PMJP entrega escultura para homenagear poeta Caixa D’água

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O poeta Manoel José de Lima, o popular Caixa D´água, falecido em 2006, será homenageado pela Prefeitura de João Pessoa, durante a passagem do Dia do Poeta, nessa quinta-feira (4), com a inauguração de uma estátua do autor de “Caminho Perdido”, na Praça Aristides Lobo, ao lado do prédio do antigo Grupo Tomaz Mindello. O monumento será entregue pelo prefeito Ricardo Coutinho, na presença de familiares, amigos e admiradores do escritor, com animação da Banda 5 de Agosto.

Natural de Cruz do Espírito Santo, Manoel José de Lima nasceu em 5 de janeiro de 1934, passando a residir na capital paraibana desde os 10 anos, quando ensaia as primeiras letras, cursando o primário em grupo escolar. Autor de 15 livros, Caixa D´água notabilizou-se como “poeta das madrugadas”, circulando, sempre de terno branco, pelas ruas, botecos e gabinetes do centro de João Pessoa. Último dos boêmios de uma cidade romântica que vai se esvaindo na memória coletiva, Caixa simbolizou em vida a resistência de um povo forte e sofrido, que decide enfrentar as agruras com dignidade e arte. Sem qualquer erudição, por vezes entre ingênuo e surreal, Manoel José de Lima foi o maior poeta popular que a cidade conheceu.

Criada pelos artistas plásticos Domingos Sávio e Mirabeau Menezes, esculpida em concreto, em tamanho natural, a estátua ficará localizada numa das esquinas mais movimentadas da capital e passagem habitual do poeta. “Com essa homenagem, a cidade demonstra o devido respeito com o seu povo e a sua história, não deixando esquecer aqueles que ajudaram a moldá-la como espaço de convivência humana, independente de aspectos econômicos, sociais ou culturais”, destaca o prefeito Ricardo Coutinho.

De 1977 a 2005, Caixa D´água lançou os seguintes livros de poesia e ensaios, todos custeados pela venda direta: “Caminho Perdido” (1977), “O apaixonado das madrugadas” (1979), “O verde canavial da minha terra” (1981), “Nesta terra eu fiz milagres” (1983), “No silêncio da minha rua aqui mora um solitário no alto da planície” (1985), “Deixe um sonhador sonhar em paz” (1987), “Desta montanha eu não vou descer” (1989), “Xuxa – A menina que veio de um planeta forte” (1991), “Ernani Sátyro – Um depoimento sobre um gênio” (1993), “O menino voltou para a Ladeira da Borborema” (1995), “O filho do lavrador que abalou o Brasil” (1998), “Eu e as multidões” (2000), “Ponta de Campina – Refúgio dos Siqueira” (2001), “Rainha Mãe dos Humildes – História da Casa dos Estudantes” (2003) e “A cidade sem porta – As ruas brancas de minha infância que não voltam mais” (2005).

Manoel José de Lima preparava seu 16º livro quando foi vítima de insuficiência respiratória, vindo a falecer, aos 72 anos, no dia 27 de março de 2006. Deixou mulher e três filhas. Ao lado da estátua do poeta haverá uma placa contendo seu mais famoso poema, cujo trecho final reflete um pouco sua vida de artista: “(…) Se o mar geme/ Se as folhas caem/ Se os navios param/ Se o vento norte apagou a lanterna/ Eu tinha nas minhas mãos somente sonhos/ Eu tinha nas minhas mãos somente sonhos”.