Passeio de trem e ação cultural no dia de luta contra os manicômios

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As comemorações do ‘Dia Nacional de Luta Antimanicomial’ (18 de maio) serão antecipadas para esta terça-feira (13), com a realização de um passeio de trem para os usuários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de João Pessoa, Bayeux e Santa Rita até a cidade de Cabedelo. A saída será às 10h. Lá, na cidade portuária, cerca de 300 usuários participam de um café da manhã e da apresentação de trio de forró pé-de-serra, celebrando os 20 anos de luta antimanicomial com o lema ‘Por uma sociedade sem manicômio’.

Ao longo do percurso, que começa na Estação Ferroviária de João Pessoa e passa ainda por Bayeux, Santa Rita até Cabedelo, usuários com transtornos mentais poderão apreciar a paisagem, interagir com profissionais de saúde e familiares e entrar no clima de São João ao som do autêntico forró pé-de-serra.

De acordo com a psicóloga Sandra Lima Carvalho, diretora do Caps Gutemberg Botelho, em Tambauzinho, a atividade é realizada pelo quarto ano consecutivo e ajuda na ressociabilização dos pacientes com transtornos mentais. “Além de demonstrar à sociedade que é possível tratar com inserção social e não com o isolamento e a segregação característica dos manicômios”, disse. Ela explicou que graças à luta antimanicomial, os manicômios vêm sendo substituídos pelos Caps e Residências Terapêuticas, “diminuindo o sofrimento das pessoas com um tratamento mais humanizado, especializado e a participação da família”.

Rede estruturada
– Nos últimos quatro anos, a Prefeitura de João Pessoa promoveu melhorias na rede de saúde mental no município com a reestruturação do Caps Gutemberg Botelho, em Tambauzinho, e a implantação dos Caps Caminhar, no Valentina Figueiredo, e Infantil Cirandar, no Róger, mais a Residência Terapêutica Feminina no Alto do Céu, em Mandacaru. Nesses locais, os usuários recebem atendimento de saúde, atividades terapêuticas e só são internados em casos de necessidade e num prazo máximo de dez dias.

Desde os anos 70, a sociedade começou a questionar o tratamento dado aos pacientes com problemas mentais. O Movimento Nacional da Luta Antimanicomial existe no Brasil desde 1987, reunindo profissionais de diversas áreas. “Os manicômios criaram uma situação muito ruim, pois faziam com que os pacientes perdessem sua identidade, privando a pessoa de sua família. Criou-se a produção da indústria da loucura, visando o lucro dessas instituições”, destaca a psicóloga Sandra Lima Carvalho, diretora do Caps Gutemberg Botelho, em Tambauzinho.

Hoje, o Brasil já conta com serviços fora dos muros dos manicômios: os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde são atendidas diariamente crianças, adultos e dependentes químicos. Existem cerca de 700 Caps espalhados pelo Brasil. Apesar disso, o País ainda conta com milhares de pessoas dentro de manicômios.