamento da produção e acompanhamento técnico-agrícola. Mas não são apenas os produtores que colhem os frutos desse trabalho. As frutas, verduras e hortaliças orgânicas vendidas nas feiras do Cinturão Verde são, para os consumidores, opção de alimentação saudável e livre de agrotóxicos.

A professora Roberta Pereira é adepta dos orgânicos. Ela faz compras às quartas-feiras, quando a feira itinerante do Cinturão Verde atende na Praça Alcides Carneiro, no bairro de Manaíra. “Você encontra, por exemplo, tomates lindos, suculentos, até quando não é período de safra. Eles ficam vários dias na geladeira e não perdem a cor nem o sabor. Isso é porque são naturais de verdade”, conta.

Além de Manaíra, o chamado ônibus-feira do Cinturão Verde atende também ao bairro dos Estados, ao Cabo Branco e a Intermares (em Cabedelo), respectivamente às terças, quintas e sextas-feiras. Há, ainda, a opção das feiras fixas, realizadas nos Bancários, às sextas, e no Valentina, aos sábados e domingos (veja os locais e horários abaixo).

O casal de agricultores Ariosmar dos Santos Silva e Elisabete de Oliveira Romão estão entre os principais fornecedores das feiras de orgânicos. Eles são donos de uma propriedade de sete hectares em Ponta de Gramame e participam do programa Cinturão Verde desde 2007. De lá para cá, já tiraram quatro empréstimos.

Começaram com uma pequena produção de hortaliças. Hoje produzem mais de 30 variedades de legumes, verduras, raízes e frutas com sistema de irrigação. Possuem, ainda, mais de 60 porcos e 200 frangos, todos criados conforme as regras da produção orgânica. “Eles não podem usar, por exemplo, hormônios para acelerar o crescimento dos pintos”, explica a zootecnista do projeto, Janine Lucena Santos de Lima.

Políticas públicas – O Cinturão Verde não se limitou aos empréstimos e à assistência técnica. Ele também cuidou para que a família de Elisabete e Ariosmar pudesse ser atendida por outras ações de políticas públicas de que estavam carentes. Foi assim que o casal foi inscrito no programa Minha Casa, Minha Vida e recebeu, em outubro do ano passado, um novo lar, para substituir a casa de taipa em que morava. E foi assim também que finalmente a família pôde substituir o candeeiro pela luz elétrica, graças ao encaminhamento ao programa Luz para Todos.

“Hoje temos geladeira e tudo o mais”, comemora Elisabete. A agricultora conta que foi morar no sítio com o marido há aproximadamente seis anos. “Ele sempre trabalhou na agricultura, mas eu não. Trabalhava com vendas, com bolsas, artesanato. Não morávamos na propriedade e um dia chegamos e o pouco que a gente tinha havia sido quebrado. Ele pensou em ir embora para sempre, mas eu disse: nós vamos fazer uma casa de palha e vamos morar aqui. E viemos, sem nada, sem energia elétrica, sem geladeira, só o fogão. Por amor a gente faz tudo”, lembra Elisabete.

Agora é até difícil contar a variedade de plantas na propriedade. Vai de salsa, hortelã e majericão a cebola, tomate, pimentão, pepino, jerimum, mamão e melancia. Mas a grande aposta da família para os próximos anos é a produção de porcos. Eles já têm mais de 50 cabeças de suínos, sem contar os filhotes.

Também há boas expectativas para a venda das verduras e hortaliças a partir da certificação dos produtos. Em 2011, começam a valer novas regras em todo o País para a produção e venda de orgânicos. Será instituído um selo para assegurar ao consumidor que ele está comprando um alimento realmente livre de agrotóxico e cultivado de acordo com os preceitos de preservação ambiental e de sustentabilidade. Com a obtenção desse selo, agricultores como Elisabete vão poder garantir aos clientes que eles estão levando para a casa produtos de qualidade.

Vantagens dos orgânicos – Estudos feitos nos Estados Unidos revelam que os alimentos orgânicos apresentam, em media, 63% mais cálcio, 73% mais ferro, 118% mais magnésio, 178% mais molibdênio, 91% mais fósforo, 125% mais potássio é 60% a mais de zinco. A informação e do Instituto Biodinâmico (IBD), uma das instituições que certificam esses alimentos no Brasil, fornecendo o selo que atesta a qualidade deles.

Já os orgânicos de origem animal não contêm resíduos de produtos químicos devido a alimentação dos animais. No cultivo, estão proibidos agrotóxicos sintéticos, adubos químicos e sementes transgênicas. O IBD calcula que o consumo de orgânicos em todo o mundo aumente 30% anualmente, movimentando cerca de US$ 26,5 bilhões, apesar de serem até 50% mais caros que os alimentos não-orgânicos.

Enquanto o quilo do tomate comum custa atualmente R$ 1 nas feiras livres, o quilo do tomate orgânico nas feiras do Cinturão Verde gira em torno de R$ 2,50. Ainda assim, o produto comercializado pelos pequenos produtores do projeto ainda é muito inferior ao praticado nos supermercados, que cobram até R$ 6 pelo quilo do tomate orgânico, explica o coordenador do programa, Roberto Vital. “Mas a pessoa deve lembrar que está adquirindo um produto com o qual pode alimentar seus filhos sem medo”, acrescenta.

Sobre o Cinturão Verde – O Cinturão Verde foi a primeira linha de crédito especial criada pelo Programa de Apoio aos Pequenos Negócios de João Pessoa (Empreender-JP), vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável da Produção (Sedesp). Ele é voltado a pequenos produtores e tem como filosofia apoiar apenas atividades ecologicamente sustentáveis.

O programa registra, atualmente, mais de 300 beneficiários diretos, aos quais tem assegurado vários eventos de capacitação, assistência técnica agronômica, zootécnica e gestacional. Além disso, o programa já liberou mais de R$ 1,2 milhão em empréstimos em 315 operações contratadas com o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar) e diretamente com o Empreender-JP.