PMJP entrega duas obras de Abelardo da Hora à cidade de João Pessoa

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O prefeito Luciano Agra entregou duas novas esculturas do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora. A solenidade aconteceu na tarde deste sábado (30), com presença de várias autoridades e artistas da terra. As obras estão instaladas no espelho d´água da base da Torre Mirante da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, no Altiplano. A inauguração também contou com a apresentação do grupo Quarta Justa.

A entrega das esculturas, que foram adquiridas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), encerrou as festividades de um ano de gestão do prefeito Luciano Agra, que destacou a importância da compra das obras como uma forma de prestigiar o trabalho de um dos mais renomados artistas plásticos brasileiros, e ao mesmo tempo,  presentear os próprios pessoenses e turistas.

“Abelardo está para a escultura brasileira como um dos maiores artistas do país”, disse Luciano Agra. “É um trabalho riquíssimo e prestigiado pelo público do país inteiro. Para nós, é uma honra pode adquirir essas peças, que se tornam patrimônio cultural do povo de João Pessoa, bem como dos visitantes que passam por aqui”.

Após falar da alegria e satisfação com as quais participava da inauguração das obras, agora como acervo cultural pessoense, o artista plástico Abelardo da Hora ainda destacou o que chamou de perspectiva cultural da Estação Cabo Branco para as manifestações artísticas não só da Paraíba, mas também do Nordeste e do Brasil. “O meu desejo é que esse espaço continue sendo usado para multiplicação das artes plásticas”, pontuou.

A vinda definitiva das esculturas do pernambucano Abelardo da Hora para a Estação Cabo Branco aconteceu no ano passado, quando o artista veio expor “Amor e Solidariedade”, um conjunto de 130 obras que foi instalado para visitação pública nos jardins e no segundo pavimento da Torre Mirante na Estação por cerca de quatro meses.

“Quando a exposição esteve aqui foi inânime a percepção e identificação das pessoas entre as esculturas de Abelardo e o ambiente arquitetônico que leva assinatura de Oscar Niemeyer”, comentou o diretor geral da Estação Cabo Branco, Rubens Freire. “Isso, de certa forma, estimulou a gestão municipal, que já vinha no processo de reconhecimento e estímulo aos bens culturais em vários pontos da cidade de João Pessoa, a adquirir as obras de Abelardo da Hora”, comentou.

Esculturas – A obraMulher na Rede’ tem 1,40 altura, 2,60 de comprimento, pesa 430 quilos e tem largura de 0,90 metros. A outra, intitulada ‘Mulher de Pernas Dobradas’, possui altura de 1,20 metros, 2,0 metros de comprimento, com largura de 0,80 centímetros e peso de 410 quilos.

“As obras de Abelardo da Hora adquiridas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa agregam valor artístico e embelezam ainda mais a Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, sendo uma das obras importantes a compor o acervo artístico deste centro cultural, que hoje é espaço de referência educacional e turística da Capital paraibana”, comentou a artista plástica e curadora da Estação Cabo Branco, Lúcia França.

Na opinião da curadora, o prefeito Luciano Agra tem demonstrado um aprimorado zelo com os espaços públicos de João Pessoa, notadamente no tocante a sua preocupação com o meio ambiente e com a estética urbanística da cidade, além de, por meio da Estação Cabo Branco, fomentar a difusão do conhecimento e cultura paraibana. A inclusão das obras de Abelardo da Hora ao acervo reafirma este compromisso com a cidade de João Pessoa e com seus cidadãos.

O artista – Abelardo da Hora nasceu no ano de 1924 em São Lourenço da Mata (PE). Formado pela Escola de Belas Artes do Recife, conviveu com nomes como Vicente do Rêgo Monteiro e Hélio Feijó. Vanguardista, foi um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife e um dos precursores da arte cinética no país. É mestre de toda uma geração de artistas pernambucanos de renome, partindo de Francisco Brennand até José Cláudio, Corbiniano Lins, Guita Scharifker, Gilvan Samico e Wellington Virgolino.

A obra do artista Abelardo da Hora é uma das mais fortes expressões das artes plásticas nordestina, sendo evidente três vertentes de expressão em seu trabalho. “A sua preocupação com os menos favorecidos, a força das inúmeras manifestações populares como o frevo, maracatu e caboclinhos que nascem no interior nordestino e vêm para as cidades grandes mostrando ritmo, cores, organização e o encantamento e a beleza feminina traduzidas em suas esculturas de mulheres fundidas em bronze ou em concreto que se espalham por logradouros públicos, edifícios e monumentos Brasil afora”, avaliou Lúcia França.

As obras de Abelardo da Hora estão espalhadas por todo o mundo: China, França, Estados Unidos, Suíça, Rússia e na antiga Tchecoslováquia. No Brasil, integra os acervos do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Museu do Solar do Unhão na Bahia, Masp (Coleção Pietro Maria Bardi), Mac da Usp, Mamam do Recife e em inúmeras coleções particulares.

Todos os países da Europa, além da Mongólia, Argentina, Canadá e EUA (incluindo individual na Biblioteca do Congresso), já receberam suas obras em exposições individuais e coletivas. Diversas vezes premiado em salões de artes plásticas em todo o país, desde a década de 50 é delegado em Pernambuco da Secção Brasileira da Internacional de Artes Plásticas, ligada à Unesco, além de ser um dos fundadores da ABDE em Pernambuco.