Parceria entre PMJP e o HU realiza a 5ª cirurgia bariátrica pelo SUS nesta sexta

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Em menos de um mês em que o município de João Pessoa oferece cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já foram realizados quatro procedimentos cirúrgicos no Hospital Universitário (HU) Lauro Wanderley, no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Nesta sexta-feira (12), mais uma cirurgia está agendada, desta feita a da paciente Hilda Lucas da Conceição, dentro da parceria firmada entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o HU, uma iniciativa pioneira em nível de Paraíba.

A cirurgia bariátrica, ou redução do estômago, não é motivada apenas por questões estéticas, mas indicada em casos onde a obesidade mórbida atinge percentuais em que os mecanismos naturais do corpo ou os medicamentos não conseguem mais efeito. A informação é do médico Luís Antônio Fonseca, que coordena a equipe responsável pelas cirurgias bariátricas e avalia de forma bastante positiva as quatro intervenções realizadas pelo SUS.

Indicação – Ele afirmou que a redução de estômago é aplicada quando o Índice de Massa Corpórea (relação de peso e altura) de uma pessoa está acima de 40, o que caracteriza a obesidade mórbida. Mas por ser um procedimento de risco, o mais indicado é que pessoas com tendências a engordar desde cedo mudem seus hábitos alimentares e pratiquem exercícios físicos. Segundo ele, o índice de massa corpórea acima de 25 já é considerável sobrepeso e requer cuidados para que a pessoa não chegue à fase da obesidade.

“A sociedade atualmente cada vez mais urbana está perdendo o hábito de comer em casa e se rende aos fast foods devido ao excesso de trabalho. Outro fator que contribui para o crescimento da taxa de obesidade é o acesso mais fácil a comidas, principalmente aos enlatados com alto índice de gordura, aliado a falta de exercícios físicos”, explicou o médico.

Mudança de hábitos – De acordo com o médico Luís Antônio, a taxa de crescimento da obesidade das crianças é de 240%, o que é bastante preocupante com a tendência de uma população adulta obesa e com mais riscos de doenças. Ele ressaltou que a cirurgia de redução de estômago requer acompanhamento médico, psicológico, nutricional e a prática de exercícios físicos. “A cirurgia não é a única solução, é preciso que as pessoas mudem seus hábitos para que o tratamento tenha efetividade”, observou.

Recuperação – Uma paciente submetida à redução de estômago pelo SUS foi Joselita de Andrade Costa, de 45 anos, que antes do tratamento tinha 127 quilos e oito dias depois estava com 107 quilos. Ela disse que a recuperação da cirurgia está sendo rápida e sem dores e já sente melhoras para andar e se locomover e até mudanças no formato do rosto. “Nesta sexta-feira vou me pesar e receber uma nova dieta, agora com alimentos sólidos. Acredito ter perdido ainda mais peso na última semana. Sei que daqui para frente terei sempre uma dieta balanceada, além – é claro – da prática de atividades físicas”, explicou.

Ela lembrou que durante vários anos sofreu com hérnia umbilical e pedras na vesícula e nenhum médico realizava a cirurgia devido ao excesso de peso. “Agradeço ao município e ao médico Luis Antônio que numa só vez resolveu os problemas nos rins e realizou a redução de estômago. Não convivo mais com as dores”, disse Joselita.

Pré e pós-operatórios – Mais 45 pessoas estão cadastradas para a realização de cirurgias de redução de estômago pelo SUS, sendo que seis delas estão em condições clínicas e psicológicas para a realização do procedimento cirúrgico. “É importante ressaltar que o preparo pré-operatório é longo e envolve toda a equipe multiprofissional, a fim de tornar o usuário apto à cirurgia”, lembrou Mércia Maria dos Santos, diretora de Regulação do Município de João Pessoa.

A diretora de Regulação disse que esse tipo de tratamento do obeso grave vai desde o preparo ambulatorial através de nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e cirurgiões, até o pós- operatório e acompanhamento deste usuário. Lembrou que para esse tipo de cirurgia acontecer é necessário todo um preparo material da unidade hospitalar como ocorreu no HU, que vai desde a cama, banheiros e mesas cirúrgicas adequadas ao excesso de peso do usuário.

A meta preconizada pelo Ministério da Saúde (MS) é de oito cirurgias/mês a um custo de R$ 36.918,56, uma vez que cada uma tem um valor médio de R$ 4.614,82. Este tipo de intervenção cirúrgica está em fase de regulamentação por parte do MS, para que o município de João Pessoa possa oferecer o tratamento ao portador de obesidade grave. Com a regulamentação, o Ministério possibilitará os custeios necessários a esse tipo de tratamento, pois até então o município está arcando com os procedimentos cirúrgicos.