Patrimônio: PMJP apresenta projeto para reconhecer Capital

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O prefeito Ricardo Coutinho (PSB) vai se reunir, na próxima sexta-feira (30), com entidades e profissionais ligados a área da preservação histórica da cidade para apresentar, oficialmente, o material produzido pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP) relacionado ao processo de tombamento do Centro Histórico da Capital, transformando-o em Patrimônio Nacional. O encontro vai acontecer no auditório do Paço Municipal, Centro da cidade, às 11h.

No próximo dia 6 de dezembro, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deve decidir sobre a solicitação de tombamento das primeiras ruas e edificações de João Pessoa, situadas no Varadouro e no Porto do Capim, às margens do rio Sanhauá, local onde a cidade nasceu. O prefeito vai acompanhar pessoalmente a reunião, que irá acontecer no Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro (RJ).

Ricardo Coutinho vai apresentar aos 18 conselheiros do Iphan, na ocasião da reunião anual, material impresso e em forma de documentário (vídeo) sobre a Capital paraibana e os elementos que compõem o seu Centro Histórico. Esta mesma produção será exibida no encontro da próxima sexta-feira (30) com representantes de entidades e profissionais locais.

Reconhecimento
– O diretor técnico do Iphan na Paraíba, Umbelino Peregrino de Albuquerque, acredita que com elementos tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional, a cidade de João Pessoa terá mais possibilidade de receber recursos do Governo Federal para a ações de incentivo à cultura e preservação histórica. Além disso, o reconhecimento irá atrair o interesse de pesquisadores do Brasil e de outros países sobre a estrutura arquitetônica e as tradições do povo que reside na Capital.

Ele ressaltou ainda que apenas cerca de 70 municípios brasileiros possuem este título, do total dos mais 5 mil municípios existentes no País. “É assim que percebemos a importância de uma cidade ao ter seu Centro Histórico tombado”, observou.

O presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP), Luís Hugo Guimarães, destacou o fortalecimento do turismo para a cidade. “O título vai possibilitar que João Pessoa chame a atenção do mundo inteiro pela riqueza do seu sítio histórico. A história atrai muitos turistas, pessoas interessadas em saber o que se produziu e o que foi vivenciado nos locais. Isso vai atrair a atenção para outras cidades e espaços históricos do Estado”, comentou.

Contribuição – A presidente da Comissão do Centro Histórico, Sônia Gonzalez, disse que o reconhecimento é merecido, pela importância de João Pessoa e da Paraíba para a história do Brasil. “Ela foi a terceira a se constituir como cidade no País e isso não aconteceu de forma aleatória. Ela nasceu assim por sua função política e estratégica. A Capital da Paraíba consegue aliar o seu rico patrimônio histórico às belezas do seu meio ambiente”, ressaltou.

Sônia Gonzalez aproveitou ainda para destacar o apoio da atual gestão da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) no processo de tombamento. Segundo ela, a participação da administração do município foi fundamental e fortaleceu o processo. “A Prefeitura abraçou a causa e esta postura, sem dúvida, acelerou o processo. O interesse que a instituição vem demonstrando em transformar o Centro Histórico em Patrimônio Nacional foi essencial”, acredita.

Convidados – Entre as entidades convidadas para acompanhar a apresentação dos materiais elaborados pela Prefeitura estão o Iphan, IHGP, Comissão do Centro Histórico, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), Fundação Casa de José Américo, Associação Centro Histórico Vivo (Achervo), Gerência do Patrimônio da União, Câmara de Dirigentes Lojistas, Associação Comercial do Estado da Paraíba e profissionais que estão diretamente ligados a preservação do Centro Histórico da Capital, a exemplo dos jornalistas Gonzaga Rodrigues e Wiilis Leal e o historiador Wellington Aguiar. O arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, também foi convidado.

Processo – A proposta de tombamento surgiu em 2002, através de solicitação da Associação Centro Histórico Vivo (Achervo). O pedido foi remetido ao Ministério da Cultura e encaminhado à Superintendência Regional do Iphan. Depois de algumas reformulações no projeto inicial, a solicitação foi analisada e agora será discutida e votada durante a reunião do Conselho.

O Centro Histórico de João Pessoa ocupa uma área de 117 hectares, com aproximadamente duas mil edificações. No processo de tombamento histórico serão considerados apenas 37 hectares, que incluem 502 edificações em 25 ruas, seis praças e o Porto do Capim.

A Capital da Paraíba é a terceira cidade mais antiga do Brasil e tem na sua estrutura todos os estilos da arquitetura, desde o barroco até os casarões em art décor. Na cidade também é possível encontrar a influência das quatro ordens religiosas – carmelita, jesuíta, beneditina e franciscana. Uma outra característica é a distribuição dos lotes nas quadras. O traçado das ruas históricas vem sendo conservado ao longo dos tempos.