Paixão pelo Carnaval Tradição une comunidades da Capital

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Um amor que passa de mãe para filha, de avô para neta e que une toda uma comunidade. Assim é o Carnaval Tradição de João Pessoa, que é realizado desde 1918. O desfile das agremiações acontece durante três dias na Avenida Duarte da Silveira, com o apoio financeiro e logístico da Prefeitura de João Pessoa (PMJP). Este ano, o Governo Municipal ajudou as agremiações com a doação de R$ 227 mil.

O trabalho para levar esse universo mágico de cores, fantasias e performance começa seis meses antes do carnaval. O primeiro passo é a composição do enredo, que serve de inspiração para os desenhos das fantasias. Na oficina da Escola Império do Samba, campeã de 2010 e que tem 350 integrantes, o trabalho dos voluntários entra pela madrugada. “Temos 12 ajudantes fixos, porém, toda a comunidade se engaja no trabalho, principalmente quando o dia do desfile se aproxima. O esforço é enorme. Independente de ganhar ou perder o concurso, o mais importante é manter a tradição viva”, afirmou Ednaldo Travassos, presidente da escola.

Uma das voluntárias é a pedagoga Jaciane Medeiros, que além de diretora financeira da escola também é quem costura as fantasias. Ela conta que a paixão pelo Carnaval Tradição une toda a família, cerca de 15 pessoas entre pai, filha, tio e cunhado. “O esforço para realizar esse desfile é muito grande. A gente corre, vai em busca, tudo para manter a tradição”,  disse Jaciane.

A estudante Gisele Medeiros, de 16 anos, é filha de Jaciane e já na barriga da mãe participava dos desfiles. Na oficina, ela ajuda a mãe a bordar as fantasias. Desde a fundação da escola, há seis anos, a adolescente cai no samba na avenida. “O amor pelo carnaval fui adquirindo através da minha mãe. Quem conhece esse universo se cativa, pois vive o que realmente é o carnaval. Acho muito importante manter essa tradição”, afirmou Gisele.

A diretoria da Escola promove ainda um desfile na própria comunidade um dia após o tradicional desfile na Av. Duarte da Silveira. Os integrantes também se apresentam nas duas escolas municipais situadas no baixo Roger. “Com o mesmo entusiasmo que desfilamos na Duarte da Silveira, fazemos isso na nossa comunidade. É muito emocionante, pois estamos na nossa casa, com a nossa gente. É inexplicável o quanto o carnaval une a comunidade”, frisou a ‘pedagoga-costureira’.

Uma prova que o carnaval une gerações é o que acontece na família do sambista ‘Manguzá’. Ele é o integrante mais velho da Escola Império do Samba e este ano terá o orgulho de ter a neta a seu lado. “Desfilo há anos no Carnaval Tradição, inclusive já fiz parte de outras escolas. Este é o primeiro ano que minha neta desfila e eu estou muito feliz”, revelou o sambista.

Na oficina da Escola Catedráticos do Ritmo, também do bairro do Roger, a paixão pelo carnaval não é diferente. A escola, que ficou em terceiro lugar no ano passado, desfila há exatos 41 anos. O componente mais novo tem apenas oito anos e o mais velho 90. O presidente afirma que a escola é uma grande família. “Parentes de sangue são apenas meus três irmãos e o meu pai, de 90 anos, que desfilam. Mas todos os 800 componentes eu considero da família”, disse José de Brito Filho, presidente.

O jardineiro Harrison Antônio sai na escola há 10 anos. Além de fazer parte da bateria, ele ajuda na confecção dos adereços. “Passo o dia trabalhando e à noite estou aqui, ajudando a levar a escola para a avenida. A escola é meu divertimento e já tenho duas sobrinhas e um primo que também fazem parte dessa família do carnaval”, afirmou Harrison.

Tanto esforço vale a pena. Durante cada noite de desfile, de acordo com o presidente da Federação Carnavalesca de João Pessoa (Fecaj), Pedro Júnior, cerca de 30 mil pessoas prestigiam as 23 agremiações, entre escolas de samba, clube de orquestra e tribos indígenas, além das ala ursas e batucadas. “O Carnaval Tradição é realizado pelo esforço das comunidades, que se unem para manter essa cultura. A gente observa que com o passar do tempo, os ensinamentos passam de pai para filho e em seguida para o neto. E o público, quando vai ver o desfile, assiste a um belo espetáculo e sente a emoção de todo esse esforço”, comentou Pedro Júnior.

Carnaval Tradição – O primeiro desfile oficial de agremiações carnavalescas em João Pessoa foi realizado em 1918, com apenas a tribo indígena Africanos, da Torre. Em 1930, surgiram várias agremiações, que foram divididas em categorias. O desfile na Av. Duarte da Silveira é realizado em três dias. A Prefeitura de João Pessoa (PMJP), além de dar uma ajuda financeira, também presta apoio de som, iluminação, arquibancadas e formação da comissão de jurados.

Agremiações

Tribos indígenas:
– Guanabara, Comunidade Porto de João Tota
– Tupinambás, em Mandacaru
– Ubirajara, Rangel
– Flecha Negra, Cruz das Armas
– Africanos, Cristo
– Papo Amarelo, Cruz das Armas
– Tupy Guanabara, Santa Rita
– Xavantes, Bola na Rede
– Tupy Guarany, Mandacaru
– Pele Vermelha, Cristo
– Tabajaras, do Alto do Mateus

Escolas de samba:
– Império do Samba, Roger
– Independentes de Mandacaru
– Catedráticos do Ritmo, Roger
– Malandros do Morro, Torre
– Pavão de Ouro, Bairro São José
– Resplendor, Bairro São José

Clubes de orquestra:
– Bandeirantes da Torre
– Ciganos do Esplanada
– Piratas de Jaguaribe
– Sai da Frente Dona Emilia, Rangel
– São Rafael Frevo e Folia, Comunidade São Rafael
-25 Bichos, de Jaguaribe

Ala ursas
– Urso Amigo
– Urso Panda
– Urso Solitário
– Urso Preto
– Macaco Louco
– Sem Lenço Sem Documento
– Urso Gavião
– Urso Canibal
– Santa Cruz
– Urso Folião
– Terrível Panda

Batucadas:
– Nova Liberdade
– Águia de Ouro