Orquestra de Câmara de JP faz concerto na Estação Cabo Branco

Por - em 46

A veia erudita paraibana vai se fundir com o sangue do tango argentino e passar pelas entranhas do período clássico romântico para formar o repertório especial da Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa. O concerto será nesta quarta-feira (26), a partir das 18h30, no auditório da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, em comemoração ao aniversário do complexo. A performance terá a participação do violoncelista Raïff Dantas Barreto. Uma das composições executadas será do maestro José Siqueira (1907-1985), natural de Conceição (PB), idealizador da Orquestra Sinfônica Brasileira e regente de importantes orquestras do mundo. O evento tem a parceria da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

O concerto comemorativo do aniversário da Estação Cabo Branco vai começar com a execução de ‘Oblivión’, do bandeonista argentino Astor Piazzolla (1921-1992). O músico é considerado o compositor de tango mais importante da segunda metade do século XX. Ele empreendeu inovações no ritmo, no timbre e na harmonia do estilo. Nesta quarta-feira, a execução dessa música pela Orquestra de Câmara vai contar com a participação especial de Lucyane Alves, na sanfona.

Haverá ainda espaço para ‘Andante Cantábile’, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), compositor do período da música clássica romântica. Na ocasião, o solista da Orquestra de Câmara será o violoncelista paraibano Raïff Dantas Barreto.

Raïff continuará no palco, com a mesma função, durante a apresentação de ‘Elegía’, do maestro paraibano José Siqueira, e de ‘Feira de Mangaio’, de autoria de Sivuca (1930 – 2006) e Glorinha Gadelha. A versão orquestral para esta última música é de João Linhares. A Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa estará sob a regência do maestro Gustavo Ginés de Paco de Gea.

Solo para cordas – Raïff Dantas Barreto nasceu em João Pessoa. Começou a estudar violoncelo aos 14 anos. Em 1989, foi para a Itália. Lá, ele se especializou no Conservatório Arrigo Boito de Parma, permanecendo no local até 1992. Quando voltou ao Brasil, permaneceu como primeiro violoncelo da Orquestra Sinfônica da Paraíba durante três anos.

Em 1994, Raïff produziu e lançou o CD ‘Carrapicho’. O trabalho era composto por música brasileira, alcançando sucesso de público e de crítica. Dois anos depois, ele assumiu a cadeira de primeiro violoncelo da Orquestra do Norte em Portugal. O músico também foi violoncelista do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, durante a temporada de 1997.

Raïff atuou como solista sob as batutas de importantes maestros internacionais e fez recitais no Brasil, Espanha e Itália. Atualmente, o músico desenvolve atividades camerísticas, sendo integrante de duos, trios e quartetos. O paraibano é professor titular na cadeira de violoncelo na Universidade Livre de Música Tom Jobim de São Paulo.

Da Paraíba para o Mundo – O paraibano José Siqueira foi um maestro e acadêmico brasileiro fundador de vários institutos de música e arte. Ele chegou a ser professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também idealizou e criou a Orquestra Sinfônica Brasileira e foi membro fundador da Academia Brasileira de Música e da Academia Brasileira de Artes.

José Siqueira regeu as mais importantes orquestras do mundo, em países como os Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica e Russia. O paraibano foi membro do Júri de Composição em Moscou e oficializou junto ao então prefeito da capital pernambucana, Miguel Arraes, a Orquestra Sinfonica do Recife, considerada a mais antiga do País. O currículo de José Siqueira inclui ainda a idealização e criação da Ordem dos Músicos do Brasil, assumindo a presidência da entidade em 1960.